O QUÊ A IGREJA DIZ SOBRE A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS?

Qual é a essência da doutrina da ressurreição geral?

Imediatamente antes de Sua Segunda Vinda, Jesus Cristo restaurará os corpos de todas as pessoas que já morreram e reunirá esses corpos com suas almas. Nesses corpos ressuscitados, as pessoas encontrarão o Senhor no Juízo Final, onde seu destino eterno será finalmente determinado; nesses mesmos corpos, elas entrarão na realidade transformada do Reino de Deus.

O que o Antigo Testamento diz sobre a ressurreição?

A declaração mais significativa sobre a ressurreição vindoura pertence ao justo Job, que viveu dois milênios antes do nascimento de Cristo: “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre o pó desta pele que se decompõe, e ainda em minha carne verei a Deus. Eu mesmo O verei; os meus olhos O contemplarão, e os olhos de ninguém O verão” (Jó 19:25-27). A crença do Antigo Testamento na ressurreição é expressa ainda mais inequivocamente por um dos mártires macabeus, que sofreu em meados do século II a.C.: “Tu, ó atormentador, nos privas desta vida presente, mas o Rei da paz nos ressuscitará, a nós que morremos pelas Suas leis, para a vida eterna” (2 Macabeus 7:9).

O próprio Jesus Cristo falou de uma futura ressurreição geral?

Sim, e repetidamente: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que n´Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16); “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Porque, assim como o Pai tem vida em Si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em Si mesmo. E deu-Lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho de Deus, e sairão: os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para a condenação” (João 5:25-29).

O que os apóstolos disseram sobre a ressurreição?

A fé na ressurreição foi um dos temas centrais da pregação dos apóstolos. O apóstolo Paulo, em particular, testemunhou repetidamente sobre a ressurreição em suas Epístolas: “Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará pelo Seu poder” (1 Coríntios 6:14); “…se os mortos não ressuscitam, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é inútil; ainda estamos em nossos pecados” (1 Coríntios 15:16-17); “…se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus trará, mediante Jesus, os que n´Ele adormeceram” (1 Tessalonicenses 4:14).

Como a Ressurreição de Cristo e a ressurreição geral da humanidade estão conectadas?

Mesmo no alvorecer da humanidade, os primeiros humanos, Adão e Eva, romperam sua conexão com Deus, trazendo pecado, sofrimento e morte para suas vidas e para as vidas de todos os seus descendentes. Buscando salvar Sua criação, o próprio Deus decidiu Se tornar homem e, assim, restaurar a conexão rompida entre o Criador e a humanidade. Após a Encarnação do Filho de Deus, tudo o que aconteceu com Jesus Cristo como homem tem significado salvífico e deve acontecer com cada um de nós. E, visto que o Salvador ressuscitou corporalmente, nós também somos chamados a ressuscitar materialmente.

Por que a ressurreição é necessária se a alma humana é eterna?

Ao criar o mundo inteiro, Deus o concebeu como complexo e multifacetado. Os seres humanos, como senhores e reflexos deste mundo, também possuem diversos níveis de vida. Nossos corpos são uma parte importante de nós e, portanto, o estado em que as almas permanecem após a separação do corpo é considerado incompleto pela Igreja. A pessoa inteira, e não apenas uma parte específica, é chamada a participar da eternidade. Para esse propósito, Deus realizará a ressurreição geral da humanidade — como uma restauração completa de nossa natureza para a plena participação na “vida da era vindoura” e a plena comunhão com o Criador.

Quando e como ocorrerá a ressurreição?

Como o Senhor ocultou de nós o momento exato de Sua vinda, dizendo que “daquele dia e hora ninguém sabe, nem mesmo os anjos no céu, senão o Pai” (Mateus 24:36), não podemos precisar a data da ressurreição.

É certo que essa ressurreição será universal. As almas de todos os mortos serão reunidas aos seus corpos, e os corpos dos vivos serão transformados. Não foi revelado se os que estiverem vivos naquela época experimentarão a morte que conhecemos hoje, mas, de uma forma ou de outra, seus corpos se tornarão iguais aos dos mortos ressuscitados.

Como serão nossos corpos após a ressurreição?

No momento da ressurreição, a pessoa se tornará fisicamente semelhante a Cristo, como Ele apareceu a Seus discípulos após a ressurreição, e não conhecerá limitações materiais — fome, dor, fadiga ou outras necessidades fisiológicas. Assim, o corpo ressuscitado do Salvador é capaz de se tornar invisível, insensível ao frio ou ao calor, imortal e incorruptível. Além disso, embora mantenham as características físicas distintivas de cada pessoa, os novos corpos não apresentarão os mesmos defeitos. Se uma pessoa era, por exemplo, coxa, estrábica ou paralítica em uma vida anterior, esses sinais de doença desaparecerão após a ressurreição.

Será que tais corpos perfeitos serão concedidos a todos — tanto pecadores quanto justos?

Por um lado, os corpos de todas as pessoas serão igualmente incorruptíveis, imortais e livres de necessidades fisiológicas. Por outro lado, haverá alguma distinção entre os justos e os pecadores. Os corpos dos justos, segundo os Padres da Igreja, serão rodeados de glória e terão uma aparência nobre e bela. Os corpos dos pecadores, porém, apesar de sua incorruptibilidade e integridade, carregarão certa marca da vida pecaminosa que levaram antes e pela qual nunca se arrependeram. Essa marca terá um efeito repulsivo e negará a integridade geral do corpo ressuscitado.

A que idade corresponderá a aparência do ressuscitado?

Não há uma única resposta para esta pergunta. A maioria dos teólogos e padres santos afirma que as pessoas ressuscitarão em corpos que correspondem à idade madura, o período de pleno desenvolvimento espiritual e físico. No entanto, alguns acreditam que certos ascetas, como sinal do respeito de Deus por suas conquistas, conservarão sinais visíveis de velhice (ou, inversamente, juventude), embora apresentem, de resto, características de maturidade e plena força.

Dizem que os justos ressuscitarão primeiro e, depois de algum tempo, o resto…

Essa afirmação é herética e faz parte de um ensinamento chamado quiliasmo, não reconhecido pela Igreja. Em termos gerais, afirma que o Senhor ressuscitará primeiro os justos, com os quais reinará na Terra por um período de tempo (geralmente mil anos, daí o nome “quiliasmo” — do grego antigo “chilias”, que significa mil), e somente após esse período ressuscitará os pecadores e julgará a humanidade. Em resposta a esse ensinamento, a Igreja afirma que a ressurreição será universal e instantânea.

O que acontecerá depois da ressurreição geral?

Após a restauração de sua fisicalidade, as pessoas comparecerão perante o julgamento de Deus, onde o Senhor determinará o destino final de cada um de nós. Como escreveu o apóstolo Paulo: “Depois da ressurreição e do juízo, Deus será tudo em todos” (1 Coríntios 15:28). Mas essa presença divina manifesta no mundo renovado não será motivo de alegria para todos. Para os espíritos malignos e os pecadores, será a causa de uma existência atormentada, também conhecida na tradição da Igreja como inferno. Essa alegria e esse tormento serão eternos e serão experimentados por pessoas em todos os níveis, inclusive no físico.


Jornal “Foma”
traduzido do russo por monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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