A leitura do Evangelho da Festa de Pentecostes menciona os rios de água viva que fluirão das pessoas que crerem em Jesus. E os próprios Evangelistas explicam o que isso realmente significa. O Evangelho se refere ao Espírito Santo que os fiéis deveriam receber quando Jesus fosse glorificado após a Sua ressurreição.

A festa de hoje – o dia da descida do Espírito Santo – é o dia em que a Igreja nasceu. Não me refiro à Igreja como uma organização ou como algum tipo de sistema que une os crentes em Cristo, mas à Igreja como o Corpo Místico absolutamente único, composto por todos aqueles que ouviram o apelo de Deus, o apelo à santidade, e seguiram o caminho designado por Cristo Salvador.

Se tentássemos expressar em uma palavra o que os Apóstolos experimentaram no dia em que o Espírito Santo desceu manifestamente sobre eles sob a forma de línguas de fogo, uma boa escolha de palavras seria “ousadia”.

Apenas um dia antes, os Apóstolos estavam cheios de confusão e medo; estavam extremamente deprimidos porque tudo o que esperavam e almejavam havia dado errado. De repente, porém, são tomados por tamanha ousadia que saem a praças repletas de pessoas extremamente hostis e realizam milagres evidentes: ressuscitam mortos; curam enfermos terminais. E só conseguiram realizar tudo isso porque compreenderam que não viviam mais suas vidas individuais, mas que, a partir daquele momento, suas vidas constituíam parte da obra do Corpo de Cristo.

Hoje em dia, pode-se pensar que os membros da Igreja atual não possuem mais os mesmos dons da graça do Espírito Santo que se manifestavam tão abundantemente durante os primeiros séculos do cristianismo. São poucos os que, pela graça do Espírito Santo, falam em línguas; poucos os que são ousados ​​o suficiente para realizar milagres, muito menos para ressuscitar mortos.

Contudo, na realidade, nossa Igreja possui um dom muito mais necessário na sociedade atual do que competir na área da medicina ou em qualquer outra área da vida moderna. A Igreja tem algo de que nossos contemporâneos precisam desesperadamente. E o que eles mais precisam é de amor, um amor caloroso, sincero e inspirador, que as pessoas não conseguem produzir sozinhas.

Pois, quando uma pessoa vem à Igreja e começa a participar dos Mistérios; quando se confessa e comunga, quando começa a viver segundo o caminho santificado pela Igreja, chega um momento, muitas vezes despercebido pela própria pessoa, em que ela começa a irradiar a Graça Divina.

E é a festa do dia em que a Igreja nasceu como o Corpo de Cristo, vivendo e atuando até este exato momento, até este exato dia, que celebramos hoje. Glória a Ti, Senhor, por vivermos todos em Tua Santa Igreja!


Arcipreste Pavel Velikanov
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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