Fui informado por fontes confiáveis de que, em algumas partes do mundo protestante, a festa que nós, ortodoxos, celebramos hoje é chamada de “Domingo da Ressurreição”. Embora fosse universalmente conhecida como “Páscoa”, aparentemente algumas pessoas no mundo protestante evangélico relutam em usar o termo “Páscoa” por acreditarem que a palavra tem conotações pagãs e um passado pagão.
A história real da palavra é um tanto obscura. O Venerável Beda, um escritor eclesiástico inglês do século VIII, expressou a opinião de que a palavra teria sido o nome de uma divindade anglo-saxônica, mas nenhum documento histórico sobreviveu para corroborar isso. Existe uma palavra germânica relacionada ao nascer do sol e à primavera, e o alvorecer da primavera era chamado de “Eostremonath”, “mês da Páscoa”. De qualquer forma, se alguma vez existiu uma deusa anglo-saxônica com o nome de Eostre ou Ostara ou algo semelhante, essa divindade desapareceu há muito tempo — tempo demais para exercer muita influência sobre as celebrações cristãs de hoje.
Em muitas partes do mundo, a festa da morte e ressurreição de Cristo é conhecida como Páscoa. Assim, os franceses chamam a festa de “Paques”, os espanhóis de “Pascua”, os romenos de “Paşti” e os italianos de “Pasqua” — todos relacionados ao grego/latim “Pascha”.
Assim como o calendário judaico se baseou em um calendário pagão anterior, o calendário cristão se baseou no calendário judaico anterior, acrescentando-se ainda uma camada cristológica de significado. A festa de Shavuot/Pentecostes não comemorava apenas a entrega da Lei, mas também a entrega do Espírito Santo, quando a Lei foi escrita nos corações do povo de Deus. Já a festa de Pessach/Páscoa comemorava não apenas o sacrifício dos cordeiros no Egito, mas também o sacrifício de Jesus na cruz como o Cordeiro de Deus e sua ressurreição.
Essa camada final de significado não foi uma adição arbitrária, mas sim a trajetória escatológica e o cumprimento do significado original. O sacrifício dos cordeiros no Egito, durante o Pessach, salvou Israel da morte e lançou o fundamento para sua libertação da escravidão e sua eventual chegada à Terra Prometida. Isso sempre foi profético, apontando para a morte de Cristo na Páscoa, pela qual somos libertados da escravidão do pecado e da morte e iniciamos nossa longa jornada rumo à Terra Prometida celestial. A festa cristã, portanto, revela o significado profético da festa judaica.
É por isso que é importante preservar ao máximo os termos judaicos originais para a nossa festa da morte e ressurreição de Cristo, mesmo que esses termos sejam os encontrados na tradução grega judaica, de modo que a chamamos de “Páscoa” e não “Pessach”. O nome tradicional de Páscoa para a festa da Páscoa ou Domingo da Ressurreição oferece uma porta de entrada para tesouros teológicos.
Sacerdote Lawrence Farley
tradução de monja Rebeca (Pereira)







