DA PÁSCOA AO DIA DE TODOS OS SANTOS

PÁSCOA, Ressurreição de Cristo: 12 de abril

Na época do Antigo Testamento, a Páscoa marcava o dia da libertação milagrosa dos israelitas da escravidão egípcia. O êxodo para a Terra Prometida prenunciava como Cristo, o Salvador, por meio de Seu sofrimento na cruz, morte e ressurreição, libertaria a humanidade do cativeiro do pecado e restauraria a conexão entre o homem e Deus, rompida no Éden. Este dia — assim como a Páscoa para os antigos judeus — é o dia mais alegre do calendário cristão, lembrando-nos de que o caminho para Deus agora está aberto a todos graças a Cristo, e que a vida não é sem sentido.

A alegria pascal é um antegosto da alegria que se manifestará plenamente após a Segunda Vinda de Cristo e a manifestação do Reino Eterno de Deus. Características litúrgicas: Os textos do Antigo Testamento (salmos, livros proféticos, hinos) são totalmente excluídos ou substituídos por textos do Novo Testamento (fragmentos dos Evangelhos e epístolas apostólicas). À noite, o Ofício da Meia-Noite, as Matinas, as Horas e a Liturgia de João Crisóstomo são celebrados, combinados em um único rito. A maioria dos elementos variáveis ​​do serviço é substituída por um único Troparion: “Cristo ressuscitou dos mortos”. Em vez do “Trisagion”, canta-se “Vós todos que fostes batizados em Cristo”. O serviço é muito alegre. Todos os textos são cantados, não lidos. Após a Liturgia, ovos e o pão pascal (Artos) são abençoados. Até a despedida da Páscoa (a véspera do quadragésimo dia após a Páscoa, este ano em 20 de maio), os fiéis são saudados com as palavras “Cristo ressuscitou!” e respondem com “Verdadeiramente ressuscitou!”

Semana Luminosa: 13 a 18 de Abril

Esta semana é essencialmente uma continuação da Páscoa judaica, que, como no antigo Israel, dura uma semana inteira. Ela enfatiza a ideia de alegria, renovação e restauração do mundo caído em Cristo Jesus. Os temas principais são júbilo, alegria e luz. É por isso que esta semana é chamada de Semana da Luz.

Regulamentos de Jejum
Da Páscoa à Semana de São Tomé (domingo), todas as restrições alimentares são suspensas. Os monges podem comer qualquer alimento, exceto carne. Os leigos podem comer de tudo. No entanto, não é costume realizar cerimônias de casamento para os recém-casados, para não confundir a alegria espiritual do Senhor ressuscitado com a alegria terrena.

Peculiaridades da Liturgia
Quase todos os serviços durante a semana são realizados segundo o rito pascal, mantendo a maioria dos hinos pascais. Por vezes, textos em honra dos santos são incorporados ao serviço, mas os hinos pascais predominam. Inicia-se também o canto de textos do Octoecos, um dos principais livros litúrgicos (usado durante todo o ano, exceto na Quaresma). Até o final da Páscoa, em vez do hino “Rei dos Céus”, canta-se “Cristo Ressuscitou dos mortos”. Durante todo este período, a cor das vestes litúrgicas é vermelha (segundo o costume russo).

Segundo Domingo depois da Páscoa, Apóstolo Tomé: 19 de abril

Na Liturgia, lê-se uma passagem do Evangelho (João 20:19-31) que narra a aparição do Salvador ressuscitado ao Apóstolo Tomé, que desejava ver por si mesmo a verdade da Ressurreição de Cristo. A Igreja cita a incredulidade de Tomé como um exemplo para todos — uma boa incredulidade, baseada não na negação, mas no desejo de receber uma firme confirmação da própria fé.

Regulamentos de Jejum
Da Semana de São Tomé ao Pentecostes, não há restrições alimentares rigorosas. Peixe é permitido às quartas e sextas-feiras. Nos outros dias, pode-se comer de tudo (os monges nunca comem carne). A Semana de São Tomé é o primeiro dia após a Páscoa, quando se realizam os casamentos.

Peculiaridades da Liturgia
Os serviços religiosos são realizados normalmente. A leitura dos salmos é retomada. Os hinos pascais são poucos, mas ainda estão presentes.

Comemoração dos Falecidos. Radonitsa: 21 de abril

Antes deste dia, é costume não visitar cemitérios, mas na própria Radonitsa, os cristãos ortodoxos compartilham a alegria da Páscoa com os falecidos, visitam os túmulos de seus entes queridos e oferecem orações por eles. Essas orações não são de tristeza, mas de alegria, cheias de júbilo e esperança na ressurreição geral que se aproxima.

Peculiaridades da Liturgia
O serviço é típico, mas após a Liturgia, realiza-se uma Panikhida especial, onde orações fúnebres são combinadas com textos pascais. A morte é vista não como um fim triste, mas como uma transição luminosa para a Eternidade. Esta festa é exclusiva da tradição da Igreja Russa (Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e partes da Polônia) e não é celebrada em outras Igrejas Ortodoxas.

Terceiro Domingo após a Páscoa, Santas Mulheres Miróforas: 26 de abril

Este dia comemora especialmente as santas mulheres — discípulas de Cristo — que foram ao túmulo do Salvador para ungir Seu corpo com o óleo precioso — mirra — mas não O encontraram lá.

A Igreja honra o heroísmo das mulheres santas, citando sua fé como exemplo: quando todos os discípulos homens abandonaram o Mestre com medo, as Mulheres Miróforas seguiram corajosamente o Senhor. Por seu amor ardente, elas foram honradas por serem as primeiras a receber a notícia da Ressurreição. Este dia celebra a ideia do serviço da mulher na Igreja, na família e na sociedade.

Quarto Domingo depois da Páscoa, o Paralítico: 3 de maio

Na Liturgia, lê-se uma passagem do Evangelho sobre a cura de um paralítico que jazia perto do tanque de Betesda, em Jerusalém, havia 38 anos. Segundo o Apóstolo João: “…Certo tempo, um anjo do Senhor desceu ao tanque e agitou a água; e o primeiro que entrava, depois da agitação da água, era curado de qualquer enfermidade que tivesse” (João 5:4).

O paralítico também poderia ter sido curado mergulhando nas águas milagrosas de Betesda, mas, durante 38 anos, ninguém ao seu redor se dispôs a ajudá-lo. Jesus o cura com apenas uma palavra (João 5:1-15). A Igreja vê um simbolismo profundo neste episódio: essencialmente, cada um de nós está paralisado pelo pecado e pelas paixões em algum grau e não consegue se libertar deles sem a ajuda de Deus.

Semi-Pentecostes: 6 de maio

Celebrado no vigésimo quinto dia após a Páscoa, ou seja, a meio caminho entre a Páscoa e Pentecostes, daí o nome — Semi Pentecostes (“metade do caminho”).

Peculiaridades da Liturgia
Os temas de Pentecostes começam a ressoar nos textos deste dia, desenvolvendo o tema da santificação humana pela graça divina. Esses temas atingirão seu ápice na festa de Pentecostes — a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos. O serviço é realizado somente segundo o rito festivo. A bênção menor da água é prescrita.

Quinto Domingo depois da Páscoa, Samaritana: 10 de maio

A passagem do Evangelho lida neste dia narra a conversa entre Cristo e a mulher samaritana que o encontrou junto ao poço (João 4:5-42). A interlocutora de Cristo, embora seja uma personagem real na história do Evangelho, é também uma imagem generalizada de toda pessoa que cometeu muitos erros em sua vida, mas que, mesmo assim, busca a Verdade.

Este episódio enfatiza a ideia de que a salvação é concedida às pessoas não por sua origem étnica, social ou cultural, mas unicamente pela fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Sexto Domingo depois da Páscoa, Cego de nascença: 17 de maio

A principal leitura do Evangelho narra a cura, pelo Salvador, de um homem cego de nascença (João 9:1-38). O cego curado simboliza também qualquer pessoa que chega à fé e cujos olhos espirituais são abertos pelo Senhor. A cegueira espiritual dos fariseus é contrastada com a visão do cego, que pôde ver Deus e Salvador em Jesus.

Despedida da Páscoa: 20 de maio

O último dia do ciclo pascal. A festa se encerra ou é “deixada para trás”, razão pela qual esta quarta-feira é chamada de Despedida.

Peculiaridades da Liturgia
Os hinos e troparia pascais são cantados pela última vez. Antes de Pentecostes, os serviços de oração começam não com a oração “Rei Celestial”, mas diretamente com o Trisagion. Há uma tradição de repetir o serviço pascal neste dia, seguindo o padrão dos serviços durante a Semana Luminosa.

Ascensão do Senhor: 21 de maio

Comemoração da ascensão corporal de Cristo à glória celestial do Pai, que, segundo a Tradição, ocorreu no 40º dia após a Ressurreição. A partir de agora, em Cristo, a natureza humana, e com ela todo o mundo criado, tem a oportunidade de alcançar a união máxima com Deus, que será plenamente realizada após a Segunda Vinda e o Juízo Final.

Peculiaridades da Liturgia
Não há diferenças estruturais entre a celebração deste dia e as celebrações dos outros dias. As vestes litúrgicas são douradas ou brancas.

Sétimo Domingo depois da Páscoa, Santos Padres do Primeiro Concílio Ecumênico: 24 de maio

A Igreja honra a memória dos bispos que, no Concílio de 325, afirmaram o ensinamento da Igreja de que Cristo é o Filho de Deus e possui a plenitude da natureza divina, como o Pai.

Este dogma é o fundamento da doutrina de toda Igreja Cristã. Não aceitá-lo significa não ser cristão.

Sábado da Trindade em Memória dos Parentes Falecidos: 30 de maio

A Igreja reza por todos os cristãos que partiram para a Eternidade.

Peculiaridades da Liturgia
O serviço é uma celebração memorial, realizada apenas algumas vezes por ano. Os textos fúnebres são abundantes, mas não são de luto, e sim de alegria, repletos de esperança na Ressurreição Geral.

Oitavo Domingo depois da Páscoa. Pentecostes. Domingo da Santíssima Trindade: 31 de maio

Este dia comemora a descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Cristo, que ocorreu no 50º dia após a Ressurreição. Após este evento, os apóstolos receberam todos os dons da graça necessários para a pregação, a administração dos Sacramentos e o exercício do ministério salvífico da Igreja. Esses dons incluem sabedoria, conhecimento e discernimento de espíritos; fé, capacidade de realizar milagres e curas; profecia, falar em diferentes línguas e a capacidade de compreendê-las. Assim como a história da Igreja do Antigo Testamento começou com a entrega da Lei Sinaítica a Israel, também a história da Igreja do Novo Testamento começou com a descida do Espírito Santo. A Santíssima Trindade e o ensinamento sobre ela como fundamento da fé cristã também são louvados.

Peculiaridades da Liturgia
Os templos, como no antigo Israel, são adornados com vegetação abundante — um símbolo da vida espiritual que nos é dada pelo Espírito Santo. As vestes são verdes (uma ocorrência muito rara). Após a Liturgia, celebram-se as Pequenas Vésperas. Durante este serviço, pela primeira vez desde a Páscoa, canta-se o hino ao Espírito Santo, “Rei Celestial”, e são lidas orações especiais de joelhos dirigidas a toda a Trindade.

Dia do Espírito Santo: 1º de junho

Neste dia, a Terceira Hipóstase da Trindade — o Espírito Santo — é especialmente venerada.

Regulamentos de Jejum
A semana inteira é um jejum ininterrupto. Os leigos podem comer de tudo, os monges, tudo, exceto carne.

Primeiro domingo após Pentecostes. Dia de Todos os Santos: 7 de junho

Neste dia, todos os santos — pessoas que agradaram a Deus com suas vidas — são glorificados em oração. Ao mesmo tempo, a Igreja lembra tanto aqueles cujos nomes são conhecidos quanto aqueles cujos nomes são conhecidos apenas pelo Senhor. Essencialmente, este feriado é o dia onomástico de todos os cristãos ortodoxos.

Peculiaridades da Liturgia
No primeiro domingo após Pentecostes, o canto dos textos do Triódio cessa completamente.

Regulamentos do Jejum
O Jejum dos Apóstolos (ou Jejum de Pedro) começa na segunda-feira após o Dia de Todos os Santos. De acordo com a regra monástica (os leigos devem consultar seu Pai Espiritual antes de observá-lo), alimentos secos (alimentos crus, sem óleo ou sucos) são prescritos às segundas, quartas e sextas-feiras. Alimentos vegetais cozidos com óleo são permitidos às terças e quintas-feiras, e peixe é adicionado à dieta mencionada aos sábados e domingos. A prática paroquial geralmente permite que os leigos comam peixe todos os dias, exceto às quartas e sextas-feiras.

Jornal “Foma”
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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