JUVENTUDE DO APOCALIPSE – BELEZA DEFORMADA

Beleza Deformada

O famoso autor Fiódor Dostoiévski disse: “A beleza salvará o mundo.” O progresso com suas máquinas fez o mundo regredir a um lugar onde não há beleza. Se a beleza é minada, o que salvará o mundo?

Desde a infância somos ensinados a considerar atraentes coisas detestáveis, e, assim, a imagem da verdadeira beleza é deformada. Como não há distinção entre o que é belo e o que é feio, somos deixados no caos. Dizem-nos que “a beleza está nos olhos de quem vê”, mas, se isso fosse verdade, o mundo jamais teria chance de ser salvo, pois a interpretação humana da beleza pode ser mortal. O famoso poeta Keats disse: “Beleza é verdade, verdade é beleza.” Mas a verdade jamais poderia estar nos olhos de quem vê.

Historiadores dizem que “a religião foi o berço da arte”. Essa noção nos revela o primeiro impulso do homem para a arte: elevar seu espírito acima da terra por meio de um meio terreno. Dessa forma, a arte pode expressar os diferentes estados do espírito humano: amor, alegria, sofrimento e compaixão; ou até mesmo exaltar o espírito para perceber o divino. Mas o espírito da era moderna matou a alma do homem. O homem contemporâneo está tão dessensibilizado que nem sequer consegue sentir que possui uma alma. Essa falta de alma é o que produziu a sociedade moderna e sua arte.

No passado, a humanidade tinha uma maneira de retratar e expressar a verdadeira beleza, e de expressar o anseio do homem por um estado de verdade mais elevada e elevá-lo a esse lugar, que é a beleza. Isso era feito por meio das artes, da literatura, da pintura e da música.

Primeiro, devemos nos perguntar: qual é a substância da arte? Ontem, ninguém hesitaria em responder: beleza. Hoje dizem que a beleza é relativa. Dizem que um senso clássico de beleza é resultado da conformidade com um padrão moral opressor e, portanto, “politicamente incorreto”. Mas agora que a deformidade está em voga, quem é o conformista?

As artes do mundo moderno confundiram e deformaram as almas e já não as elevam a um estado mais alto. Elas pintam o quadro e gritam a canção do desespero e da raiva da juventude. Enquanto a destruição pinta seu quadro, a canção continua a tocar e a vida se torna absurda.

Além do Absurdo

A era moderna é absurda. Aquilo que antes era feio agora é considerado belo; aquilo que era errado agora é considerado certo; as pessoas já não vivem para criar a vida, mas para destruí-la. Agora que Deus está morto, a vida é além do absurdo.

O estado incoerente da era moderna é melhor ilustrado pela arte contemporânea. Chegou-se até mesmo a fundar uma nova forma de expressão artística criada diretamente a partir da compulsão do homem de expressar o absurdo: a vanguarda.

O absurdo atingiu seu auge quando um certo artista de vanguarda revelou sua “obra-prima” a um mundo absurdo. O “artista” estava no palco com outro homem, os dois frente a frente. O outro homem então sacou uma arma e atirou no “artista” no braço. A plateia rugiu em aplausos. Os críticos deliraram: “Brilhante!”, “O homem é um gênio!”. Ele ficou rico com sua “obra-prima”, um livro foi escrito, e ele se tornou um campeão do “absurdo”.

O absurdismo chegou ao seu fim quando o assassino se torna o herói. Um bom exemplo disso é um filme moderno sobre um assassino que mata e come suas vítimas. Ele é retratado como um homem bondoso e inteligente, que parece não ter sangue nas mãos, mas que, na verdade, deseja apenas satisfazer seu apetite por carne humana. Em uma cena, ele esquarteja um guarda de segurança, pendura-o na parede de sua cela como um anjo crucificado e, com sangue ainda nos cantos da boca, ouve música clássica. No final do filme, ele é o herói, ele é o santo do Niilismo, e as pessoas elogiaram isso como “psicologicamente profundo”. Mas nunca deu uma resposta, apenas retratou a realidade da perversidade atual, sem poupar ninguém. Enquanto eu estava sentado na escuridão, quando a tela ficou preta, os aplausos ficaram ainda mais altos, e ouvi alguém dizer atrás do meu ombro esquerdo: “Ele é meu ídolo.”

O espírito destes tempos é absurdo. O homem está cercado por um mundo de caos e não possui unidade dentro de si mesmo. Talvez os críticos de arte estejam certos: o absurdista é profundo ao retratar o espírito do tempo. E, no entanto, um crítico de arte deveria avaliar suas observações em relação ao que é arte, e não ao que é o espírito do tempo. Pois, assim como as estações mudam, também mudam os tempos. Se observamos os tempos, então criticamos a moda, e não a arte. Mas não é isso que a arte se tornou na era moderna? Sim, a arte é moda. Se isso é assim, o que move a moda do absurdo no mundo e na expressão artística do homem?

O que produziu esse “espírito do tempo” que matou a alma do homem? Que força substituiu a beleza na arte pela moda? A resposta não é outra senão o Niilismo, esse inimigo da verdade. Quando a verdade morreu no coração do homem, o Niilismo mascarou-se no embuste da moda e se infiltrou na alma vazia do homem. Na ausência da verdade, o espírito do Niilismo cresceu forte. Nesse estado, o homem e tudo o que ele criou tornaram-se absurdos. Ao esquecer a verdade, o homem perdeu sua liberdade. Uma pergunta permanece: como o homem pode libertar-se da tirania da moda?

St. Herman of Alaska Brotherhood
Tradução do Diácono André Souza

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Aurora Ortodoxia

Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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