A Revelação
Segundo a insondável sabedoria do Criador, os mistérios da criação foram revelados aos profetas de Deus, começando com o profeta israelita Moisés (1550 a.C.), para que ele conduzisse a nação de Israel — e toda a humanidade — ao conhecimento de Deus.
A palavra “Israel” significa “ver Deus”. Um verdadeiro israelita é aquele que “vê” Deus com o olho da sua alma. Historicamente, a nação de Israel foi um grupo de pessoas que seguiu as revelações que Moisés recebeu de Deus. Em um sentido mais amplo, Israel representa a relação da humanidade com Deus.
Escolhido por Deus para ser líder de Seu povo, que havia sido escravizado pelos egípcios, Moisés foi deixado ainda bebê às margens do rio Nilo, no Egito. Pela providência de Deus, foi encontrado pela filha do faraó e criado na casa real. Quando já era um homem idoso, com oitenta anos, recebeu uma missão direta de Deus para conduzir a nação de Israel para fora do Egito — não apenas da escravidão física, mas também dos grilhões espirituais. Assim começou a busca de Israel e de toda a humanidade pela liberdade, tanto física quanto espiritual.
Moisés, o profeta de Deus, recebeu então um conjunto de mandamentos ou leis de Deus no cume do Monte Sinai, nas profundezas do deserto egípcio. Esses mandamentos foram dados pelo Criador à humanidade que havia caído nas profundezas da ilegalidade e da corrupção, para que a humanidade tivesse acesso à incorruptibilidade e à perfeição que haviam sido perdidas. Esses mandamentos inspirados por Deus eram um código moral para o povo, fundamentado no amor a Deus e ao próximo.
Antes de Moisés e dos profetas de Deus, a humanidade tateava dentro dos limites da filosofia vazia e da superstição. Se há uma Mente por trás do universo, não é lógico que a sua sabedoria iluminasse as mentes da humanidade? E não é lógico que Deus, que é perfeito em sabedoria, se revelasse ao universo? Moisés recebeu a primeira chave que destrancou a porta para o outro mundo, revelando a possibilidade de união com Deus. As revelações divinas dadas a Moisés foram o primeiro passo da humanidade rumo ao conhecimento da verdade de Deus.
Depois de Moisés, os profetas Daniel, Jeremias, o rei Davi e Isaías anunciaram que um “Ungido” viria revelar a plenitude da verdade de Deus. Ao revelar plenamente a verdade de Deus na terra, o “Ungido” seria também o “Messias” ou “Salvador”, aquele que salva a humanidade das cadeias tanto da morte espiritual quanto da morte física.
O profeta Isaías falou por inspiração de Deus quando disse:
“Porque um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz. O aumento do seu governo e da paz não terá fim; ele se assentará sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.”
As pessoas interpretaram a profecia de Isaías de maneira terrena e, por isso, esperavam que o “Ungido” viesse em grande esplendor como um rei terreno sobre o trono do rei Davi. Mas o próprio Davi, que não era apenas um rei terreno, mas também um profeta, havia profetizado dizendo: “Deus virá visivelmente e não ficará em silêncio.” Afirmar que Deus, o Criador, viria visivelmente era uma declaração totalmente de outro mundo, que mais tarde se provaria ser uma profecia da sobreposição deste mundo com o outro mundo; Deus, que é imaterial e invisível, tornar-se-ia material e visível, tornando assim Deus pessoal.
A partir dessas e de muitas outras profecias, os israelitas aguardavam ansiosamente a vinda do Rei de Israel, o “Ungido”, que libertaria a nação de Israel e toda a humanidade. Alguns grupos, como os essênios, afastaram-se do mundo e aguardaram a sua vinda em comunidades ascéticas isoladas no deserto.
A profecia mais misteriosa veio do divinamente inspirado Isaías: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um Filho, e chamará o seu nome Emanuel.” A palavra “Emanuel” traduz-se como “Deus está conosco”. A afirmação de que uma virgem daria à luz um filho com o nome “Deus está conosco” foi difícil para muitos, pois a mente imperfeita do homem não conseguia entender e compreender o fato de que Deus se tornaria uma criança por meio da pureza de uma virgem. Assim, essa profecia permaneceu um mistério por séculos.
O último profeta a surgir foi aquele cuja própria vinda havia sido anunciada pelo profeta Isaías. Este foi o profeta João, o último profeta antes da vinda do “Ungido”. Ele foi criado no deserto em total pureza e, quando atingiu a idade adulta, saiu do deserto como alguém que tinha contato direto com Deus. Então passou seus dias em jejum e oração, clamando à humanidade perdida que o Reino de Deus estava próximo, pois ele era uma voz preparando o mundo para Deus, que viria visivelmente.
Muitas pessoas foram até o profeta João para ouvir o seu clamor, e ele lhes anunciou: “Eu, em verdade, vos batizo com água para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” Isaías profetizou sobre o profeta João e sobre a vinda do “Salvador” séculos antes, quando disse: “A voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai no ermo uma vereda para o nosso Deus… E a glória do Senhor será revelada, e toda carne a verá juntamente.” E assim se cumpriu, em humildade e poder.
Encarnação
Justamente quando o mundo pensa que Deus está morto, Deus se faz carne. Assim que o homem se julgou livre de sua própria consciência e livre do abraço do Deus vivo, esse Deus aparentemente distante e impessoal torna-se encarnado, acessível, pessoal e até mesmo uma pessoa.
O Messias, o Filho de Deus, nasceu de uma mulher pura para revelar sua origem divina. Aqui se revelou a perfeição da encarnação (Deus assumindo a carne); visto que Deus, que é absolutamente puro, iria tornar-se carne, como ser humano Ele deveria entrar neste mundo por meio de uma mulher pura, da linhagem de um rei e profeta chamado Davi, como havia sido profetizado. Tendo Deus como seu Pai, seu nome era Jesus Cristo. Jesus significa Salvador, e Cristo significa Ungido. Assim, Deus manifestou-se de um modo além da compreensão humana — nascido do ventre de uma virgem e em cumprimento das profecias.
Cristo, o Deus-homem, era perfeito desde o nascimento e habitou neste mundo imperfeito, sofrendo do nascimento à morte como qualquer outra pessoa. Quando chegou o tempo determinado por Deus, Ele se desligou de todas as coisas deste mundo e começou a revelar ao mundo o seu propósito como Deus feito homem. Assim, Deus, o Criador, veio à sua criação e revelou a verdade em sua plenitude.
Quando Cristo falava, cada palavra era uma revelação exata e perfeita da imortalidade da alma, da vida após a morte, do mundo físico e do outro mundo, da guerra e da paz da vida espiritual, e de Deus como Verdade absoluta.
Ele profetizou a sua própria rejeição pelo mundo ao qual veio dar a vida eterna e profetizou a sua própria morte — a morte que Deus sofreu pelas mãos daqueles mesmos que Ele havia criado.
Deus tornou-se homem, sofreu, revelou o caminho, a verdade e a vida, e então morreu, completando a mais perfeita das verdades.
Antes da vinda de Jesus Cristo, a humanidade estava afastada de Deus. Mesmo aqueles que ouviam os profetas possuíam apenas um conhecimento limitado da verdade de Deus, pois a humanidade ainda não havia recebido a revelação da comunhão com Deus por meio da encarnação de Deus. Embora tivessem uma Lei revelada divinamente, ainda careciam espiritualmente. Muitos até haviam esquecido os dois primeiros mandamentos: o amor a Deus e o amor ao próximo. A humanidade precisava de um exemplo do que realmente é o amor a Deus e à humanidade, e precisava ouvir a verdade a respeito da natureza imortal da alma e do outro mundo. A humanidade precisava ser reunida novamente com Deus.
St. Herman of Alaska Brotherhood
Tradução do Diácono André Souza







