Hoje, a Igreja nos leva mais uma vez à Fonte de Jacob — ao lugar onde o Senhor encontrou a mulher samaritana. E nesse encontro, todos podem se reconhecer.
Cristo chega à fonte cansado e sedento, sob o calor do meio-dia. Este é um detalhe simples, porém profundo: Deus verdadeiramente Se fez homem. Ele conhece nosso cansaço, nossa fraqueza, a sede do nosso coração. Isso significa que Ele está perto de tudo o que vivenciamos.
Mas, ainda mais importante, Cristo derruba todos os muros que as pessoas erguem umas das outras. Havia uma inimizade secular entre judeus e samaritanos. As pessoas piedosas daquela época evitavam até mesmo falar com uma mulher na rua. E essa mulher também era pecadora, rejeitada por seu próprio povo. E, no entanto, é a ela que o Senhor fala.
Porque para Deus não existem estranhos. Ninguém está atrasado para a salvação. Nenhuma queda é grande demais para se levantar.
Ele oferece a ela água viva — a graça do Espírito Santo. E com isso, Ele revela uma verdade crucial: tudo o que é terreno nos deixa sedentos. Podemos buscar satisfação em pessoas, impressões, sucesso, prazeres, mas a alma continuará vazia.
Porque a alma foi criada para Deus.
Daí a principal pergunta do Evangelho de hoje: o que realmente adoramos?
Não é a aparência externa que salva uma pessoa, mas a verdade do coração. Você pode estar na igreja e permanecer longe de Deus. Pode conhecer as orações e viver uma mentira. Ou pode, como a mulher samaritana, vir a Cristo com sua dor, com sua vida conturbada, e se tornar uma nova pessoa.
É exatamente isso que o Senhor espera: honestidade.
Não fingimento. Não uma piedade ostensiva. Mas um coração vivo que diz: “Senhor, tenho sede. Dá-me de beber.”
E se uma pessoa se aproxima assim, Cristo a preenche de vida.
A mulher samaritana deixou seu cântaro e correu para contar aos outros sobre o Salvador. Sempre acontece: quem verdadeiramente encontra Cristo nunca mais viverá da mesma maneira.
Ainda hoje, o Senhor está sentado junto à fonte de nossas almas, esperando. Ele espera que paremos de procurar água onde não há e que Lhe peçamos a água que flui para a vida eterna.
Aproximemo-nos de Cristo em espírito e em verdade. E Ele saciará nossa sede. Para sempre.
“Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que Eu lhe der se tornará n´Ele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (João 4:14).
Sacerdote Antoniy Kosykh
tradução de monja Rebeca (Pereira)







