Alegrar-se sempre, alegrar-se constantemente, ainda não é possível. A natureza decaída não pode conter para sempre a plenitude da alegria da Páscoa, mas apenas responder a ela intermitentemente.
O homem pecador às vezes se cansa ainda mais da alegria genuína, repleta de graça, do que do trabalho ou da tristeza. “Os odres se rompem e o vinho se derrama.” Quem não sabe disso talvez esteja simplesmente desatento. Quem nega isso está simplesmente mentindo ou se iludindo.
Entrar na Páscoa eterna — esse é o nosso objetivo e a nossa missão. Mas, Deus misericordioso, quão longe estamos de completar essa missão!
Os rios descem das alturas e rugem, espumando, rugindo e cintilando. Assim é a Páscoa! Mas então o rio entra nos vales e flui mais tranquilamente. É a mesma água, apenas fluindo com menos violência. Assim é o restante do ano litúrgico. Ao longo deste ano, a experiência pascal deve ser preservada em tesouros interiores e confessada semanalmente no culto divino. E a leitura das Escrituras servirá como lembrança, e o canto, como renovação da alegria.
Mas, enquanto isso, contrariando a experiência óbvia, as águas não apenas fluirão para baixo, mas também subirão gradualmente. Elas se reunirão no topo, para que a profecia se cumpra: “As águas param sobre os montes” (Salmo 104:6). De lá, do alto, na hora marcada, elas se chocarão, espumarão e cintilarão novamente. “À Tua repreensão fogem; ao som do Teu trovão fogem depressa; sobem aos montes, descem aos vales, ao lugar que lhes designaste” (Salmo 104:7-8).
Esta será a próxima Páscoa, que já podemos aguardar com expectativa e desejar, preenchendo o tempo de espera com o estudo das Escrituras e a visita ao templo todos os domingos.
Arcipreste Andrey Tkachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)







