UMA ENTREVISTA COM O BISPO IRENEI DE LONDRES E DA EUROPA OCIDENTAL APÓS O CONCÍLIO EPISCOPAL DA ROCOR
A entrevista a seguir foi concedida por Sua Graça, o Bispo Irenei de Londres e Europa Ocidental, a um editor do site da Diocese em 6 de maio de 2026, após a conclusão do recente Concílio dos Bispos da ROCOR, sobre a questão da glorificação do Padre Serafim (Rose).
– Prezado Vladyka, agradeço por ter concordado em responder a algumas perguntas após sua participação no Concílio dos Bispos de nossa Igreja na semana passada. Se me der permissão, irei direto à pergunta principal: o recente Concílio dos Bispos canonizou o Hieromonge Serafim (Rose) de Platina?
– Não, não canonizou. E fico feliz que tenha feito a pergunta tão diretamente, logo no início, para que eu possa respondê-la com a mesma franqueza. E também para que eu possa dizer que a pergunta — que percebo que muitos estão fazendo — é bastante estranha. Poucas pessoas têm uma compreensão madura de como a Igreja vive sua vocação, e receio que a enxurrada de notícias estranhas que circularam após a publicação da nossa Epístola Conciliar seja prova disso. A glorificação de um santo não é proclamada como uma decisão administrativa de uma sessão de um concílio — não é assim que funciona a nossa Igreja no exterior! Tampouco a canonização é algo que acontece em uma tarde, para ser anunciado como um “fato consumado” no dia seguinte. É um processo de oração para reconhecer a santidade de um indivíduo e tomar as medidas sóbrias e cuidadosas necessárias para elevá-lo à veneração universal dos fiéis.
Este é o próprio processo que estamos realizando na Igreja no exterior. E rezo para que continuemos a dar os passos adiante com a sobriedade de espírito e o cuidado fiel que os filhos da Igreja devem esperar de nós.
Então, o Concílio não canonizou o Padre Serafim, mas discutiu a sua canonização, certo?
– De fato, detalhadamente. E mais do que isso: afirmamos e compartilhamos com os fiéis, por meio de nossa Epístola, que continuamos o processo de trabalho em prol de sua glorificação, e não o fazemos como um vago desejo ou uma esperança amorfa. Reconhecemos que sua glorificação está, se me permitem usar uma expressão popular, “no horizonte” de nossa vida eclesial, e estamos trabalhando ativamente para alcançá-la.
Mas o Sínodo da ROCOR já estava fazendo isso, não estava, por meio de uma comissão estabelecida antes do Concílio?
– Sim, e o Concílio ficou grato em ouvir o relatório ponderado dessa comissão, chefiada por Sua Graça, o Bispo James de Sonora, tanto em relação ao trabalho já realizado quanto aos próximos passos em seus trabalhos contínuos.
Alguns relataram na internet que a comissão concluiu seu trabalho. Ou que seu foco não é mais o estudo da vida do Padre Serafim, mas passou a ser a preparação da hagiografia e dos materiais formais para os eventos de canonização. Isso está correto?
– De forma alguma. No Concílio, confirmamos expressamente que o trabalho da comissão deveria prosseguir, estudando a vida do Padre Serafim, juntamente com seus escritos; examinando seu legado; coletando testemunhos daqueles que o conheceram ou daqueles que experimentaram a graça de suas intercessões, e assim por diante. E a comissão também está, naturalmente, examinando os textos litúrgicos já existentes dedicados ao Padre Serafim, a iconografia, e assim por diante, bem como considerando o que será necessário no futuro, à medida que nos aproximamos da glorificação. E, como desejamos que essa glorificação aconteça, confiamos à comissão a missão de realizá-la com afinco.
Tudo isso é perfeitamente normal quando a Igreja se depara com um assunto como este.
Então, Vladyka, houve alguma mudança de fato no Concílio em relação a este assunto? As redes sociais deram a entender que toda a canonização havia ocorrido durante a semana — em um lugar, chegou-se a afirmar que um bispo não identificado presente no Concílio havia confirmado isso.
– Bem, não posso falar pelo que é compartilhado nas redes sociais — apenas repito minhas frequentes declarações de que isso deve ser evitado em geral. Certamente, nenhum daqueles que divulgaram tais “informações” participou de fato do Concílio ou foi capaz de relatar com precisão suas ações. E na Ortodoxia, nem na prática canônica, nem certamente na comunicação de assuntos importantes da Igreja, damos qualquer importância a informações de fontes anônimas!
Mas eu diria que algo muito importante de fato ocorreu em nossas reuniões conciliares, e isso nos foi compartilhado em nossas próprias palavras, transmitido da maneira tradicional — por meio de nossa epístola, com nossos nomes e assinaturas. E esta foi a nossa declaração clara — e posso dizer que me alegro de coração por termos sido capazes de fazê-lo — de que o Concílio dos Bispos reconhece, mesmo agora, neste ponto do processo, a vida justa do Padre Serafim. Ou seja, a tarefa de preparar a sua glorificação não está sendo empreendida como se já não sentíssemos concretamente a sua santidade e a reconhecêssemos, não apenas entre nós, mas de uma forma que desejamos compartilhar com os outros. Aguardamos com expectativa o momento de proclamá-la eclesialmente de forma mais plena, se Deus assim o permitir — e temos abençoado a continuidade do trabalho nesse sentido.
Isto não é pouca coisa! A santidade é palpável! Não a escondemos, nem fingimos o contrário. Agora, buscamos fazer tudo o que é certo e apropriado para que o que já experimentamos se torne fonte de alimento espiritual para muitos.
Então, o que acontece a seguir?
– Oramos e confiamos estas importantes tarefas àqueles que o Conselho designou para realizá-las em nosso nome! E espero que todos os nossos fiéis se sintam encorajados — como certamente eu me sinto pessoalmente — pela afirmação do nosso Conselho de que já aqui, nesta etapa do que é importante ressaltar, não um processo improvisado ou desorganizado, mas algo ordenado e imparcial em seu desenrolar, reconhecemos que estamos trabalhando para a glorificação de um homem que viveu uma vida justa e agradou a Deus. Sentimos a sua santidade e a reconhecemos. Oramos para que outros também a sintam. E desejamos continuar neste caminho com a mesma seriedade espiritual que o próprio Padre Serafim exemplifica, para que tal santidade também seja nossa.
Obrigado, Vladyka. É um prazer.
– Que Deus te abençoe. Cristo ressuscitou! Verdadeiramente, Ele ressuscitou!
fonte: https://orthodox-europe.org/content/seraphim-rose-interview/
tradução de monja Rebeca (Pereira)





