COMO POSSO EXPLICAR ISSO A UMA CRIANÇA?
Pergunta do Leitor:
Boa tarde. Amanhã é Radonitsa. Meu filho de 10 anos me perguntou: a alma de uma pessoa falecida pode passar do inferno para o céu? Não soube responder. Por favor, me ajude a entender isso.
Resposta do Sacerdote Victor Nikishov:
Cristo Ressuscitou! No quadragésimo dia após a morte, ocorre um julgamento particular da alma. Nesse julgamento, seu lugar preliminar é determinado: no limiar do céu ou no limiar do inferno. Esse estado durará até a Segunda Vinda de Cristo.
A alma pode passar do inferno para o céu, não por seus próprios esforços, mas pelas orações da Igreja e dos entes queridos. São João Crisóstomo ensinou: “Então (após a morte) precisamos de muitas orações, muitos ajudantes, muitas boas obras e grande intercessão dos anjos enquanto atravessamos o ar.” Até o Juízo Final, o destino da alma não é definitivo. Esse estado pode ser mudado pela misericórdia de Deus. As orações da Igreja, especialmente a comemoração na Liturgia (a Proskomedia), bem como as orações em casa, a esmola e as boas obras feitas em memória do falecido, podem aliviar seu destino.
O Juízo Final é a decisão final, universal e irreversível para todos os povos, que ocorrerá após a Ressurreição Geral. É como um veredicto que não pode mais ser contestado. É por isso que a Igreja pede especialmente que se ore pelos falecidos agora, enquanto ainda é possível.
Você poderia responder a uma criança algo assim: Deus é o Rei mais bondoso e justo. Imediatamente após a morte de uma pessoa, em um julgamento particular, Ele designa sua alma para o lugar que ela mesma escolheu durante a vida. No entanto, os vivos têm uma oportunidade extraordinária: por meio de seu amor, orações e boas obras, podem pedir ao Senhor que suavize o destino do falecido. E Deus, vendo sua fé e amor, pode transferir a alma para um lugar melhor. Mas isso só é possível até o dia em que o Rei retornar à Terra em toda a Sua glória — até o Juízo Final. Depois disso, tudo será decidido definitivamente, e cada um permanecerá para sempre onde escolheu estar: com ou sem amor.
Por isso, a Igreja instituiu dias especiais de memória, como o Dia de Radonitsa, para que todos pudéssemos rezar por nossos entes queridos e demonstrar-lhes nosso amor, que é mais forte que a morte.
Que o Senhor te proteja! Alegre-se no Cristo Ressuscitado nesta Radonitsa!
Jornal “Foma”
tradução de monja Rebeca (Pereira)






