JUVENTUDE DO APOCALIPSE – O DEUS ENCARNADO

O Filho de Deus

Este mundo niilista de destruição sem fé prega que devemos acreditar apenas naquilo que podemos ver ou tocar. Agora somos confrontados diretamente por Deus, que se tornou uma pessoa e, ainda assim, permaneceu Deus — alguém que o mundo pôde ver e tocar. A Verdade em sua plenitude foi revelada e, ainda assim, o mundo se recusa a acreditar naquilo que sente e naquilo que vê.

A crucificação está registrada nos anais da história, e o mundo conta os anos em relação ao nascimento de Cristo (a.C./d.C.). Assim, todos os seres humanos racionais ao menos aceitam que Jesus Cristo nasceu, viveu e foi crucificado.

Muitas pessoas hoje dizem que Jesus Cristo foi um “grande homem”, um “verdadeiro humanitário” ou até mesmo um “profeta”. Outros dizem que Cristo ainda estava vivo quando o retiraram da cruz e o colocaram no túmulo, e que por isso foi visto vivo após a crucificação. Essas são tentativas de transformar Cristo em “apenas mais um homem”, em um esforço frágil de reconciliar a incredulidade com a verdade de Deus.

O autor e professor de Oxford C. S. Lewis escreveu sobre aqueles que não acreditam que Cristo era Deus:

“Estou pronto para aceitar Jesus como um grande mestre moral, mas não aceito sua afirmação de ser Deus.” Isso é exatamente o que não se pode dizer. Um homem que fosse apenas um homem e dissesse o tipo de coisas que Jesus disse não seria um grande mestre moral. Ele seria ou um louco — no mesmo nível de alguém que diz ser um ovo pochê — ou então o próprio Diabo do Inferno. Você deve fazer sua escolha. Ou este homem foi, e é, o Filho de Deus, ou então um louco.

Quando Cristo esteve neste mundo, Ele disse muitas coisas que revelaram Suas duas naturezas. Cristo disse: “Eu e o Pai somos um.” Esta é uma afirmação pessoal de Sua unidade e igualdade com Deus Pai. Ao dizer isso, Ele ou é louco ou é igual a Deus.

A verdade de que Cristo é o Messias proclamado pelos profetas foi revelada quando Cristo foi à sinagoga em Nazaré, em Israel. Enquanto o povo estava reunido ali para adorar a Deus e ouvir a Palavra de Deus nos escritos dos profetas, Cristo levantou-se para ler:

“E foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar o Evangelho aos pobres; enviou-me para curar os quebrantados de coração, para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, para proclamar o ano aceitável do Senhor.”

E fechou o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se. E os olhos de todos os que estavam na sinagoga estavam fixos nele.

E começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta Escritura aos vossos ouvidos.”

Este foi o início da revelação da verdade de Cristo a um mundo que rejeita a verdade. Depois que Cristo revelou esta profecia sobre Si mesmo, as pessoas no templo ficaram cheias de ira, levantaram-se e o expulsaram da cidade. Queriam matá-lo, pois Suas palavras eram proferidas com poder.

A verdade de Jesus Cristo como o Messias (Salvador) e Ungido anunciado pelos profetas também se manifesta na conversa de Cristo junto a um poço com uma mulher da terra de Samaria. Ela veio tirar água, e Cristo lhe disse:

“Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. A água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.”

A mulher lhe disse: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede nem precise voltar aqui para tirá-la.” Então Cristo revela os segredos do coração dela. Disse-lhe algo que ninguém sabia: que ela vivia imoralmente com vários homens. Então ela lhe disse: “Vejo que és profeta.” Jesus disse-lhe:

“Vem a hora — e já chegou — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade.”

A mulher lhe disse: “Eu sei que o Messias está para vir, aquele que se chama Cristo; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas.”

Jesus lhe disse:

“Eu sou, eu que falo contigo.”

Muitas vezes, em Seus ensinamentos, Cristo proclama Sua unidade com Deus: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” Nessas palavras místicas, Cristo revela Suas naturezas — divina e humana — e também que Ele é o caminho pelo qual o homem pode comungar com Deus.

A identidade da pessoa de Jesus Cristo é revelada de forma mais clara quando Cristo pergunta a Seus discípulos quem eles pensam que Ele é. Cristo perguntou: “Quem dizeis que eu sou?”

E Simão Pedro respondeu e disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” E Jesus respondeu e lhe disse: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne nem sangue que te revelou isso, mas meu Pai que está nos céus.”

O discípulo mais próximo de Cristo, João, que era um adolescente durante a vida de Cristo, afirma claramente a verdade da encarnação de Deus ao dizer: “E sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para conhecermos aquele que é verdadeiro; e estamos naquele que é verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.”

Depois de ouvir as próprias palavras de Cristo e os testemunhos de Seus discípulos, é irracional afirmar que Jesus Cristo foi apenas um “grande homem” ou um “verdadeiro humanitário”. O mundo é forçado a tomar uma decisão: aceitação ou rejeição. Várias questões cruciais estão envolvidas nessa decisão. Para um filho da Geração X, marcado para a vida inteira pela conquista niilista do mundo, é difícil aceitar qualquer “boa notícia” como algo realista. Neste mundo de maldade, o primeiro impulso é desprezar tudo aquilo que afirma ser, em última instância, bom. Mas devemos estar acima deste mundo em todos os aspectos e ser fortes o suficiente para reconhecer Deus quando Ele Se revela a nós.

Na história das religiões do mundo, Jesus Cristo é o único homem, comprovadamente existente, que afirmou ser Deus encarnado. Todas as outras religiões foram fundadas por homens que afirmaram ter conhecimento de Deus ou baseiam-se em uma filosofia. Mas como tantas pessoas puderam acreditar em uma afirmação tão ousada?

Sendo plenamente Deus e plenamente homem em um único ser perfeito, Cristo tornou-se a resposta ao dilema humano de como comungar com Deus. Após a vinda de Cristo na carne, Deus e o homem foram unidos.

Ao predizer Sua traição, crucificação e ressurreição dentre os mortos, e depois cumpri-las em atos, Cristo deu a prova final de que Ele é Deus. Ninguém mais na história da humanidade jamais fez tais profecias e as cumpriu.

O Caminho, a Verdade e a Vida

Jesus Cristo é o Logos, a “Palavra de Deus”, e o Tao, o “Caminho”, a Verdade pré-eterna de Deus vinda na carne. Cristo diz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” Se a palavra religião significa religar Deus e o homem, então o próprio Cristo é a verdadeira religião: Deus e o homem unidos em um único ser.

A identidade de Jesus Cristo como a Palavra de Deus é revelada no Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”

Sobre o mistério da união de Deus e do homem em Jesus Cristo, Atanásio, o Grande, do Egito do século IV, diz: “Como homem, Ele vivia uma vida humana; como Verbo, sustentava a vida do universo; e como Filho, estava em constante união com o Pai.”

Cristo veio à terra para revelar a plenitude do amor de Deus. Por Sua encarnação, Jesus Cristo manifestou a verdade e o amor de tal modo que a humanidade pôde perceber a verdade absoluta e o amor de Deus. Por essa manifestação do amor divino, abriu-se um caminho para que o homem alcançasse a vida eterna. Ao revelar a vida eterna e a imortalidade da alma, Cristo também veio para vencer a morte e revelar a ressurreição.

Jesus Cristo veio com uma doutrina radical de amor que ultrapassava a sabedoria do mundo. A profundidade do amor que Cristo ensinou e manifestou tem sua origem na Fonte da vida, do amor e da criação — Deus. Cristo disse para amar aqueles que vos odeiam, pois o amor vence o ódio, o amor supera o mal, o amor derrota o medo.

Embora o amor seja o ápice do ensinamento de Cristo, a rebelião ocupa o segundo lugar. A rebelião é contra este mundo. Ele ensinou o desapego deste mundo, dos bens e da lógica corrompida deste mundo. Ensinou que a rebelião, que começa com o amor a Deus e ao homem, termina nesse desapego do mundo. Quando Cristo disse: “Não vim trazer paz, mas espada”, Ele se referia a essa rebelião — uma rebelião espiritual do bem contra o mal que começa dentro de cada um.

Cristo nos mostrou esse desapego do mundo quando disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que é seu; mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos odeia.”

Cristo nos mostrou o desapego dos bens quando entrou no templo e expulsou todos os que vendiam e compravam ali, derrubando as mesas dos cambistas. Cristo lhes disse: “Está escrito: Minha casa será chamada casa de oração; mas vós a transformastes em covil de ladrões.” E também quando disse:

“Não vos preocupeis com a vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que a roupa? Mas buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”

Cristo ensinou o desapego da lógica caída deste mundo quando disse:

“Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?”

Depois de revelar ao mundo ensinamentos tão radicais e depois de revelar que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, Ele foi crucificado.

St. Herman of Alaska Brotherhood
Tradução do Diácono André Souza

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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