Este domingo honra uma missionária notável, alguém que provou ser mais do que a sociedade pensava dela. É Santa Fotini (cujo nome significa “Iluminada”), a samaritana que Jesus encontrou no poço de Jacob, conforme descrito na leitura do Evangelho de hoje. Ela era da Samaria, um povo que os judeus consideravam hereges, evitando-os e recusando-se a ter qualquer contato com eles. A vida anterior de Santa Fotini fora escandalosa, o que era amplamente conhecido em sua comunidade. Apesar de tudo isso, ela era uma pessoa em busca espiritual. Ela havia se relacionado com vários homens, mas ainda se sentia insatisfeita, desejando algo maior. O que ela buscava era a salvação. Ela queria encontrar o Salvador, o Messias, e quando finalmente O encontrou, sua vida mudou completamente. Ela se tornou Fotini e é para sempre comemorada e honrada pela Igreja.
Movida pela luz intensa que agora iluminava sua alma, ela correu para compartilhar o que lhe havia acontecido com os outros na cidade de Sicar. Astutamente, convidou-os de forma a despertar a curiosidade: “Venham ver um homem que me disse tudo o que eu já fiz. Será que Ele é o Messias?” (João 4:29). O objetivo era incentivá-los a encontrar Cristo, a Luz do mundo. O que aconteceu em seguida foi surpreendente! Os habitantes da cidade saíram ao encontro de Jesus e, como lemos no Evangelho, muitos samaritanos daquela cidade creram n´Ele, por causa do testemunho da mulher que declarou: “Ele me disse tudo o que eu já fiz” (João 4:39). Então, pediram a Cristo que ficasse com eles para conhecê-Lo melhor. Durante dois dias, o Senhor permaneceu na cidade e os ensinou, após o que “muitos mais creram por causa da Sua palavra” (João 4:41).
É importante notar que o Senhor não Se afastou dessa mulher que vivia uma vida pecaminosa, mas Ele mesmo iniciou a conversa junto ao Poço de Jacob. Embora Jesus soubesse tudo sobre essa mulher, foi a ela que Ele primeiro revelou ser o Messias, Aquele que o mundo esperava. O tratamento que Ele lhe dispensou é um exemplo do consolo que o Senhor oferece a cada pessoa, independentemente dos pecados que tenha cometido ou da má reputação que possa ter. Não há necessidade de hesitar em dar o primeiro passo em direção a Cristo, pois Ele está esperando por todos, para lhes oferecer “a água viva” que saciará a sua sede e que se tornará dentro deles “uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (João 4:14). Não será uma fonte apenas para essa pessoa, mas para todos ao seu redor, perto e longe. Foi o que aconteceu com a mulher samaritana, que imediatamente saiu e encorajou as pessoas a se reunirem a Cristo, a Fonte da Vida. Isso deu frutos em sua própria casa, inspirando fé e amor por Cristo em suas cinco irmãs e dois filhos. Após receberem o batismo dos Santos Apóstolos no dia de Pentecostes, decidiram dedicar suas vidas ao trabalho missionário. Os nomes das irmãs de Santa Fotini são: Anatólia (“o Oriente”), Foto (“Luz”), Fotina (“Luz”), Paraskevi (“Preparação”) e Kyriaki (“Dia do Senhor, ou Domingo”); os nomes de seus filhos são José e Victor. Começaram pela Palestina, pregando fervorosamente a mensagem redentora de Cristo. De lá, seguiram para a Fenícia, Síria, Egito e Calcedônia, onde atraíram muitos fiéis. Finalmente, receberam as brilhantes coroas do martírio em Roma, por ordem do Imperador Nero. Devido ao seu grandioso trabalho missionário, Santa Fotini recebeu o título de Isapostolos (“Igual aos Apóstolos”).
É impossível não se maravilhar ao se deparar com os eventos extraordinários que cercam essas pessoas simples. Uma mulher de origem humilde leva suas cinco irmãs e dois filhos para longe de casa, para realizar trabalho missionário em cinco países! Demonstrando total desprezo pelo perigo envolvido, e sem se deixarem intimidar pela ameaça de tortura e morte, eles seguiram em frente. No fim, assinaram sua confissão de fé em Cristo com o próprio sangue. Foi assim que a Igreja se espalhou por todo o mundo, e nós, cristãos de hoje, devemos gratidão a todos que colocaram em prática as palavras do Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).
Meus amados irmãos e irmãs, ao ouvirmos estas palavras, admiramos Santa Fotini e sua família por tudo o que fizeram e sofreram. Contudo, isso não basta. “Honrar um mártir”, diz São João Crisóstomo, “significa imitar um mártir”. Devemos imitar Santa Fotini o máximo possível. Isso significa arder de zelo pela alegria da salvação que ela encontrou ao se aproximar de Cristo. Significa transmitir essa alegria a outras pessoas, começando por nossas famílias e depois às pessoas de nossas próprias comunidades. Levar essa alegria aonde quer que estejamos, com humildade e sem a pretensão de sermos especialistas ou mestres. E quando chegar a hora certa, nosso exemplo luminoso poderá nos ajudar a levar outras pessoas a Cristo e à Sua Igreja. Como São Paulo escreveu ao seu discípulo São Timóteo: “Fazendo isso, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1 Timóteo 4:16). Amém.
Metropolita Sotirios de Pisídia
tradução de monja Rebeca (Pereira)







