REFLEXÕES SOBRE A O TROPARION
Qual é este incrível Troparion para esta que é a maior das festas, tão querida para nós e tão incompreendida pelos não-cristãos, a ponto de fazê-los rir?
Pode o fogo ser apagado pelo fogo? Pode a escuridão ser iluminada pela escuridão? Pode o mal ser vencido pelo mal? Claro que não.
Semelhante não pode ser destruído por semelhante, mas apenas pelo seu oposto. O fogo é apagado pela água, a escuridão é dissipada pela luz e o mal é vencido pela bondade.
Contudo, contradizendo esta lei onipresente, Cristo venceu a morte com a Sua própria morte.
Que morte? A morte espiritual. Aquela morte que é o afastamento de Cristo Deus, que é Amor, Caminho, Verdade e Vida. A morte espiritual é a rejeição do caminho da bondade, do amor e da verdade, e a preferência por outro caminho — o caminho do mal, do ódio e da mentira.
Este caminho vem do diabo, o inimigo de Cristo; pois o diabo é o pai da mentira, do ódio e do mal. Assim, a lei geral que diz que semelhante não pode ser vencido por semelhante não foi quebrada, mas apenas o contrário; e é verdade que Cristo venceu a morte com a Sua própria morte.
A cruz de Cristo prendeu o príncipe do poder do ar (Ef 2:2), e a quem ama a Cristo é dada a força para a batalha contra o diabo e uma poderosa defesa contra ele.
Não menos surpreendente é a segunda parte do Troparion: “E aos que estão nos túmulos, concedendo vida”.
Não é apenas surpreendente, mas também irradia em nossos corações a luz divina da preciosíssima esperança. Se Cristo ressuscitou, então nós também ressuscitaremos em nossos corpos. Pois Ele ressuscitou dos mortos, como o primeiro entre os mortos, tendo estabelecido o fundamento para a ressurreição geral.
Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Pois, assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados (1 Cor 15:21-22).
Assim, Cristo anulou não apenas a morte espiritual, mas também a morte corporal com a Sua Cruz e Ressurreição. Mas isso é inteiramente obra da onipotência de Deus, e não precisamos tentar entender isso segundo as leis da natureza, pois elas também foram criadas pelo Criador de tudo, e Ele é livre para agir não de acordo com elas, mas segundo as leis desconhecidas para nós da Sua mente e vontade divinas.
Vinde, adoremos e prostremo-nos diante de Cristo, que nos libertou da morte espiritual e da destruição corporal.
Amém.
São Lucas da Criméia
tradução de monja Rebeca (Pereira)







