Será que os mortos nos veem “do céu”? Como podemos entender a conexão entre a vida hoje e o que existe além da morte de uma maneira cristã e simples?
Essa pergunta não tem uma resposta direta. Não sabemos como é a vida além do túmulo. Há a tradição da Igreja, a experiência individual e o conhecimento que podemos extrair das Sagradas Escrituras. E se considerarmos toda essa experiência em conjunto, uma resposta bastante honesta seria esta: não sabemos realmente como funciona. Acreditamos e sabemos que o homem é imortal. Aguardamos a ressurreição dos mortos. Oramos por nossos entes queridos falecidos e acreditamos que isso não só nos traz alívio, mas também influencia, de alguma forma, o destino deles na vida após a morte. Oramos aos santos e recebemos ajuda deles.
Em outras palavras, não sabemos realmente como somos vistos de fora, da perspectiva daqueles que já partiram. Mas sabemos que a morte não rompe os laços de amor.
Uma pessoa não desaparece após a morte. Ela continua a viver diante de Deus. E se vivermos em Deus, nos encontraremos conectados uns aos outros não apenas nesta vida terrena, mas também além dela. Podemos dizer o seguinte: os mortos não nos “observam”, mas permanecem conosco em Deus. E essa conexão se concretiza não por meio de um olhar ou do conhecimento dos detalhes de nossas vidas, mas por meio do amor e da oração. Quando oramos por alguém, quando nos lembramos dessa pessoa, quando falamos dela com gratidão, essa conexão se torna real.
É difícil para nós imaginarmos isso porque estamos acostumados a pensar em categorias espaciais: aqui estamos nós, ali eles estão. Mas em Deus, não há essa separação. Deus é Vida, na qual todos estão vivos. Cristo diz: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos”.
Portanto, para simplificar: não sabemos se eles estão nos observando, mas sabemos que não estamos perdidos uns para os outros. Se vivermos com Deus, permaneceremos juntos. Mesmo separados pela morte.
Metropolita Ambrósio (Ermakov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)







