AS RAÍZES DE NOSSA CIVILIZAÇÃO SÃO CRISTÃS

Nossa civilização tem raízes cristãs. Essas raízes são tão profundas que não se pode cantar um simples “dó-ré-mi-fá-sol” ou tocá-lo no piano com um dedo sem, simultaneamente, se conectar milagrosamente a fenômenos como o monasticismo, o culto cristão e os hinos aos santos. Eis o porquê.

Na primeira metade do século XI, um monge chamado Guido vivia em um mosteiro beneditino na Itália. A contribuição de Guido para a história da música pode ser comparada à contribuição de Mendeleev para a química, com a descoberta da tabela periódica dos elementos. Guido criou a base para a notação precisa de obras musicais.

Os nomes familiares dos graus da escala musical derivam do sistema idealizado por Guido. Ele se baseava em um verso dedicado a São João Batista, que os cantores entoavam, subindo uma nota a cada verso. Aqui está uma tradução desse verso para o russo:

Para que os servos cantem em voz alta

As maravilhas de Suas obras,

Afasta o pecado de seus lábios,

São João.

No original em latim, as primeiras sílabas formavam a seguinte sequência: ut, re, mi, fa, sol, la. Mais tarde, foi adicionado o si — uma abreviação de Sancte Johannes — e a primeira nota foi logo substituída pelo dó, de sonoridade mais agradável. Esse sistema é chamado de solmização e tornou-se um dos fundamentos do solfejo.

Naquela época, a música era em grande parte guiada pelo texto, monofônica e destinada a glorificar a Deus. Mais tarde, desenvolvendo-se gradualmente e tornando-se mais complexa, em resposta às mudanças na alma humana e na consciência coletiva, a música se tornaria polifônica; os instrumentos ganhariam vida própria, independentes da voz e do texto; estilos, vibrantes como a vegetação tropical, floresceriam, substituindo-se uns aos outros. Mas isso foi depois.

Mas as raízes da música europeia, assim como da ciência, filosofia e pintura europeias, estão lá — nas humildes celas daqueles que descobriram as leis de Deus e trabalharam arduamente para a Sua glória.

As raízes da nossa civilização são cristãs. Ao cavar e regar as raízes, podemos esperar comer os frutos da árvore. Ao minar as raízes, corremos o risco de nos tornarmos como o porco da fábula de Krylov, que cavou com o nariz as raízes do mesmo carvalho cujas bolotas ele comia. Ele foi incapaz de conectar os pontos entre a presença das bolotas e a segurança das raízes.


Arcipreste Andrey Tkachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia

Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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