O Senhor nos revela uma importante e muito honesta lei espiritual:
a verdade não é conhecida pelo raciocínio, mas pela vivência.
Estamos acostumados a pensar diferente.
Pensamos: primeiro precisamos entender tudo, organizar as coisas, colocar tudo em seu devido lugar, responder às nossas dúvidas — e só então começar a viver como cristãos.
E é precisamente nesse processo que algo começa a se desdobrar, algo impossível de compreender teoricamente.
Muitas vezes paramos exatamente aqui.
Dizemos: “Não entendo tudo”, “Ainda não estou pronto”, “Não tenho certeza absoluta”.
Mas por trás dessas palavras, muitas vezes, não se esconde uma busca pela verdade, mas sim uma falta de determinação.
Enquanto uma pessoa explica por que não consegue avançar, ela não avança.
Mas a vida espiritual começa com um passo.
Podemos saber muito sobre Cristo.
Podemos conhecer o Evangelho, as tradições, o significado das festas.
Mas, ao mesmo tempo, ainda não O conhecemos a Ele mesmo.
Era assim também nos tempos do Salvador:
as pessoas sabiam de onde Ele veio, conheciam Sua vida,
mas não reconheciam Deus n´Ele.
Cristo vem silenciosamente.
No Sacramento.
Na oração.
Na voz da consciência.
Em uma pessoa que precisa de ajuda.
E se o coração não se comove,
passa despercebido.
É por isso que o Senhor diz:
comecem a fazer a vontade de Deus — e então vocês a conhecerão.
Não o contrário.
Não primeiro a luz, depois o caminho,
mas primeiro o passo — e nele vem a luz.
Deus não olha para o quanto entendemos,
mas para se começamos a viver.
Não para a profundidade do nosso raciocínio,
mas para a honestidade do nosso coração.
E na vida espiritual, não é quem pensa muito que está certo,
mas quem anda.
Vamos começar pequeno.
Hoje.
Agora.
E é neste pequeno passo
que começa o nosso encontro com Deus.
“Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, entenderá esta doutrina” (João 7:17)
Sacerdote Antoniy Kosykh
tradução de monja Rebeca (Pereira)







