Ao Se comunicar com as pessoas, Cristo Se comporta de maneira diferente. Ele pode responder diretamente a perguntas como: “Quem é Ele, Senhor, para que possamos crer n´Ele?” Jesus lhe disse: “Você já o viu, e Ele fala com você.” Ele respondeu: “Eu creio, Senhor!” E O adorou. (João 9:36-38) Cristo também fala diretamente sobre Si mesmo à mulher samaritana (João 4:26).
Cristo frequentemente responde perguntas com outras perguntas. “Como alguém pode alcançar a vida eterna?”, perguntou um escriba ao Salvador, e Cristo respondeu: “O que está escrito na lei? Como você a lê?” (Lucas 10:26). E no templo de Jerusalém, quando os anciãos perguntaram com que autoridade Ele realizava Suas obras, Jesus respondeu com uma pergunta: “Eu também peço uma coisa: se Me disserem, Eu lhes direi com que autoridade faço estas coisas” (Mateus 21:24).
Por fim, Cristo pode simplesmente permanecer em silêncio e não abrir a boca diante do questionador, como fez diante de Pilatos. Assim, temos três opções possíveis: Cristo dá uma resposta direta, responde à pergunta com outra pergunta e, por fim, permanece em silêncio. Todas essas opções se relacionam com nossa vida de oração.
Oramos a Cristo como Deus. Abrimos nossos corações para Ele, glorificamos Seu Nome, pedimos e agradecemos. Muitas vezes, o Senhor informa secretamente à alma que ora que sua oração foi ouvida e aceita. David falou sobre esse estado: “Eu Te amei, porque o Senhor ouve a voz da minha súplica”. Mas aqueles que oram também têm suas próprias noites de Getsêmani, períodos de escuridão interior e silêncio diante de Deus.
O Senhor pode fazer perguntas a uma pessoa que ora. Você pergunta a Deus: “Por quê?”, “Quando?”, “Por qual motivo?”, e Ele, por Sua vez, diz: “Eu também lhe perguntarei”. Essas perguntas podem se referir a se você cumpriu Seus votos, se tem a resolução de mudar de vida ou se guarda rancor ou ódio contra alguém. Afinal, não devemos esquecer que, segundo o Evangelho, um pré-requisito para que uma oração seja ouvida e atendida é o perdão daqueles que nos ofenderam, daqueles a quem devemos perdão. “E, quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que o Pai celestial também lhes perdoe os seus pecados” (Marcos 11:25).
A pergunta de Cristo pode ser ouvida se alguém se afastar do ruído e escutar a própria consciência. E isso é extremamente importante, pois é possível passar a vida inteira na correria do dia a dia. Pode-se orar a vida inteira em meio a essa agitação, mas jamais alcançar a verdadeira comunhão com Deus, porque Cristo fará Sua pergunta a cada pedido, e você jamais ouvirá uma única resposta.
A vida espiritual seria imperdoavelmente fácil, e portanto inútil, se cada respiração e cada pedido dirigido a Deus fossem respondidos imediatamente. É preciso preparar-se para o silêncio do Céu. Reconhecendo a própria indignidade de estar na vista e na atenção de Deus, quem ora deve provar pacientemente a sua fidelidade a Ele.
Finalmente, dotado por Deus de significado e consciência, é preciso escutar o próprio interior: a pergunta do Criador ressoa na alma? O Senhor espera algo de nós, sem o qual todos os trabalhos e esforços serão em vão?
Arcipreste Andrey Tkachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)







