Ora, em Jerusalém, perto da praça das ovelhas, há um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco alpendres. Nesses alpendres jazia uma grande multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas. Porque em certo tempo um anjo descia ao tanque e agitava a água; e o primeiro que entrasse, depois da agitação da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse. João 5:2-4
O que há de mais dramático em toda esta passagem do Evangelho é a solidão do enfermo. Ouviram? O paralítico respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água se agita; enquanto tento chegar lá, outro desce antes de mim” (João 5:7). O estado mais trágico em que uma pessoa pode se encontrar é a solidão, o isolamento total.
São Cipriano de Cartago diz que “cada pessoa cai no isolamento, mas somos salvos na comunidade da Igreja”. Estar sozinho significa cair, perecer. Estar sozinho significa não pensar em ninguém além de si mesmo, porque se está subjugado pela onda de sofrimento que o sufoca. A pessoa se sente deprimida pela futilidade da vida. Isso porque uma vida vivida na solidão, sem Deus, é uma vida fútil e desperdiçada. A vida perde o seu sentido naquele exato momento em que você se torna sozinho.
Aquele homem doente não tinha nenhum familiar ou amigo que o ajudasse a subir na água agitada e o lançasse para que fosse curado. Quantas vezes nos encontramos em situações semelhantes! Quantas vezes nos sentimos sozinhos e doentes, sem ninguém para nos ajudar a sermos curados, ninguém para nos livrar do nosso sofrimento! Ou talvez, em nossa solidão e sofrimento, não encontremos ninguém com quem possamos conversar; ou, como diz o ditado alemão, a dor compartilhada se torna metade do seu sofrimento, mas a dor não compartilhada é duas vezes maior.
Assim era com aquele homem. Mas Cristo, em Sua grande misericórdia, perguntou-lhe: “Você quer ser curado?”
Veremos a prova disso mais tarde, quando o Salvador o encontrar na igreja e disser: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te aconteça coisa pior” (João 5:14).
O que também nos comove, e a outros, é que, no exato momento em que Jesus curou o homem que estivera paralítico por trinta e oito anos, em vez de se alegrarem pela recuperação da saúde do homem, os escribas e fariseus se indignaram e disseram: “Por que você está andando? Por que está carregando a sua cama no sábado?”
Eles não disseram: “Que bom que você foi curado! Vá e agradeça a Deus!” Não, eles estavam interessados apenas na formalidade da lei, que proibia o trabalho no sábado. Sacrificaram um ser humano para cumprir essa lei.
E perguntaram-lhe: “Quem te curou?”
A princípio, o homem curado não soube o que responder. Mas, quando Jesus o encontrou na igreja, ele foi até os judeus e disse: “Eis que foi Jesus quem me curou!”
Isso não era uma denúncia para incitar os judeus contra Jesus. Era o desejo de anunciar a todos: “Este Homem me ajudou! Ele me curou! Ele esteve perto de mim em meus sofrimentos!” Precisamos dizer isso quando alguém nos ajuda. Precisamos testemunhar um milagre. Não para nos vangloriarmos, mas porque fomos libertados da solidão, da doença e do sofrimento! Preciso dizer quem me ajudou, quem me conduziu à fé, quem me libertou dos pecados e da maldição do meu coração — um sacerdote, um crente, um amigo… Preciso dizer: “Ele me salvou!” Assim foi com este paralítico.
Amados fiéis! A sociedade moderna está nos isolando cada vez mais. Os governos — não apenas o comunista, mas todos os governos — estão cada vez mais tentando nos isolar, nos tornar mais solitários, para que nos distanciemos uns dos outros, para que não nos associemos uns aos outros, porque todos os governos estão tentando se tornar totalitários para nos controlar. É muito mais difícil controlar comunidades unidas do que indivíduos isolados, e por isso os governos estão tentando nos isolar.
Os comunistas faziam isso pela força. Os ocidentais não fazem isso pela força, eles simplesmente declaram que você é único, dizem que você tem direitos e que é independente. E isso é para que você se isole, para que não se apegue aos seus pais, para que não os obedeça se for criança, para que não se submeta a ninguém — afinal, você é um ser livre.
A liberdade, entendida erroneamente, é rebelião contra Deus; é niilismo. É assim que chegamos aonde chegamos, a todos esses crimes que assolam o mundo. Há tantas cidades onde crianças de quatorze anos assassinaram seus professores, amigos e pais. O vínculo humano com as pessoas ao nosso redor, com quem convivemos, foi rompido. Relações sinceras foram rompidas entre mim e meu irmão, entre mim e meus pais, entre pais e filhos, entre amigos. Estamos nos tornando cada vez mais solitários neste individualismo exacerbado, cuja base é a demonização da sociedade.
Busquemos a união. Busquemos permanecer unidos pela fé e pelo amor uns aos outros, a Jesus Cristo. Permaneçamos unidos na Igreja, pois a Igreja é a única união social positiva. Todas as outras uniões nos conduzem à autodestruição. Todas visam destruir o ser humano, transformá-lo em um instrumento, uma engrenagem comum neste complexo mecanismo da sociedade humana.
Sacerdote George Calciu
tradução de monja Rebeca (Pereira)







