A VERDADEIRA LIBERDADE. OS SANTOS PADRES DO PRIMEIRO CONCÍLIO ECUMÊNICO

Homilia no Sétimo Domingo posterior à Páscoa

Meus queridos, hoje a Santa Igreja ordenou que falássemos sobre o Primeiro Concílio Ecumênico dos Santos Padres, que ocorreu em 325 na cidade de Niceia. E isso porque estamos falando essencialmente da nossa Fé, da nossa Igreja e da nossa salvação. Afinal, o principal fruto dos trabalhos do Primeiro Concílio Ecumênico é o Credo, que professamos até hoje.

Os sete primeiros componentes do Credo, que confirmam a fé em um só Deus Pai e em um só Senhor Jesus Cristo como Filho de Deus, foram ouvidos e expressos com a máxima precisão justamente neste Concílio dos Santos Padres.

A Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica — coluna e confirmação da verdade — é essa arca salvadora na qual, nutrida pela graça divina, a semente cresce e amadurece para a Vida Eterna. E a Santa Igreja gerou profetas e apóstolos; e desde o seu nascimento até hoje, tem formado pais e mestres da Igreja que alimentam o povo de Deus. Nesta arca está tudo e todos necessários para a vida: tanto os eruditos quanto os simples, mas profundamente sábios; a Deus nada falta. Deus concede sabedoria aos simples no tempo oportuno. E, por meio da obediência à Mãe Igreja, Deus protege os eruditos das sementes da corrupção, do orgulho. Enquanto uma pessoa estiver no seio da Igreja, estará salva. O Espírito Santo preserva tanto a própria Igreja quanto a nós dentro dela, por meio da sabedoria divina.

E a Santa Igreja preserva sua história desde os dias de sua fundação; ela guarda a memória dos nomes e feitos daqueles santos padres que receberam a verdade dos apóstolos, que a estabeleceram em dogma, a pregaram com suas próprias vidas e confirmaram nela o mundo inteiro por todas as gerações — na única verdade que liberta o homem e lhe dá a Vida Eterna.

Os Sete Concílios Ecumênicos dos Santos Padres são os sete pilares da Igreja de Cristo. E a Igreja presta honra e celebra a memória de cada um deles, pois realizaram uma grande obra divina ao longo de toda a história da Igreja, em diferentes épocas e sob diversas circunstâncias, criando a mente conciliar infalível da Igreja.

Hoje glorificamos a memória dos Padres portadores de Deus do Primeiro Concílio Ecumênico.

Após a perseguição e o martírio durante os primeiros séculos do Cristianismo, quando o inimigo de toda a justiça, o diabo, que sempre se rebela contra a verdade, tentou destruir a Igreja usando o terror da morte e dos tormentos, a Igreja não só sobreviveu, como se fortaleceu através do sofrimento e deu origem a uma multidão de santos mártires e confessores da fé cristã, que se tornaram a semente para os novos cristãos.

A partir do século IV, o inimigo inventou métodos novos e mais terríveis para subverter a fé e a Igreja, pervertendo a verdade e dilacerando a unidade da fé em Cristo — surgiram heresias e cismas. Os servos das trevas começaram a introduzir a traição sob o disfarce da fé, o anticristo sob o nome de Cristo, escondendo a mentira por trás da credibilidade, tentando destruir a verdade. Lobos em pele de cordeiro entraram pelos portões da Igreja, ocultando sua essência predatória com citações das Sagradas Escrituras.

Uma das primeiras heresias que abalou a Igreja e a afetou por muito tempo foi a heresia de Ário, um sacerdote da Igreja. Sua mente humana orgulhosa tentou primeiro criar uma farsa horrível: disse que o Deus-homem Cristo era o homem Jesus de Nazaré. Mas nosso reconhecimento da divindade de Cristo Salvador está indissoluvelmente ligado à fé na Igreja. E a Igreja, com grande empenho, defendeu esta verdade: que o Filho de Deus é da mesma essência que Deus Pai. Afinal, a mente da Igreja, por meio do Espírito Santo, sempre afirmou que Cristo não é apenas um Grande Mestre; Ele é o Salvador do mundo, que deu à humanidade nova força e a renovou.

Recebemos de Cristo Salvador não apenas ensinamentos, mas a própria vida — vida não segundo os princípios deste mundo, onde o orgulho e o egoísmo reinam, mas vida segundo Cristo, com a imagem de Sua abnegação e amor.

A fé em Deus Salvador está indissoluvelmente ligada à fé na natureza salvífica da Igreja, e essa fé é dada pelo próprio Cristo: “Edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18).

Nas palavras do próprio Jesus Cristo, podemos ver a ligação indissolúvel entre a verdadeira Igreja e a Sua verdadeira natureza como Filho de Deus. Deus enviou o Seu Filho unigênito ao mundo para que pudéssemos viver por meio d´Ele (1 Jo 4,9). Cristo, o Filho de Deus encarnado, renovou a natureza humana, criou a Igreja, enviou o Espírito Santo e, assim, estabeleceu o início de uma nova vida.

Com uma só voz e um só coração, os santos hierarcas de Deus proclamaram a verdade que aqueles insensatos haviam pisoteado e a elevaram à condição de dogma da Igreja para todos os tempos.

Contarei vários exemplos vivos dos atos do grande Primeiro Concílio Ecumênico. Trezentos e dezoito pais portadores do Espírito estavam presentes. No Concílio estavam presentes teólogos sábios, assim como pessoas simples, porém cheias do Espírito Santo, e todos eles manifestaram a nós o ideal de uma sociedade eclesial unida — a Igreja de Cristo, onde há um só espírito, uma só fé, uma só mente de Cristo — para que eles sejam um, assim como Nós somos um, como Cristo predisse da Igreja (João 17:22).

Santo Atanásio de Alexandria defendeu a verdade com tratados teológicos. São Spiridon de Trimidonte defendeu a verdade com sua fé viva. Para provar a unidade das três hipóstases da divindade, ele pegou um tijolo e o apertou de modo que a água escorresse, o fogo jorrasse para cima e restasse pó de terra em sua mão.

“Aqui estão três elementos, mas o tijolo é um só”, disse o santo de Deus. “Assim é com a Santíssima Trindade: três Pessoas, mas uma só Divindade.” A sabedoria de Deus, de forma simples e convincente, envergonha o erro humano.

Mas o santo prosseguiu, dirigindo-se ao seu oponente. Ouçam também, meus queridos. Escutem e atentem para as palavras do santo homem de Deus do século IV, dirigidas a vocês e a mim, de fé empobrecida. “Escuta, filósofo, o que vou te dizer: Cremos que o Deus Todo-Poderoso criou o céu e a terra, o homem e todo o mundo visível e invisível a partir do nada, por meio de Sua Palavra e Espírito. A Palavra é o Filho de Deus, que veio à terra por causa dos nossos pecados, nasceu de uma Virgem, viveu com as pessoas, sofreu, morreu por nossa salvação e ressuscitou, redimindo por Seus sofrimentos o pecado original e ressuscitando a humanidade consigo. Cremos que Ele é Uno em Essência e Igual em Honra ao Pai, e cremos nisso sem qualquer invenção enganosa, pois este mistério é impossível de compreender com o raciocínio humano.”

E o filósofo ariano ouviu — ou melhor, sentiu, viu de repente — a magnífica verdade contida na simplicidade dessas palavras despretensiosas e exclamou, admirado: “Escutem! Enquanto a contenda se dava entre mim por meio de argumentos, eu os contra-atacava com outros argumentos e, com minha eloquência, refutava tudo o que me apresentavam. Mas, em vez de argumentos, um poder especial começou a emanar da mente e dos lábios deste ancião, e os argumentos se tornaram impotentes contra ele, porque o homem não pode resistir a Deus. Se algum de vocês puder pensar como eu, creia em Cristo e siga-me, seguindo este ancião, por cujos lábios o próprio Deus falou.”

Outro zeloso defensor da verdade divina neste Concílio Ecumênico foi o santo amado e honrado por todos nós, São Nicolau de Mira e Lícia. Sua mão se ergueu para golpear o rosto do blasfemo e herege Ário.

Os padres do Concílio queriam punir São Nicolau por seu zelo abundante, privá-lo de sua posição hierárquica e encarcerá-lo em uma masmorra. Mas o Senhor, por meio do Seu Espírito Santo presente nos atos deste Concílio, imediatamente restaurou o prisioneiro à sua antiga glória. Muitos participantes do Concílio tiveram uma visão ao mesmo tempo, na qual o próprio Senhor deu a São Nicolau um Evangelho, e a Mãe de Deus colocou sobre ele um omofórion hierárquico.

Mas qual foi o destino do herege e de sua heresia?

A Igreja sofreu por muito tempo com essa enfermidade. Embora Ário tenha sido deposto no Concílio, por sua longanimidade e misericórdia divinas, o Senhor lhe concedeu mais dez anos de vida para o arrependimento.

Mas ele não mudou seu caráter brutal e persistiu em sua heresia. Arrastou aqueles que compartilhavam de sua mentalidade para a cisão com a Igreja. Formaram seus próprios concílios independentes, sua própria confissão de fé. Os hereges também contavam com protetores influentes entre os poderosos, mas nada pôde reavivar a heresia — ela se fragmentou e novas seitas surgiram em seu meio.

Esses foram seus estertores; a Igreja, no Concílio, havia extirpado o ramo incuravelmente doente. Separado da Igreja, sem se alimentar da seiva viva da verdade divina, ele morreu. Ário, seu fundador, teve uma morte ímpia em 336, e seus contemporâneos, impressionados com o claro castigo divino manifesto em sua morte, compararam-na à morte de Judas. Aparentemente, esse é o destino de todos os traidores da verdade, os Judas de todos os tempos, inclusive os nossos.

A morte dos pecadores é má… (Salmo 33:22). Deus não se deixa escarnecer (Gálatas 6:7).

Ário morreu. Mas aquele que colocou o mal na mente, no coração e na boca do apóstata miserável não morreu. O diabo não morreu — aquele incansável pai da mentira e de toda falsidade. E ele continua a agir até hoje. Ele não pode influenciar o céu e a Igreja Celestial, então se esforça para ferir na terra, perseguindo a Igreja terrena.

Não é fácil inclinar as pessoas à impiedade e à blasfêmia totais; sua aparência demoníaca é repugnante ao homem. Mas esse caminho trilhado pelo inimigo da humanidade não é infrutífero. Setenta anos de impiedade na Rússia — e agora estamos colhendo seus frutos. Não precisamos falar muito sobre eles. Vemos com nossos próprios olhos e os sentimos em nós mesmos.

O inimigo trilha caminhos tortuosos, direcionando toda a sua força precisamente para destruir a verdadeira Igreja de Deus, separando o cCistianismo da Igreja. Ele sabe que, sem a Igreja, as pessoas acabarão por cair na impiedade de qualquer maneira, perdendo a salvação; e a morte lhes trará tormentos eternos.

Vamos analisar, meus queridos, o estado atual da Igreja e o estado espiritual das pessoas em nossos tempos. Vamos avaliar estes dias e nos perguntar: o mundo será salvo ou a destruição o aguarda? Estamos na verdadeira Igreja de Deus ou o espírito do engano tem influência sobre nós? Pois basta olhar para as águas turbulentas que se abateram sobre o mundo hoje. Uma igreja, outra, uma terceira, e mais uma, podemos simplesmente perder a conta. E supostamente todas são verdadeiras, cada uma é a mais correta.

Mas como isso pode ser? Afinal, não pode haver duas verdades. E Cristo testemunhou de Si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6).

Mas a qual Igreja Cristo pertence? Ou Ele Se dividiu? Qual Igreja Ele prefere agora? Nenhuma! Ele criou a Igreja una e indivisível, de uma vez por todas, durante os dias de Sua jornada terrena, para todos os tempos e até o fim do mundo. E Ele permanece somente nela, vivendo e atuando. E não pode haver outra Igreja.

Então, qual é? Meus amigos, a única Igreja é aquela que preserva o ensinamento cristão puro e ileso. O homem é um guardião falho. Somente Deus é fiel e constante, e somente Ele pode preservar a verdade inalterada por séculos no mar tempestuoso. E somente a nossa Igreja, que glorifica corretamente a Justiça e a Verdade, é chamada por todos no mundo — tanto cristãos quanto de outras confissões — de Ortodoxa [do grego, “que glorifica corretamente”]. Os próprios inimigos da Igreja, rangendo os dentes contra ela e fazendo de tudo para destruí-la, também testemunham isso chamando-a de Igreja Ortodoxa.

Lembrem-se de como Pilatos, ao julgar Cristo, testemunhou verdadeiramente a respeito d´Ele, dizendo que Ele é o Rei dos Judeus; e o sumo sacerdote que liderava o Sinédrio ímpio profetizou a verdade divina: era conveniente que um homem morresse pelo povo (João 18:14).

E é sempre assim e em tudo. É impossível enterrar a verdade. Deus a preserva e a testemunha ao mundo, mesmo através de seus oponentes.

A sucessão apostólica preservada pelo Espírito Santo na Igreja, que é a graça e o poder sucessivos de Deus nos Sacramentos da Igreja, é mais um sinal extremamente seguro da veracidade da nossa Igreja.

Os apóstolos receberam tudo isso de Cristo e transmitiram aos seus discípulos pela imposição de mãos. E o mesmo se aplica aos nossos dias. Na Igreja Ortodoxa, vemos agora o cumprimento das palavras da oração sacerdotal de Cristo: “Para que todos sejam um; assim como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que eles também sejam um em Nós” (João 17:21).

E o sinal final, e para nós o mais compreensível, da veracidade da nossa Santa Igreja Ortodoxa Católica e Apostólica são os seus sofrimentos. Eles são dados à Igreja por Cristo, são ordenados por Ele à Igreja: “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mateus 16:24).

Um homem rejeita as bênçãos terrenas e aceita açoites, esbofeteamento, zombaria, cusparadas; ele aceita a perseguição não apenas por um dia, mas enquanto o Senhor a enviar — e ele pertence a Deus.

Ele rejeita a sabedoria humana passageira, aceita a mente conciliar da Igreja e começa a ver a mente de Deus — então as heresias se afastam por si mesmas, não conseguem sequer alcançá-lo. O amor divino o preserva do cisma, e ele pertence a Deus, sem dúvida alguma.

Mais uma pergunta importante, meus queridos filhos de Deus. Talvez seja difícil para uma pessoa discernir qual Igreja é a verdadeira? Talvez lhe falte conhecimento, bom senso ou mesmo fé.

O que é a verdade, onde está, em quê? Como podemos vê-la se agora, no mundo, como numa feira, todos anunciam seus produtos, competindo entre si em barulho e ostentação? É difícil para uma pessoa, mas não para o diabo. Ele é o inimigo da verdade, sempre a reconhece infalivelmente, a encontra e a persegue implacavelmente. Vejam só — que igreja se compara, nesse aspecto, à Igreja Ortodoxa?!

A perseguição foi substituída por ataques de heresia, a heresia permitiu o surgimento de cismas, os cismas alimentaram a completa descrença e impiedade. Mas a Santa Igreja Ortodoxa ainda está viva — às vezes completamente sem forças e atormentada, perseguida pelo inimigo, mas não abandonada por Deus, pois vive por Ele. E viverá por Ele até o fim dos dias do mundo.

Não vamos olhar muito para o passado; vamos nos concentrar no presente e no recente ontem da nossa Igreja.

E, tendo-o zombado, tiraram-lhe a púrpura, vestiram-lhe as suas próprias roupas e o levaram para fora para crucificá-lo (Mc 15,20).

Não vemos nessas palavras como nossa Igreja segue fielmente a Cristo?

As perseguições do século XX pelos teomaquistas superaram todas as perseguições anteriores em crueldade. Mataram mais cristãos do que todos os perseguidores anteriores juntos. Desonraram a Igreja, assim como desonraram Cristo em seu tempo, violentando a consciência de seus hierarcas e do povo de Deus.

E agora que o já pequeno rebanho se tornou ainda menor, e nosso povo não pertence mais a Deus, tendo chegado ao ateísmo e à rejeição de toda espiritualidade ao extremo, eles estão aterrorizados com o cheiro de corrupção e morte que paira sobre eles vindo do futuro e correm de volta para a fé, para Deus; mas esse mesmo assassino, o diabo, está à espreita. Sob seu comando, um conjunto de diferentes crenças e uma variedade de igrejas e seitas aguardam para acolher aqueles sedentos de salvação.

Eis os católicos romanos, ricos em dinheiro e engano. Será que alguém que se aproxima deles se dará ao trabalho de descobrir quem são? Será que ficará em alerta pelo fato de que até o século XI eles estiveram entre nós, mas nos abandonaram? E foi assim que todos souberam que não estavam entre nós, pois se fossem dos nossos, sem dúvida teriam permanecido conosco (1 João 2:19). Sim, eles são chamados de cristãos, mas não preservaram a fidelidade, violaram os dogmas. Por isso, a Igreja os cortou, e Deus os abandonou. Tendo se afastado da Igreja, o latinismo se afastou do amor de Deus.

Aqui está também a Igreja Protestante, que nasceu no século XVI do cisma com Roma. Para o protestante, a verdade é apenas o que lhe agrada, o que ele próprio considera verdade.

Aqui estão também os uniatas, que se dizem ortodoxos.

E há seitas cristãs: batistas, pentecostais e outras, que falam de Cristo, mas abandonaram a Sua Igreja.

Mas, tendo-se desacostumado ao longo desses longos anos a pensar segundo os princípios da Igreja, o povo russo perdeu a noção da Igreja como fonte de vida nova. Sua visão da fé como nada mais do que um ensinamento assimilado coloca o Evangelho e Cristo em oposição à Igreja, tornando sua fé sem vida.

Existe o Evangelho, existe Cristo, mas não existe Igreja — e isso significa que não há salvação.

Mais uma vez, o inimigo da Igreja ri, assim como riu quando Cristo foi insultado, e a Igreja continua seu caminho para o Gólgota. Estão sobrecarregando os ombros da exausta, insensível e despovoada Igreja Ortodoxa Russa com a mesma cruz que usarão para persegui-la ainda mais. Devolverão, e até mesmo imporão, os edifícios de igrejas e monastérios esquecidos que foram destruídos até os alicerces, os caminhos que levavam a eles completamente tomados pela vegetação. Ao mesmo tempo, o inimigo semeia sua palha — desavenças e contendas — até mesmo dentro da unidade dos cristãos ortodoxos. E, diante do exemplo ruinoso de cada um, irmão que bebe do mesmo cálice com irmão e participa da mesma mesa do Senhor, exigirá sua própria parte da herança de Deus.

Choramos diante do Senhor pela dureza de nossos irmãos no exterior, choramos por nossa anciã e querida, sempre especialmente amada Igreja Ortodoxa na Ucrânia. Afinal, lá, às margens do rio Dnieper, a primeira vela da Ortodoxia foi acesa na Rússia. As águas do Dnieper tornaram-se para nós as águas do Jordão. E os trabalhos e orações dos ascetas das Cavernas de Kiev iluminaram toda a Rússia pagã com a luz da Ortodoxia.

Mas agora, irmão vai a juízo com irmão, e isso diante dos incrédulos nos diz o Santo Evangelho em tom de reprovação (1 Coríntios 6:6). Mas quem o ouvirá?

O diabo está realizando seu ultraje agora pelas mãos dos fiéis, as mãos dos ortodoxos.

E como pode uma pessoa espiritualmente selvagem resistir ao ensinamento ainda mais sedutor de: “Há um só Deus, venha a Ele e amanhã você se tornará Deus”?

Os jovens querem ser Deus, querem governar e possuir. Então, eles vão aos hindus, aos budistas, aos krishnais para aprender espiritualidade, e os cultos orientais vêm para dominar a Rússia ortodoxa. A atração irracional pelo ocultismo é uma associação voluntária com demônios por curiosidade, que primeiro se transforma em tragédia e depois termina na destruição daquele que foi seduzido.

Quantos estão vivos no corpo, mas mortos na alma, paralisados ​​pela vida, que agora chegam ao recinto da Igreja; quantos jazem no limiar da Igreja, sem forças para entrar com entendimento; pois muitos já foram atingidos pela morte espiritual. E os demônios, aparecendo como anjos de luz, sussurram pensamentos, falam do tribunal e bradam por todos os meios de comunicação: “O homem — esse é o nosso deus!”, “Sejam como deuses! Sejam superiores a Deus!” E a história da queda recomeça. Nossos antepassados ​​caíram do paraíso para a terra; os deuses modernos caem da terra para o inferno.

Em ouvidos surdos cai agora o aviso: Cuidado para que ninguém vos engane com filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo… (Colossenses 2:8).

Para isso o Filho de Deus Se manifestou, para destruir as obras do diabo (1 João 3:8).

Mas quem destruirá agora essas coisas terríveis, se o Filho de Deus for rejeitado e esquecido pelos homens? Em vez de adoração e gratidão pelo Seu grande sacrifício, retornou a idolatria, que serve à carne e aos demônios.

Meus queridos, não devemos viver de forma irrefletida em nossos tempos.

Todos nós, mesmo aqueles que estão na Igreja há muito tempo, estamos sendo testados hoje pelo poder de várias tentações, incluindo o poder de uma nova consciência religiosa de falsa espiritualidade cristã. E em tudo isso aparece a imagem apocalíptica da “grande apostasia”, que abrangerá toda a raça humana antes do fim do mundo, da qual o Senhor nos lembra todos os dias.

Vocês acham que o Senhor permitiu acidentalmente que o grande santuário no Gólgota, na Igreja do Sepulcro do Senhor, fosse profanado? Isso não prenuncia que o período final decisivo da guerra do diabo contra Deus e contra o Seu Cristo está próximo?

Cuidado, então, meus queridos, para que ninguém os seduza! Apegue-se à Ortodoxia. Preserve com cuidado a graça que Deus nos concedeu! Seja vigilante e ore. Trabalhe em silêncio pela sua salvação, segundo os mandamentos do Senhor e a orientação e o conhecimento dos santos padres. Não se esqueça, mas contemple e compreenda as palavras do Senhor: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36).

Aqui reside a liberdade! Aqui reside a salvação!

A mente está presa aos grilhões da ignorância, do erro, da superstição e da perplexidade. Ela luta, mas não consegue se libertar. Apegue-se ao Senhor, e Ele iluminará a sua escuridão e romperá todos os grilhões que aprisionam a sua mente.

As paixões acorrentam a vontade e não lhe dão espaço para agir; ela se debate como uma mão e um pé atados, mas não consegue se libertar. Mas apegue-se ao Senhor, e Ele lhe dará a força de Sansão e romperá todos os grilhões da falsidade que o prendem.

Ansiedades constantes assolam o coração e não lhe dão descanso. Mas apegue-se ao Senhor e Ele lhe dará descanso. Então, em paz consigo mesmo e vendo tudo ao seu redor com clareza, você caminhará sem impedimentos com o Senhor através da escuridão desta vida até os espaços bem-aventurados e amplos da alegre eternidade.

Glória ao Deus Pai Imortal, Invisível!

Glória ao Deus Filho Imortal, que nos apareceu em carne!

Glória ao Deus Espírito Imortal, que falou por meio dos profetas, apóstolos e santos padres!

Santíssima Trindade, glória a Ti! Amém.

Arquimandrita Ioann (Krestiankin)
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia

Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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