A ideia de que estou “vendido ao pecado” e “não entendo o que estou fazendo” (Romanos 7:14-15) exige a Quaresma, com suas lágrimas e prostrações. A notícia da Ressurreição de Cristo, como o “Ei-ei-ei-ei” gritado das montanhas, ecoa longamente na alma e exige a Semana Santa, com seu incessante “Cristo ressuscitou!” — “Verdadeiramente ressuscitou!”
Depois que Cristo cumpriu tudo o que o Pai Lhe ordenou, Ele deu lugar a outro Consolador, o Espírito da Verdade, e a Páscoa, logicamente, busca sua plenitude no Pentecostes. Esses dois períodos — a Quaresma e o Pentecostes — expressam tanto nossa tristeza arrependida quanto nossa expectativa de uma felicidade futura.
As crianças sabem rir imediatamente após chorar. As lágrimas ainda rolam pelas faces e brilham nos cílios, mas a criança já pode explodir em uma gargalhada sincera. Essa também é uma imagem da transição da Quaresma para a Páscoa, da tristeza para o triunfo. Nesses dois modos, lágrimas e alegria, a alma se tempera, como se saísse de uma sauna para mergulhar em água gelada.
Quarenta e cinquenta dias equivalem a um quarto de ano. Se o ano inteiro fosse comparado a um relógio, ao círculo perfeito que o ponteiro dos minutos descreve em uma hora, então o tempo do início da Quaresma até a Descida do Espírito Santo seria igual a quinze minutos. Um quarto, o ângulo reto formado pelos ponteiros apontando para “12” e “3”. Se o ano fosse uma torta redonda, então o tempo do Triódio da Quaresma e Pentecostes seria a quarta e melhor fatia da torta.
Arcipreste Andrey Tkachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)







