Nem sempre o mal que dizem de nós vem de algo que fizemos. Muitas vezes, nasce do simples fato de não termos cedido à vontade alheia. Há momentos em que ser fiel à própria consciência, à vontade de Deus e à verdade do Evangelho nos coloca em confronto com as expectativas humanas. E é aí que muitos confundem firmeza com arrogância, discernimento com desobediência e fidelidade com maldade.
Nas Escrituras, há inúmeros exemplos de pessoas julgadas injustamente. O profeta Jeremias foi chamado de traidor porque não anunciou o que o povo queria ouvir, mas o que Deus mandou dizer: “Ai de mim, minha mãe, que me deste à luz homem de contenda e de discórdia para toda a terra” (Jer 15,10). Ele falava a verdade, mas a verdade incomodava. Assim também foi com São João o Precursor, que pagou com a própria vida por denunciar o pecado de Herodes. O mundo o viu como um perturbador, quando na verdade era um mensageiro da pureza e da justiça.
O próprio Cristo, o Cordeiro sem mancha, foi acusado de blasfêmia, de enganar o povo e de violar o sábado. Ele não fez nada de errado; apenas não fez o que os poderosos esperavam. Preferiu curar em dia de repouso, acolher pecadores, falar com samaritanos e desafiar as hipocrisias farisaicas. Diante de Pilatos, manteve o silêncio dos justos, ensinando que quem vive em verdade não precisa se defender diante de toda calúnia.
Os Santos Padres da Igreja nos lembram que o julgamento humano é passageiro, mas o julgamento de Deus é eterno. São João Crisóstomo dizia: “Nada é mais digno de pena do que ser elogiado injustamente, e nada mais glorioso do que ser acusado por ter feito o bem.” O cristão não deve medir sua retidão pelo aplauso ou pela crítica dos outros, mas pela fidelidade à sua consciência iluminada por Deus.
Na vida dos santos, isso se repete como um sinal de maturidade espiritual. São Máximo, o Confessor, foi chamado de herege e condenado por defender a verdade sobre as duas vontades de Cristo. São João Damasceno foi acusado injustamente de traição e teve a mão cortada por ordem do califa, e mesmo assim perdoou e continuou a servir a Deus com amor. A santidade, na prática, é suportar o olhar errado dos outros sem abandonar o caminho certo.
Quando alguém o julgar mau apenas porque você não fez o que esperavam, lembre-se: Jesus também foi visto assim. E ainda assim, continuou fazendo o bem. A fidelidade a Deus, e não à opinião pública, é o que nos salva.
Ser fiel à verdade custa caro, mas o preço da consciência limpa é a paz interior que o mundo não pode roubar. Como dizia Santo Isaque, o Sírio: “Aquele que busca agradar a todos nunca agradará a Deus.”
Por isso, siga em paz. Faça o que é certo, mesmo que pareça errado para quem ainda não aprendeu a ver com os olhos do Espírito.
03.11.2025
+ Bispo Theodore El Ghandour








