O jejum não é uma dieta de 7 dias! A comunhão não é um “bilhete para a salvação”, e depois tudo volta ao normal!
Agora, o tempo da Grande Quaresma (o jejum mais rigoroso) está em andamento: 48 dias de luta, oração, renúncia e sofrimento; 7 semanas, cada uma com seu próprio nome e significado; cada uma nos conduz passo a passo rumo à ressurreição!
Não é coincidência, não é uma formalidade! É uma escada espiritual. E então vêm aqueles que “fazem” uma semana ou jejuam por 7 dias, comungam; e no dia seguinte já voltam à sujeira, às paixões, aos velhos hábitos como se nada tivesse acontecido. Como se o jejum fosse uma espécie de lavanderia espiritual: você entra sujo, sai limpo e imediatamente volta para a lama. Isso não é uma façanha, é autoengano.
Mas, no fim, cada um será responsável por si mesmo! Não diremos no Juízo de Deus: “Jejuei por uma semana, foi o suficiente”. O jejum não termina com uma colherada de comida gordurosa. O jejum começa quando, após a Sagrada Comunhão, você continua a viver com sobriedade, pureza e temor a Deus.
A Ortodoxia não é uma façanha de fim de semana – é uma cruz todos os dias! E não vamos mentir: se você conscientemente reduz o jejum da Páscoa a uma semana formal, se recebe a Comunhão sem verdadeiro arrependimento e, em seguida, retorna imediatamente às mesmas paixões: gula, negligência e descaramento – isso é fraqueza e pecado. Pecado porque você recebe o Sagrado sem o temor de Deus; pecado porque você brinca com o que é santíssimo; pecado porque você teve 48 dias para mudar e escolheu permanecer o mesmo.
E, quanto a alguns sacerdotes que observam tudo isso e permanecem em silêncio, eles deveriam saber que o pastor não foi designado para agradar, mas para advertir. Se as pessoas não forem ensinadas que o jejum é uma luta para a vida toda, mas apenas uma breve preparação para o Sacramento, então as pessoas são embaladas por uma falsa segurança e pecam. E a sonolência espiritual é mais perigosa do que uma queda aberta!
A Sagrada Comunhão não é mágica, é fogo! E o fogo ou ilumina ou queima. Depende da sua abordagem. E que ninguém se irrite, mas jejuar durante uma semana antes da Sagrada Comunhão e, logo em seguida, imediatamente após a refeição, sem moderação e sem temor a Deus, não é o espírito da Ortodoxia! É um minimalismo de consciência. É “deixe-me fazer isso” e depois continuar como antes.
O jejum não é uma tradição por uma questão de ordem! Se, depois de tanto jejum, não houver luta para abandonar o pecado, então o problema não está na comida, mas no coração! Portanto: ou jejue corretamente para mudar, ou não finja ser um asceta. Pois a hipocrisia perante Deus não é uma ninharia, é um pecado!
Arquimandrita Vasileos (Gondikakis), Abade do Monastério de Iviron, Monte Athos
tradução de monja Rebeca (Pereira)








