CONSEQUÊNCIAS
AGORA, na escuridão, sentimos as consequências da guerra. A contagem de corpos aumenta diariamente, mas, ainda pior, o número de almas mortas e marcadas é quase infinito. Parece que, para muitos, há pouca chance de recuperação.
Como sempre, são as crianças que se tornam as piores vítimas da guerra. Nessa luta aparentemente eterna do homem contra Deus, a inocência da infância não apenas foi violada, mas totalmente aniquilada.
Na década de 1960, a revista Time teve como uma de suas manchetes de capa: “Deus Está Morto”. Na década de 1970, trouxe uma matéria de capa: “Marx Está Morto”. Isso levou um cínico universitário a dizer: “Deus está morto, Marx está morto, e eu mesmo não estou me sentindo muito bem”.
Nietzsche, sabendo muito bem que Deus havia morrido no coração dos homens, chegou a afirmar que haveria dois resultados diretos no século XX. Primeiro, disse que o século XX se tornaria o século mais sangrento da história; e, segundo, que uma loucura universal eclodiria. Ele esteve certo em ambos os pontos e até mesmo realizou o segundo.
Loucura
A filosofia das Consequências e do Apocalipse é resumida em uma palavra: Nada. Desde a infância nos dizem que não somos nada, somos educados em instituições que nos dizem que viemos do nada e somos enganados a acreditar que, quando morremos, retornamos ao nada. Em suma, não há nada.
Sobre esse assunto, o famoso autor russo do século XIX, Fiódor Dostoiévski, disse: “Se não há crença na imortalidade da alma, então tudo é permitido”. Se há, em resumo, nada, nenhuma razão para viver, então a conclusão lógica é a loucura, pois somente na loucura parece haver uma saída para este mundo autodestrutivo. A filosofia e o estilo de vida da “sanidade da insanidade” tornaram-se dominantes. Ela prevalece no pensamento da juventude moderna. Em certo sentido, tornou-se o meio de sobrevivência para os jovens, na “sobrevivência do mais apto”.
A seguir está um relato da insanidade que prevalece neste mundo louco:
Certa vez conheci um jovem punk de dezoito anos. Ele morava do outro lado da rua dos conjuntos habitacionais do centro da cidade (guetos) em Oakland. Todas as noites ele chorava até dormir ao som de tiros. No meio da noite, às vezes sentia o impulso de caminhar pelas ruas dessas zonas de guerra. Vestia-se de forma suja, contorcia o rosto e andava pelas ruas mortais gritando insanamente, babando e falando consigo mesmo. As pessoas do bairro mantinham distância dele. Quando retornava ao seu quarto em um armazém depredado, sentia uma satisfação interior por ter sido bem-sucedido na “sobrevivência do mais apto”. Então, ligando uma música hardcore que tinha sons sobrepostos de pessoas gritando, ele se cortava com lâminas de barbear. Suas muitas lágrimas de raiva escorriam pelo rosto e sobre o peito, ardendo em suas feridas. Ele queria desesperadamente morrer, mas algo o impedia de abraçar a morte por completo. Tenho certeza de que ele não era verdadeiramente insano, mas estava brincando com o fogo da loucura. Saindo de casa ainda jovens, os jovens são atraídos para o subterrâneo do centro da cidade, onde a insanidade é a única “norma”. E, mesmo que vivam em uma cidade pequena, cultivam o subterrâneo do centro da cidade dentro do próprio coração, buscando ao menos um gosto da rebelião popular da insanidade.
st. Herman of Alaska Brotherhood
tradução do Diácono André Souza








