A Água Benta é recomendada por guias espirituais em certos casos em que a pessoa que confessa caiu em pecado e não tem a bênção para receber a comunhão. Nesse caso, seu guia espiritual sugerirá o jejum e oferecerá a Água Benta como consolo. A Água Benta não substitui a Sagrada Comunhão, que é o maior dom de Deus para nós.
A respeito da Grande Água Benta e sua preservação, São João Crisóstomo diz: “Nesta Festa, todos bebem um pouco dela e depois levam um pouco para casa e a guardam por um ano inteiro. E ela permanece cristalina, embora com o tempo devesse se deteriorar. Por um ano inteiro, ou muitas vezes dois ou três, ela permanece pura e tão doce quanto no dia em que foi retirada da fonte”.
A Bênção das Águas no dia da Epifania é uma antiga prática sagrada da Igreja. Encontramos orações para a bênção da água em textos muito antigos, como os Ensinamentos Apostólicos, a Tradição Apostólica, o Livro de Orações do Bispo Serapião de Thmuis e em outros lugares.
A cerimônia é realizada duas vezes: na Véspera da Epifania e no próprio dia, após a Divina Liturgia. Em ambas as ocasiões, o serviço é o mesmo, exceto pelo prólogo, a longa oração de santificação, que é lida apenas no dia da Epifania. Assim, em ambos os dias temos a Grande Bênção das Águas.
No Monte Athos, os monges bebem a Grande Água Benta não apenas no dia da Epifania. É costume deles beber água benta todos os dias após a Divina Liturgia, e por isso bebem a Grande Água Benta durante oito dias após a Epifania, até o Encerramento da Festa. Portanto, esta Grande Água Benta pode ser bebida. Ela é bebida após a comunhão e antes de tomarmos o antidoron (ou qualquer outro alimento). O texto para o Serviço da Grande Bênção das Águas diz: ‘… para que todos os que a beberem e a receberem possam tê-la para a purificação de suas almas e corpos, para a cura dos sofrimentos, para a santificação dos lares e para todo benefício apropriado’, e, especialmente, ‘uma ruína para os demônios, inacessível aos poderes adversos’.
A Grande Água Benta é um poderoso meio de cura – um remédio administrado em circunstâncias excepcionais. Quando aspergida, expulsa os espíritos malignos; perdoa os pecados do dia a dia, ou seja, fantasias demoníacas e pensamentos desagradáveis; cura doenças e restaura a saúde espiritual e física. Em suma, aqueles que a bebem são santificados e abençoados.
Por isso, pode ser guardada em casa, com todo o cuidado e respeito, e podemos bebê-la em tempos de doença ou para afastar as forças do mal. Naturalmente, é melhor que isso seja feito com o consentimento do guia espiritual.
Esta é também uma forma de nos treinar para evitar outras “rotas de fuga”, superstições fomentadas pelo demônio, e de nos encorajar a usar os meios testados e comprovados, abençoados pela Igreja, como a Grande Água Benta e a Pequena Água Benta.
Protopresbítero Mihaïl Efthymiou
tradução de monja Rebeca (Pereira)








