A palavra do dia é “considerar”. Qual é a nossa relação com o pecado? Ao iniciarmos nossa caminhada com Cristo no Espírito, é provável que o pecado nos siga. Tentamos fugir dele. Mas parece que quanto mais rápido fugimos, mais ele nos alcança. Se não podemos escapar do pecado, o que podemos fazer?
Em nossa leitura de Romanos 6:11-17, Paulo diz: “Considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor” (NVI, versículo 11). Hoje, vamos refletir sobre o que significa estar “morto para o pecado” e “vivo para Deus” em nossa luta contra a tentação. Descobriremos que a chave está em como nos consideramos.
Não devemos deixar o pecado reinar
Na leitura de Romanos 6:11-17, São Paulo escreve: “Não deixem que o pecado reine em seus corpos mortais” (NVI, versículo 12). A advertência de Paulo é clara. Quando permitimos que a desobediência a Deus reine em nossas vidas, ela nos controla. Ficamos cativos de seus desejos. Em grego, o termo “luxúria” refere-se a desejos, impulsos e anseios apaixonados. E a palavra “reinar” em grego significa exercer influência ou governar. Consequentemente, Paulo diz que não devemos “deixar” que os ditames da paixão nos dominem. Como um rei, os desejos do pecado nos ordenam a fazer isto ou aquilo. Mas Paulo ensina que podemos escolher não obedecer. Não precisamos ouvir ou dar atenção a essas paixões.
Uma maneira sugerida de lidar com o pecado
Esses pensamentos sugerem uma maneira de lidar com o pecado que “tão facilmente nos enreda” (Hebreus 12:1). Como? O autor da Epístola aos Hebreus nos exorta a “deixar de lado” as paixões (Hebreus 12:1). A palavra em grego significa rejeitar ou afastar. Assim, o apóstolo nos ensina a não prestar homenagem aos desejos e paixões. Em vez disso, devemos deixar para trás tudo o que nos arrasta para o pecado. O apóstolo promete que, quando nos desapegamos daquilo que nos tenta a pecar, então seremos capazes de correr a corrida que nos foi proposta com perseverança (Romanos 12:1).
Podemos voltar nossa atenção do pecado para Deus
Novamente, como fazemos isso? Podemos ter a ideia de que nossos corações contêm uma mistura de pecado e piedade. Se isso for verdade, então, não importa o quanto nos esforcemos para reprimir o mal em nós, ele sempre vem à tona e nos domina. Mas Paulo contradiz essa ideia. Ele ensina que existem duas forças que lutam para nos controlar: o reinado do pecado ou o domínio da justiça (Romanos 6:170-18). Ambas não podem nos governar ao mesmo tempo. Se uma nos controla, a outra não tem poder sobre nós.
Então, qual será? De acordo com a leitura, a diferença entre a escravidão ao pecado e a liberdade da justiça reside na palavra “considerar”. Este termo significa considerar-nos como pessoas ou ter uma visão de nós mesmos. Consequentemente, Paulo ensina que devemos nos considerar “mortos para o pecado” e “vivos para Deus em Cristo” (OSB vs. 11).
Uma Nova Maneira de Pensar
Paulo está recomendando aqui uma nova maneira de pensar. Para sermos livres do controle do pecado, devemos pensar em nós mesmos de uma maneira diferente. A liberdade do pecado depende daquilo em que escolhemos permitir que nossa mente se concentre. Se fixarmos nossa mente no pecado, ele continuará a nos controlar. Quanto mais lutarmos contra ele, mais ele exigirá nossa atenção e mais forte se tornará sua tentação. Por outro lado, se fixarmos nossa mente nos caminhos de Deus, esses pensamentos piedosos também nos dominarão. E quanto mais concentrarmos nossa mente em Cristo e em Sua misericórdia, mais esses pensamentos sobre a graça influenciarão nossas crenças, atitudes e comportamento.
São Porfírio: “Ignore o Mal”
São Porfírio escreveu: “Vocês não se tornarão santos por meio de… Perseguir o mal. Ignore o mal. Olhe para Cristo, e Ele o salvará. Em vez de ficar do lado de fora da porta espantando o maligno, trate-o com desprezo. Se o mal se aproximar de uma direção, vire-se calmamente para a outra. Se o mal o atacar, direcione toda a sua força interior para o bem e para Cristo. “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim”.
Para reflexão:
Em nossa fraqueza humana, não podemos vencer o pecado e a tentação. Mas, em cooperação com o Espírito Santo, podemos nos afastar de sua influência direta e evitar cair em seu caminho. Ao fazer dieta, nem sempre conseguimos evitar comer demais, mas podemos parar de encher a geladeira com alimentos calóricos e petiscos que engordam.
Como ensina São Porfírio, lidar com o pecado e a tentação é uma questão de concentrar nossa mente e direcionar nossos pensamentos com a ajuda do Espírito Santo.
Um espírito saudável mantém o Senhor e Suas bênçãos constantemente no coração e na mente. E uma alma saudável utiliza o recurso do Mistério da Confissão para se colocar novamente no caminho da salvação, um caminho que não se curva ao poder do pecado, mas se atenta à força de Cristo.
Arcipreste Basil Ross Aden
tradução de monja Rebeca (Pereira)







