CASAMENTO OU VIDA MONÁSTICA?

O que significa confessar a Cristo?

— A vida monástica é uma vocação, e provavelmente nem todos a merecem. No entanto, seu discurso mostra que uma pessoa deve se esforçar para alcançá-la. Ou seja, alguém pode desejá-la, mas ser indigno de seguir esse caminho.

— É claro que a vida monástica não é para todos, e não devemos todos seguir o mesmo caminho exterior. A questão é que devemos rejeitar o pecado, nossas paixões e amar a Cristo acima de tudo. Se decidimos nos tornar monges ou nos casar é uma questão de nossa livre escolha. Somos nós que escolhemos. Mas, independentemente de nos tornarmos monges ou monjas, nos casarmos, permanecermos celibatários ou servirmos como missionários na África, devemos amar a Cristo acima de tudo. Isso é o que o Evangelho diz, isso é o que Cristo quer dizer — que devemos amá-Lo acima de tudo, e todo o resto depende de nós.

Deus não nos dirá o que devemos fazer: Deus nunca me disse para me tornar monge. E por que Ele deveria dizer a mim e a todos os outros individualmente? Somos livres: tomamos nossas próprias decisões de fazer isso ou aquilo. Assim, como quando alguém vai se casar, Deus não lhe dirá: “Vá e case-se!” e não lhe dirá com quem se casar. Certo? Você abrirá os olhos para ver melhor quem escolherá como esposa ou marido, você buscará e encontrará aquela pessoa especial que lhe dará uma sensação de plenitude, que o atrairá e o confortará. Mas não assim: “Meu Cristo, eu Te imploro: diga-me com qual moça eu devo me casar!” E se você sonha com uma, então você vai e se casa com ela no dia seguinte ou começa a procurá-la. Não é assim que funciona. Devemos entender que isso é uma questão de nossa liberdade. E não importa o que façamos, o amor a Cristo e a liberdade do pecado e das paixões estão acima de tudo.

— O senhor distinguiu entre as palavras de Cristo: Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a Mim não é digno de Mim (Mt. 10:37) e Todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por causa do Meu Nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna (Mt. 19:29). Com isso o senhor quer dizer que a primeira se refere à vida monástica, e a segunda…

— Não. Quem ama a Deus acima de tudo abandona todo o resto. Se eu amo a Deus acima de tudo, não posso deixar meus pais, cuidar deles e sustentá-los, e de fato devo fazê-lo, mas meu coração pertence a Cristo.

— Sem me mudar para outro lugar?

— Sem me mudar para lugar nenhum. Infelizmente, nem todos podem se tornar monges, e isso é irreal. Teoricamente, isso é possível, mas na prática — não, nem todos querem viver como monges e monjas.

—Quando alguém quer levar uma vida monástica, como pode entender que essa é realmente a sua vocação?

—Venha falar comigo mais tarde, e eu lhe direi, porque… sua pergunta é perigosa. Consegue ver? Estão nos gravando ali! (Risos.)

Sabe, se alguém quer se casar, ele vai e se casa, independentemente do que os outros lhe digam. Seu coração dita isso a ele. Mesmo que sua mãe lhe diga: “Não faça isso!”; e mesmo que todos digam: “Não faça isso!”; mas se ele ama uma moça, ele se casará com ela. E se sua mãe lhe disser: “Não se case com ela!” e ele obedecer e não se casar com a moça em questão, então ele não merecia se casar com ela.

Aqueles dentre vocês que estão prestes a se casar e veem que seu ente querido só ouve os pais e, por isso, hesita em se casar, então fujam dessa pessoa — ela não é para vocês. No casamento, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, assim diz Deus (Mt 19:5). Aquele que obedece apenas à sua mãe no casamento acendeu uma bomba. É uma questão de tempo até que ela exploda. Temos uma situação diferente no casamento.

Ninguém pode impedir alguém que quer se casar porque ama. O mesmo se aplica à vida: quem quer se tornar monge e ama esse modo de vida não espera e não pergunta a ninguém. Em termos provisórios, mesmo que Deus descesse e lhe dissesse: “Não se torne monge”, ele seguiria em frente e se tornaria um. Ninguém pode impedi-lo. Portanto, é uma questão de escolha pessoal, e não outra coisa. Eu escolho esse modo de vida porque me convém. Livre escolha.

Ninguém pode forçar o casamento. Se alguém o impuser à força, casando-o com uma mulher que você não ama, vocês brigarão e se separarão logo na primeira semana. O mesmo acontece na vida monástica: se alguém o forçar a se tornar monge ou o enganar para se tornar um, você não fugirá na primeira semana, mas no primeiro ou no segundo dia. Porque é uma questão do que o coração nos diz.

Mas repito: no Evangelho, Cristo não nos aponta para um modo de vida externo — o casamento ou a vida monástica. Ele nos aponta para o verdadeiro modo de vida em Cristo: amar a Cristo acima de tudo e abandonar tudo por amor a Ele, independentemente de sermos casados ​​ou monges. Este é o significado do Evangelho.

Metropolita Atanasios de Limassol
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia

Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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