A Quaresma é um tempo dedicado principalmente à introspecção, à absorção em si mesmo. Um tempo em que tudo o que é externo silencia. Em que os Serviços Divinos são modestos e austeros. Em que nos esforçamos para escolher cuidadosamente as palavras ao nos comunicarmos uns com os outros. A Semana Santa que se aproxima parece um tempo de ainda maior abnegação, até mesmo de humildade diante da grandeza do drama que se desenrolou no coração da história mundial. Mas entre esses dois momentos está a festa de hoje — o triunfo da Entrada em Jerusalém. Que profundo contraste reside nessa sequência de eventos!
E isso não é coincidência. Afinal, esse contraste marcante também está presente no Evangelho. Hoje, Jerusalém acolhe Cristo com alegria, acolhe-O como seu Messias e Salvador, acolhe-O como convém a um rei. Quase toda a cidade saiu para saudá-Lo, todos se alegram, talvez cantando salmos, exclamando com júbilo “Hosana!”. Apenas um pequeno grupo de fariseus murmura entre si: “Vês que não tens sucesso em nada? O mundo inteiro O segue” (João 12:19).
Tudo mudará em poucos dias. A multidão gritará, mas não mais de alegria, e sim embriagada de raiva. Apenas um pequeno grupo de discípulos, nem mesmo todos, e Sua Mãe Puríssima estarão com o Senhor. Eles serão impotentes para resistir à multidão. E a grande tragédia chegará ao seu clímax. E tudo o que deve acontecer se cumprirá (ver João 19:28, 30).
Metropolita Ambrósio (Ermakov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)







