O foco desta Grande Festa é o Batismo do Senhor no rio Jordão por São João Batista. Outro nome para a festa é Epifania, pois é mostrado — é revelado no Batismo de Jesus Cristo — que Ele é o Filho de Deus. De fato, a Santíssima Trindade é revelada em Seu batismo, pois o Pai diz: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo”, e o Espírito Santo desce sobre Ele em forma de pomba.
O significado da Festa do Natal se cumpre na Epifania, pois agora fica claro que Aquele Que nasceu em Belém é verdadeiramente Deus, Que veio para restaurar nossa natureza decaída e renovar toda a criação, unindo a humanidade à divindade em Si Mesmo. E assim como o Filho de Deus entrou em nosso mundo ao nascer, Ele agora entra nas águas correntes de um rio para santificá-las, para trazer Sua bênção e plenitude ao mundo que Ele criou. Pois toda a criação estava sujeita à futilidade por causa da rebelião de nossos primeiros pais. Como São Paulo escreveu aos Romanos, “toda a criação geme e sofre as dores de parto até agora”, pois também “será libertada da escravidão da corrupção para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus”.
A boa notícia do Evangelho é que o Criador Se tornou parte da criação para fazer dela um novo céu e uma nova terra. Vemos na Epifania que nada é intrinsecamente profano ou separado da bênção e santidade de Deus. Todas as coisas, físicas e espirituais, visíveis e invisíveis, são chamadas a participar da glória divina que nosso Senhor trouxe ao mundo, a se tornarem parte do novo céu e da nova terra do Reino de Deus. O Batismo de Cristo demonstra que nós também somos salvos juntamente com o resto da criação, pois é através da água que participamos de Sua vida. “Pois todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.” No batismo, recebemos a veste de luz que Adão e Eva perderam quando corromperam a si mesmos e a toda a criação com o pecado e a morte. O Filho de Deus encarnado santificou nossa carne e sangue em Seu nascimento, e em Seu Batismo Ele santifica a água através da qual nossa vocação como aqueles criados à imagem e semelhança divinas se cumpre.
Ao abençoarmos a água ao final da Liturgia de hoje, participaremos da cura de toda a realidade promovida por nosso Senhor, pois a água benta é um sinal de que cada dimensão da criação deve ser santificada, tornando-se santa pelo cumprimento dos propósitos originais de Deus para ela. Mesmo que a poluamos e que ela às vezes seja nossa inimiga em tempestades e inundações no mundo como o conhecemos, Deus criou a água para nos sustentar e trazer vida ao mundo. Cristo restaurou a água ao seu propósito original, santificando-a por meio do Seu Batismo, o que é um sinal da Sua intenção para cada dimensão do universo que Ele trouxe à existência.
Por ocasião da bênção da sua casa na Epifania deste ano aspergirei água benta em cada cômodo, o que é um sinal da bênção de Deus até mesmo nos pequenos detalhes de nossa vida diária. É também um chamado para santificar todos os aspectos de nossa vida e reconhecer que cada dimensão de quem somos como seres humanos deve ser batizada em Cristo, morrendo para o pecado e ressuscitando com Ele em santidade. O verdadeiro Cristianismo não é uma fuga do mundo, nem se resume a emoções ou moralidade. Não, somos chamados a nos tornarmos como Deus, a participar de Sua infinita santidade até o âmago de nossas almas em cada pensamento, palavra e ação.
Nesta Epifania, devemos nos tornar como a água que abençoaremos na celebração. Isso significa responder à grande bênção de Jesus Cristo sobre o mundo, de modo que participemos de Sua vida e nos tornemos mais plenamente quem Ele nos criou para ser, à imagem e semelhança de Deus. Não, nada disso é mágica. Se não cooperarmos com a misericórdia do Senhor por meio do arrependimento e do crescimento em santidade, a água benta não nos fará bem algum. Mas se, com humildade e fé, ansiarmos pela plenitude de nossa vida diária em Cristo, então beber e ser aspergidos com água benta nos nutrirá espiritualmente, assim como a água reaviva uma planta murcha em um dia quente e seco.
A Epifania nos possibilita saciar nossa sede de santidade, da vida divina para a qual fomos criados. Esta é a vida alegre e abençoada da Santíssima Trindade que Jesus Cristo trouxe ao mundo. Nesta Epifania, que todos nós deixemos de morrer de sede de Deus e, em vez disso, sejamos preenchidos transbordantemente pela misericórdia, presença e poder do Senhor. E então, como plantas bem regadas e nutridas, floresceremos e daremos bons frutos para o Reino de Deus.
Sacerdote Philip LeMasters
tradução de monja Rebeca (Pereira)








