Teofania de Cristo
Introdução
A Festa da Santa Teofania (Epifania) de nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo é celebrada todos os anos em 6/19 de janeiro. A Festa comemora o Batismo de Cristo e a revelação divina da Santíssima Trindade. No Batismo de Cristo, as três Pessoas da Santíssima Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — foram manifestadas. Assim, o nome da Festa é Epifania, que significa manifestação, ou Teofania, que significa manifestação de Deus.
Na Festa do Batismo de Cristo, a Santa Igreja proclama nossa fé no mistério mais sublime, incompreensível ao intelecto humano, de um só Deus em três Pessoas. Ela nos ensina a confessar e glorificar a Santíssima Trindade, una em essência e indivisível. Ela expõe e refuta os erros dos ensinamentos antigos que tentavam explicar o Criador do mundo pela razão e em termos humanos.
A Igreja demonstra a necessidade do Batismo para os fiéis em Cristo e nos inspira um profundo sentimento de gratidão pela iluminação e purificação de nossa natureza pecaminosa. A Igreja ensina que nossa salvação e purificação do pecado só são possíveis pelo poder da graça do Espírito Santo; portanto, é necessário preservar dignamente esses dons da graça do santo Batismo, mantendo puro este manto inestimável, pois “todos os que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo” (Gl 3,27).
História Bíblica
A história bíblica do Batismo de Cristo está registrada nos quatro Evangelhos: Mateus 3, Marcos 1:1-9, Lucas 3:21-22 e João 1:31-34.
João Batista, primo de Jesus e escolhido por Deus para proclamar a Sua vinda, pregava no deserto e batizava todos os que respondiam à sua mensagem de arrependimento. Enquanto fazia isso, João conduzia as pessoas Àquele que as batizaria com o Espírito Santo (Mateus 3:11).
As Escrituras nos contam que Jesus veio da Galileia até João, às margens do Jordão, para ser batizado por ele. Inicialmente, João se recusou, dizendo que Jesus deveria batizá-lo. Jesus disse a João: “Deixe assim por enquanto, pois convém que façamos desta maneira toda a justiça” (3:15). João concordou e batizou Jesus.
Quando Jesus saiu da água, os céus se abriram repentinamente e o Espírito Santo desceu sobre Ele. A Bíblia registra que o Espírito desceu como uma pomba e pousou sobre Ele. Quando isso aconteceu, uma voz do céu se fez ouvir: “Este é o Meu Filho amado, em quem me comprazo”. Esta era a voz de Deus Pai.
O batismo de Cristo no Jordão foi uma “teofania”, uma manifestação de Deus ao mundo, pois marcou o início do ministério público de nosso Senhor. Foi também uma “teofania” porque o mundo recebeu uma revelação da Santíssima Trindade. As três Pessoas se manifestaram juntas: o Pai testemunhou do alto a filiação divina de Jesus; o Filho recebeu o testemunho do Pai; e o Espírito Santo foi visto na forma de uma pomba, descendo do Pai e pousando sobre o Filho.
O tema da “manifestação” ou “revelação” também se expressa nas Escrituras com o simbolismo da luz. No hino da Festa, cantamos: “Cristo apareceu e iluminou o mundo”. Assim, o dia 6/19 de janeiro também é conhecido como a Festa das Luzes. A Igreja celebra neste dia a iluminação do mundo pela luz de Cristo.
Ícone da Festa
O ícone da Festa da Epifania narra a história dos Evangelhos em imagens e cores. No lado esquerdo do ícone, vemos João Batista vestido com pelos de camelo e com a aparência de alguém que vive no deserto. Seus braços estão estendidos, demonstrando uma atitude de oração e reverência, mas também direcionando outros a Cristo. Com a mão direita, ele realiza o batismo.
No centro do ícone, Cristo está sendo batizado no Jordão. Ele está de pé na água, usando um cinto, e com a mão direita abençoa as águas do Jordão. Acima de Sua cabeça, o Espírito Santo desce sobre Ele como uma pomba. No topo do ícone, um semicírculo representa a abertura dos Céus e a voz do Pai.
À direita do ícone, anjos são mostrados com as cabeças inclinadas em reverência a Cristo. Eles estão preparados para recebê-Lo quando Ele emerge das águas.
A Celebração Ortodoxa da Festa da Epifania
A celebração desta Festa de nosso Senhor começa em 5/18 de janeiro, dia conhecido como a Véspera da Teofania. Dependendo do dia da semana, pode ser uma celebração vespertina com Vésperas, seguida da Liturgia de São Basílio, ou uma celebração matutina com Matinas e a Liturgia de São João Crisóstomo. Após a celebração de 5/18 de janeiro, realiza-se a (Grande) Bênção das Águas (no interior do templo). Antes da celebração vespertina ou matutina, recitam-se as Horas Reais com a Typika.
Em 6/19 de janeiro, no próprio dia da Festa, celebra-se a Divina Liturgia de São João Crisóstomo, precedida pelas Matinas e seguida pela segunda Grande Bênção das Águas (de preferência fora do templo, numa fonte, rio, mar ou lago, simbolizando a purificação de toda criação).
Como sinal de bênção, assim como Cristo abençoou o Jordão, água benta é derramada nesta fonte d’água. Uma tradição associada é o lançamento de uma cruz na água para ser recuperada por mergulhadores.
A água benta da igreja é distribuída aos fiéis para consumo e para serem usadas na bênção de seus lares. Nas semanas que se seguem à Festa, o clero visita as casas dos paroquianos e realiza uma cerimônia de bênção com a água benta que foi abençoada na Festa da Teofano.
As leituras bíblicas para a Festa são as seguintes: Nas Vésperas/Divina Liturgia de 5/18 de janeiro: 1 Coríntios 9:19-27; Lucas 3:1-18. Na Divina Liturgia de 6 de janeiro: Tito 2:11-14, 3:4-7; Mateus 3:13-17.
No dia da Teofania, todos os alimentos são permitidos, mesmo que a Festa caia em uma quarta ou sexta-feira.
Tropário da Teofania de nosso Senhor, melodia bizantina, tom I
(Hipo-Diácono Gregório, Paróquia Ortodoxa do Patriarcado Ecumênico da Dormição da Mãe de Deus em Cambuci, SP)
Tropário da Teofania de nosso Senhor, melodia bizantina, tom I
(Proto-Salmista Nabila Salloum, Vicariato Patriarcal do Rio de Janeiro do Patriarcado Ortodoxo de Antioquia)