Sempre fui muito sensível à liberdade e, desde jovem, a busquei – na música, na filosofia, em viver “como se quer”, na permissividade… mas só a encontrei em Cristo. A fé me deu a verdadeira liberdade – esse estado de vida incrível em Deus, quando uma pessoa é interiormente liberta das estupidezes e abominações de si mesma e deste mundo.
Mas já “dentro da fé”, fica claro que a liberdade é algo muito complexo. Digamos que eu deseje muito algo que Deus proíbe. Ou que me encontre numa situação em que, segundo o mandamento de Deus, eu deva agir de uma maneira e não de outra, mas eu não quero. A experiência me ensina que, se eu agir contrariamente ao mandamento, isso desagradará meu Senhor e me afastará d´Ele. E aqui é necessário (infelizmente, nem sempre funciona na medida desejada) “estrangular” a liberdade e me forçar a cumprir a vontade de Deus. Então, em certo sentido, sim, a fé cristã limita minha liberdade.
Por outro lado, esse controle é sempre autocontrole e, portanto, tal autocontrole é sempre gratuito. Não pode ser imposto de fora, por alguma autoridade externa ou pelo medo de punição. E, de modo geral, é muito importante que a fé só possa existir em condições de liberdade, e onde não há liberdade, não há Cristianismo. Eu sei por experiência própria: sou livre, por exemplo, para ir trabalhar ou não; eu vou. E se este é o meu dever, é possível que eu me esquive dele, ou que o trate como uma rotina, e cristianismo e rotina são duas coisas incompatíveis.
E mais uma coisa. A fé cristã dá liberdade, enquanto o ritualismo e o farisaísmo a tiram. Portanto, se uma pessoa não está crescendo em liberdade espiritual interior, isso é motivo para considerar se ela está no caminho certo em sua vida na igreja.
Igumeno Pyotr (Meshcherinov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)







