Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Em um dos textos das Sagradas Escrituras, somos informados de que o mundo envelheceu, decaiu ao longo dos séculos, pois o homem perdeu o contato com Deus, pois a comunhão entre Deus e o homem se obscureceu. E São Paulo diz que toda a criação aguarda com anseio a revelação dos filhos de Deus, o momento em que o homem se tornará novamente Homem em plenitude, em toda a beleza e glória de sua vocação.
E no dia em que lembramos o Nascimento de Cristo, a Encarnação do Filho de Deus, podemos ver que o início de um novo tempo chegou, que este mundo que envelheceu porque Deus estava, por assim dizer, distante – grande, inspirador de temor, mas distante – chegou ao fim. DEUS ESTÁ ENTRE NÓS: Este é o significado da palavra ‘Emanuel’: Deus conosco – e o mundo já não é o mesmo. Vivemos num mundo em que Deus veio, em que Ele é o poder vivificante, a inspiração, a própria Vida, a própria Eternidade já chegou. E é por isso que São João, no Livro do Apocalipse, ao falar de Cristo como o Fim, usa em grego não o neutro, que seria o correto, mas o masculino: porque ‘O Fim’ não é um momento no tempo, o Fim não é algo que acontece, mas Alguém Que vem.
Sim, aguardamos o dia em que Deus virá em glória, quando toda a história chegará ao fim, quando todas as coisas serão resumidas, quando Deus será tudo em todos; mas Deus já está entre nós; já temos uma visão do que o homem é por vocação e do que pode ser por participação. Mas esta é uma oferta; Deus dá o Seu amor, Deus dá a Si mesmo – não apenas nos Santos Dons da Comunhão, mas de todas as maneiras possíveis. Ele está pronto para entrar em nossas vidas, para preencher nossos corações, para Se entronizar em nossas mentes, para ser a vontade da nossa vontade, mas para isso, para permitir que Ele faça isso, devemos nos entregar a Ele, devemos responder ao amor com amor, à fé – a fé que Deus tem em nós – com uma fé que é confiança e fidelidade a Ele. E então – então, nós, cada um de nós individualmente e todos nós em conjunto, nos tornaremos o Reino de Deus que veio com poder, o início da plenitude dos tempos, o início da gloriosa vitória!
Não é isso algo pelo qual vale a pena lutar? Não vale a pena nos afastarmos de tudo que nos separa de nossa própria integridade, uns dos outros, de Deus, e nos permitirmos tornar novas criaturas?
Agora que o começo chegou, e de certa forma o fim já está entre nós, façamos isso: vençamos tudo o que é indigno de nós mesmos e permitamos que Deus transforme vitoriosamente nossas vidas! Glória a Deus por Seu amor! Glória a Deus pela fé que Ele tem em nós e pela esperança que Ele nos deu! Amém!
Metropolita Anthony (Bloom) de Sourozh
tradução de monja Rebeca (Pereira)







