No Segundo Domingo da Grande Quaresma, a Igreja Ortodoxa comemora São Gregório Palamas, Arcebispo de Tessalônica. Sua comemoração foi instituída neste dia no século XIV como uma continuação do Triunfo da Ortodoxia — a vitória sobre a heresia de Barlaão da Calábria, que rejeitou o ensinamento da luz incriada do Monte Tabor. Esta celebração surgiu na Igreja Russa apenas em meados do século XVII, mas hoje está firmemente estabelecida no ciclo litúrgico.
Curiosamente, na antiga tradição de Jerusalém, a parábola do Filho Pródigo era lida durante a Segunda Semana da Quaresma. Vestígios dessa tradição foram preservados em nosso serviço: o Cânone Penitencial e o Sticheron Idiomelion em Matinas são dedicados especificamente a essa Parábola do Evangelho. Assim, o serviço moderno combina dois temas: o caminho penitencial de retorno ao Pai e o testemunho teológico da possibilidade de verdadeira comunhão com Deus por meio da graça incriada.
São Gregório Palamas nasceu em 1296 em uma família nobre de Constantinopla. Tendo recebido uma excelente educação, aos 20 anos retirou-se para o Monte Athos, onde, sob a orientação de Anciãos experientes, trilhou o caminho da prática mental — hesicasmo, oração concentrada e silêncio. Por volta de 1330, o erudito monge Barlão da Calábria, tendo se familiarizado com as práticas dos ascetas athonitas, declarou seus ensinamentos sobre a Luz do Tabor um erro herético. Ele afirmou que a luz que os apóstolos viram no Monte da Transfiguração foi criada e, portanto, o homem não pode verdadeiramente se unir a Deus.
São Gregório ofereceu uma defesa resoluta da experiência ortodoxa. Em suas Tríades e nos Concílios de Constantinopla, ele expôs a doutrina de que Deus, embora permaneça incompreensível em Sua essência, revela-Se em energias incriadas. A luz do Tabor não é uma criação, mas uma emanação da própria Divindade, acessível àqueles que purificaram seus corações através do jejum e da oração. Em 1341, o ensinamento do santo foi confirmado e Barlaão foi anatematizado. Contudo, a controvérsia continuou e o santo foi forçado a suportar prisão e perseguição. Somente em 1347 foi libertado e elevado ao posto de Arcebispo de Tessalônica. Faleceu em 1359 e, em 1368, foi canonizado.
O serviço deste domingo combina dois cânones: o Cânone Penitencial sobre a Parábola do Filho Pródigo e o Cânone a São Gregório. Dois kondakia são cantados nas Matinas, o que é extremamente raro. Isso enfatiza a importância de ambas as comemorações. O kondakion penitencial nos lembra de nosso cativeiro pecaminoso e da necessidade de retornar ao Pai. O kondakion a São Gregório o glorifica como uma luminária da Ortodoxia, que nos ensinou que o jejum e a oração nos permitem ver a Deus.
Para nós, que trilhamos o caminho da Grande Quaresma, a memória de São Gregório Palamas tem um significado especial. O jejum não é simplesmente a abstinência de alimentos, mas um caminho para a verdadeira união com Cristo. A luz do Tabor, da qual o santo ensinou, é a mesma luz que ilumina o coração de todos aqueles que seguem o Senhor com fé e arrependimento. A tradição hesicasta da oração mental nos lembra que Deus está perto, que Ele é acessível aos nossos corações se os purificarmos das paixões.
O Segundo Domingo da Quaresma nos convida ao arrependimento e à ousada esperança de que, pela graça de Deus, possamos nos tornar participantes da luz incriada.
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tradução de monja Rebeca (Pereira)








