A compreensão cristã da paciência, ao contrário da crença popular, é notavelmente diferente do acúmulo resignado de ressentimentos dentro de si, na forma de raiva reprimida e autopiedade. “A paciência não é o estado de um animal que tudo suporta. Não é uma humilhação para o homem — de forma alguma. Não é uma concessão ao mal — de maneira nenhuma. A paciência é a capacidade de manter a serenidade em circunstâncias que a impedem. A paciência é a capacidade de perseguir um objetivo quando vários obstáculos são encontrados ao longo do caminho. A paciência é a capacidade de manter um espírito alegre quando há muita tristeza. A paciência é vitória e superação, a paciência é uma forma de coragem — isso é a verdadeira paciência”, escreveu o renomado pregador, Arcipreste Alexander Men.
A paciência é uma forma de coragem. Uma definição maravilhosa! E coragem é a capacidade de impor limites ao mal, de conter a tirania alheia, de definir limites pessoais. Se uma pessoa não aprendeu isso, a paciência deixa de ser uma virtude salvadora e se transforma em mero acúmulo de ressentimentos. E então vêm as doenças, as neuroses, os ataques de pânico. Porque por volta dos 35-40 anos, a capacidade mental de suportar tanto estresse se esgota. E os problemas de saúde começam.
Quando as pessoas tentam assumir a responsabilidade pela raiva, ressentimento e outros sentimentos negativos de alguém, a paciência assume formas excessivas e prejudiciais. Em última análise, as coisas podem terminar mal, levando inclusive a problemas de saúde devido a fatores psicológicos (psicossomáticos). Sim, todos temos nossas fraquezas, que devemos aceitar se quisermos trabalhar com elas. Mas aqui podemos tomar como critério o Evangelho, que mostra claramente os limites da tolerância às fraquezas alheias. O apóstolo Paulo escreve: “Levem os fardos uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo” (Gálatas 6:2). Que lei? A lei do amor, é claro. Mas observe que o apóstolo fala especificamente dos fardos uns dos outros, da tolerância e paciência mútuas. Esta é a paciência do amor. Mas quando se assume uma opção unilateral em vez de mútua, por exemplo, quando um dos cônjuges demonstra constantemente fraqueza: bebe, se irrita, não quer trabalhar, insulta, briga, e o outro, igualmente constante, suporta tudo isso em silêncio, então não estamos mais falando da paciência do amor, mas de uma pessoa se aproveitando da incapacidade da outra de se opor, de reagir.
Portanto, repito mais uma vez: a virtude cristã da paciência não deve ser confundida com a raiva e um sentimento de impotência reprimido no fundo da alma. O Bispo Panteleimon (Shatov) fala disso com absoluta clareza:
“Alguns suportam com raiva, desespero — simplesmente porque não têm escolha, enquanto outros suportam com esperança e calma. Esta é a paciência cristã — consciente, voluntária, por algo, por alguém… A paciência pode ser um ato muito ativo. Você pode perseverar no seu trabalho e realizá-lo, por mais difícil que seja. Você pode construir algo pacientemente, dedicar-se pacientemente a um trabalho criativo. Você pode se reerguer pacientemente após cada golpe do destino e seguir em frente. Paciência não significa fracasso. Não deve ser passiva. Você não precisa tolerar o seu pecado, o seu apego aos prazeres pecaminosos ou o mal em sua alma.”
Mas surge a questão: como colocar tudo isso em prática? Por onde começar? Gosto muito do pensamento de São Teófano, o Recluso, que para alguns pode ser o primeiro passo para dominar a paciência, tanto como virtude cristã quanto como fundamento da saúde psicológica: “O primeiro objetivo da paciência é a paciência consigo mesmo, embora quase ninguém se atente a isso… Ser paciente consigo mesmo significa que, ao perceber seus erros e falhas, você não deve se perturbar ou se indignar excessivamente, muito menos se desesperar, pois tudo isso é sinal de orgulho. Então, você deve se humilhar e se tolerar em silêncio. Deve lembrar que toda pessoa está sujeita a erros; ninguém na Terra é perfeito… Portanto, quando você tropeçar de uma forma ou de outra, deve se humilhar, se arrepender em seu coração por sua ignorância e se esforçar para ser mais atento e cuidadoso no futuro, pedindo a ajuda de Deus.”
Alexander Tkachenko, psicólogo clínico
tradução de monja Rebeca (Pereira)








