Amados irmãos e irmãs,
Eis é o início do novo ano civil e celebramos com alegria a Divina Liturgia e a Doxologia. Em todo o mundo, foram organizados eventos com uma variedade de ações criativas para celebrar a chegada do novo ano. Seja como for, ninguém jamais viu um ano chegar do leste e o ano velho partir para o oeste. De fato, quando as pessoas que participaram dessas atividades agradáveis voltam para casa, o fazem com certa amargura e encontram dor, tristeza, desespero e uma situação trágica. Então, o que é este Ano Novo? O que significa que hoje é o início do Ano Novo? Qual o significado do Ano Novo?
Há anos, em 2000, precisamente nesta data, estávamos entrando no terceiro milênio. Não se tratava simplesmente de mais um ano que havia passado, mas sim de percebermos que, além disso, dois milênios haviam se passado desde o nascimento de Cristo. Assim, celebrávamos não apenas o início de um novo ano, mas também o começo do terceiro milênio. Lembro-me então, no dia de Ano Novo de 2000, que, após a Divina Liturgia e Doxologia do Ano Novo na Catedral de São Demétrio, fomos à Prefeitura para estar presentes na primeira sessão solene da Câmara Municipal no início do novo milênio. Rezamos para que todo o período fosse alegre e produtivo, embora não soubéssemos se estaríamos vivos no dia seguinte.
Desde então, o tempo passou sem que percebêssemos, pois corre como um rio caudaloso. Foge tão depressa quanto o ponteiro dos segundos de um relógio. Durante esse período, pessoas que amamos partiram desta vida, muitas circunstâncias de nossas vidas mudaram e novas pessoas nasceram. Todos os alunos que estão na última turma do ensino médio ou que ingressaram no primeiro ano da faculdade nasceram entre 2000 e agora. Dessa forma, a morte se entrelaça com a vida. Assim, percebemos que o tempo é fugaz, vem e vai rapidamente, e somos incapazes de retê-lo. Não podemos detê-lo; ele passa voando e nos arrasta consigo. O tempo tem sido chamado de “domador de todas as coisas”, porque subjuga tudo e não pode ser subjugado, exceto por Deus, seu Criador, Que está fora dele. Nós mesmos estamos dentro do tempo, e ele nos subjuga, exerce domínio sobre nós, com todas as consequências dramáticas que isso acarreta.
Desde o momento da nossa concepção, as células do nosso corpo têm seu próprio movimento, assim como os órgãos. Podemos entender isso mais facilmente observando as batidas do nosso coração. Estamos sob o domínio do tempo e, quando, de acordo com a vontade de Deus, chega a hora de o coração parar, a vida biológica também cessa. É claro que isso não significa a aniquilação da alma, nem da pessoa como ser.
Assim, vivenciamos o tempo em nossas vidas como um evento feliz, já que vivemos biologicamente, mas também como um evento trágico, pois o batimento cardíaco, em algum momento, silenciará. Nesse ponto, surge o fenômeno da tristeza alegre.
Compreendemos isso perfeitamente pelas diversas expressões que usamos. Quando desejamos a alguém “Muitos anos de vida”, essencialmente reconhecemos que, em algum momento, o tempo deixará de ter importância. Quando desejamos “Um brinde ao próximo ano”, sabemos que talvez não cheguemos ao próximo Ano Novo. Quando nos reunimos à mesa da festa e nos divertimos, ainda há um toque de tristeza, pois a morte espreita ou alguém que amamos não está mais conosco nesta vida.
Mas nós, cristãos, cremos em Deus, que é o Senhor do tempo e que também nos ajuda a transcendê-lo e a passar para a eternidade. Para aqueles que vivem em Cristo, o tempo não é um tormento, não é uma esteira rolante, não é um tirano. Pelo contrário, é um tempo para prepararmos nossa passagem para a vida eterna com Cristo. Os mártires e nossos santos nos mostraram que aqueles que vivem com Cristo não temem a morte e o domínio do tempo, mas veem o tempo como a capa da esperança, como uma travessia para a eternidade em Cristo. Com Cristo, nada é problemático ou difícil. Por outro lado, sem Cristo, tudo, até mesmo a celebração do Ano Novo, está na prisão escura do tempo e da morte.
Por ocasião do início do novo ano, desejo a todos muitos anos em Cristo, que é o Senhor do tempo e o vencedor da morte e da decadência.
Com os melhores votos para a festa,
Metropolita Hierotheos (Vlachos) de Nafpaktos
tradução de monja Rebeca (Pereira)








