A Parábola do Filho Pródigo, que a Igreja lê hoje, termina feliz: o filho retorna ao pai, e o pai, como qualquer bom pai, o acolhe em seus braços amorosos, incondicionalmente. Mas na vida, esse final feliz nem sempre acontece. Muitos, muitos jovens que sonham com essa liberdade jamais retornam. Alguns não encontraram forças nem determinação para admitir seus erros. Outros persistiram em sua decadência, acreditando que seu caminho era o correto, não importando o dano que causassem. Outros ainda simplesmente pereceram, sem sequer chegar ao fundo do poço.
A parábola em questão fala especificamente de um jovem, e em parte isso é bastante pertinente, visto que é a juventude que se caracteriza por um amor especial pela liberdade, um protesto contra a autoridade, uma busca de si mesmo através da renúncia e do distanciamento dos pais, dos mais velhos, de todas as pessoas que podem limitar alguém. Embora isso não aconteça com todos os jovens, alguns parecem ter maior predisposição. Mas a parábola é universal para todas as gerações e, portanto, devemos lembrar que qualquer protesto desse tipo é, antes de tudo, um protesto contra o Pai Celestial, desconfiança na Sua vontade, desejo de desperdiçar o que Ele deu, desejo de buscar a si mesmo contrariamente à vontade de Deus.
O jovem da parábola de hoje queria viver uma vida diferente. Uma vida com pessoas que sempre lhe fossem gentis, que nunca dissessem nada de repreensivo ou lhe dessem sermões. Ele queria reconhecimento incondicional, atenção imerecida e amor livre. E conseguiu tudo isso, ainda que brevemente, porque seus recursos se esgotaram. Recursos não precisam ser monetários; podem ser também a beleza e o talento passageiros, que são especialmente características da juventude, e um certo carisma especial que atrai os outros. No fim, o tempo de todos acaba.
O jovem não buscou conforto em seus antigos amigos ou em seu círculo social temporário. Eles não precisavam dele, e ele entendia isso perfeitamente. Precisavam das coisas que ele gastava com eles, mas já tinham ido embora. Não precisavam dele. E essa é uma grande lição para cada um de nós. Só existe Deus e um número muito pequeno de pessoas próximas que precisam de nós por quem somos, independentemente de nossa riqueza, beleza ou talentos. Mas, na maioria das vezes, negligenciamos esse amor e damos menos valor àqueles que nos amam incondicionalmente.
Que levemos conosco hoje a lembrança desta parábola. Que agradeçamos ao nosso Pai Celestial, Que nos ama e nos aceita independentemente de quem nos tornemos. Lembremo-nos daqueles que nos são bondosos, independentemente de podermos ou não retribuir-lhes algo. E, cheios de gratidão ao Criador e a essas pessoas, procuremos, se não retribuir, ao menos expressar nosso amor e gratidão por tudo o que recebemos delas imerecidamente, simplesmente por amor.
Metropolita Ambrósio (Ermakov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)








