No dia seguinte, João viu a Jesus, Que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, Que tira o pecado do mundo. Este é Aquele do Qual eu disse: após mim vem um homem que foi antes de mim, porque já era primeiro do que eu. E eu não O conhecia, mas, para que Ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água. E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre Ele. E eu não O conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre Aquele que vires descer o Espírito e sobre Ele repousar, Esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi e tenho testificado que este é o Filho de Deus. João 1:29-34
Duas das maiores figuras da Bíblia são Moisés e João Batista. Ambos têm algo em comum: conduziram pessoas a algo grandioso. No Antigo Testamento, Moisés liderou o povo de Deus por quarenta anos no deserto. E após quarenta anos de peregrinação, quando chegou a hora de entrar na Terra Prometida, Deus finalmente disse a Moisés que ele veria a Terra Prometida, mas não entraria nela. O povo seria liderado por Josué. Certamente, isso deve ter sido desanimador para Moisés. Mesmo assim, Moisés preparou o povo da melhor maneira possível, sabendo que não seria ele quem “concretizaria o acordo”, por assim dizer. E, no entanto, hoje, em nossas igrejas, de quem ouvimos falar mais, de Moisés ou de Josué? De Moisés. Por causa de sua grande humildade.
São João Batista foi escolhido por Deus para um papel muito sério. Seria João o último dos profetas, aquele que identificaria Jesus como o Cristo para o mundo. João não seria o Messias. Ele anunciaria o Messias. Ele assumiria o papel de Moisés — conduzir o povo a Cristo e depois se afastar.
No dia seguinte à Teofania, celebramos a festa de São João Batista, a próxima figura mais importante da festa (depois de Cristo). Sabemos que João batizava pessoas. Ele tinha seguidores, discípulos. E, no entanto, João sabia que seu papel era preparar as pessoas para alguém maior, o Cristo. No Evangelho de hoje, João viu Jesus chegando e disse aos seus discípulos: “Eis o Cordeiro de Deus!”, e “Este é Aquele acerca de Quem eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que é superior a mim, porque já existia antes de mim’”. (João 1:30-31) João prestou mais testemunho quando disse: “Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e permanecer sobre Ele… e eu vi e testifiquei que este é o Filho de Deus”. (João 1:32, 34) E em João 3:30, João deu talvez o seu testemunho mais humilde quando disse, referindo-se a Cristo: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua”.
João Batista serve como um bom exemplo para todos nós do que significa dar testemunho de Cristo. Se cremos que toda boa dádiva e todo dom perfeito que recebemos vêm de Deus (Tiago 1:17), então todo talento, todo meio pelo qual alcançamos o sucesso, tem Deus como sua origem. Assim, quando alcançamos o sucesso, o correto a fazer é dar glória a Deus, em vez de apenas aceitar a glória para nós mesmos. Agradecer a Deus por nossos sucessos segue o testemunho de João: Cristo cresce e nós diminuímos.
A humildade de São João foi, de fato, recompensada. Ele é honrado como o maior dos profetas e o primeiro entre os santos. Sua recompensa veio de Deus, não dos homens. Sabemos que o testemunho de João por Cristo lhe custou a própria vida (ele foi decapitado). Mas seu testemunho lhe garantiu a vida eterna. E, ironicamente, é sua humildade e altruísmo que lhe trazem a aclamação que ainda lhe é dada por nós até hoje.
É irônico, mas também muito verdadeiro, que quando (nos) diminuímos e permitimos que Cristo cresça em nós, na verdade crescemos espiritualmente. Quando doamos o que temos, ganhamos o que é eterno, a salvação. Quando somos humildes e altruístas, Deus nos exalta. E quando servimos aos outros, Deus nos recompensa. Portanto, diminuamos para que Ele cresça em nós. E doemos o material para que possamos ganhar o espiritual. Sejamos rápidos em dar glória a Deus, em vez de nos alegrarmos com nossos próprios sucessos.
Muitos de nós teremos a alegria de ter “discípulos”. Teremos pessoas que nos admiram, que nos têm como referência, que podem até nos considerar seus heróis. Essas pessoas podem ser nossos filhos, nossos alunos, nossos pacientes, nossos clientes, nossos paroquianos. Quando nos encontrarmos nessa posição, lembremo-nos do exemplo de São João Batista, que conduziu “seus discípulos” a alguém maior do que ele. Certifiquemo-nos de testemunhar de Cristo, especialmente quando as pessoas nos admiram.
A memória dos justos é celebrada com hinos de louvor; pois a ti basta o testemunho do Senhor, ó Precursor. Tu provaste ser verdadeiramente mais venerável que os Profetas, visto que te foi concedido batizar no rio Aquele Que eles anunciavam. Eis porque regozijando-te ao lutares pela verdade, pregaste aos que estavam no Hades o Evangelho, de que Deus Se manifestou em carne, Aquele Que tira o pecado do mundo e nos concede a grande misericórdia. (Apolytikion de São João Batista, tradução livre).
Busquemos maneiras para que Cristo cresça em nós e em nossa vida!
Sacerdote Stavros Akrotirianakis
tradução de monja Rebeca (Pereira)







