Estamos cientes do profundo paradoxo da parábola de hoje. Pelos padrões humanos, o fariseu parece mais próximo de Deus, pois é um homem religioso, conhecedor da Lei e a ensina aos outros. Ele observa os mandamentos e as regras, ora regularmente e dá esmolas. Ele é uma figura religiosa exemplar. É o membro mais respeitado de sua comunidade. O cobrador de impostos, por outro lado, é completamente o oposto, um paradigma do pecado. Comprometeu sua consciência por dinheiro, colaborando com os ocupantes romanos e extorquindo riquezas de seus companheiros de tribo, entregando-as às autoridades romanas e ficando com uma parte para si. Ele é o membro mais desprezado de sua sociedade.
E agora esses dois homens estão diante de Deus no Templo. E podemos ver como a visão do Criador difere da nossa perspectiva humana sobre a situação. O Salvador nos dá o exemplo do publicano, declarando direta e inequivocamente qual dos dois é mais justificado por Deus. O publicano desta história é um símbolo de como um cristão deve orar — não de forma egocêntrica, não preocupado com o próprio ego, mas consciente de sua completa dependência da misericórdia e da graça de Deus. Esta parábola mostra que a verdadeira oração, e a vida espiritual em geral, começa onde termina a autoconfiança e começa o desejo sincero por Deus.
O Senhor convida cada um de nós a abandonar a falsa autoconfiança e a aprender a nos ver como somos aos Seus olhos. — pecadores que precisam do Seu amor e misericórdia. Esta parábola é um chamado à profunda reflexão espiritual. Ela nos ensina que o caminho para Deus passa pelo reconhecimento da nossa própria inadequação. Contém a profunda verdade de que nossa grandeza espiritual não reside em quão superiores somos aos outros, mas em quão humildes somos e em quão verdadeiramente insignificantes somos. Não apenas como uma declaração para alguém, mas como um reconhecimento de nossa própria fraqueza diante de nós mesmos e diante de Deus.
A parábola de hoje nos oferece material para reflexão não apenas para a próxima semana, mas para todo o período da Quaresma. Esforcemo-nos para retornar a essas imagens todos os dias das semanas preparatórias e da própria Quaresma, e reflitamos sobre as mudanças que o Senhor deseja de nós ao nos dar essa história como ensinamento. Peçamos humildemente a Ele que nos ajude a abrir os olhos para nós mesmos e a aprender a reconhecer com humildade nossa própria fraqueza e incapacidade de corrigir qualquer coisa na vida por conta própria, sem Sua ajuda e apoio.
Metropolita Ambrósio (Ermakov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)








