“E Ele Mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do Corpo de Cristo” (Ef 4, 11-12).
Agora que grande parte do ciclo festivo de nossa vida se completou, a Igreja nos deixa um mandamento sobre como prosseguir: a necessidade de nos equiparmos. Não basta termos celebrado os grandes eventos da nossa fé. Muitos de nós participamos de cultos. Jejuamos; nos confessamos; comungamos; e nos alegramos com os hinos. Provavelmente demos esmolas e fizemos a resolução de dar pequenos passos em nossa vida espiritual. As festas [isto é, os “dias santos”] terminaram. A Igreja as instituiu como um tempo e uma oportunidade para vivenciarmos tudo isso. Para sermos fortalecidos na fé. Mas, como a vida continua, nada disso esgota a necessidade de estarmos mais bem equipados em matéria de fé. Não apenas em termos de conhecimento e conduta, mas também no nível da transfiguração, ou seja, uma mudança de coração.
Se formos honestos conosco mesmos, a cada ciclo festivo, percebemos nosso vazio espiritual. Nossa estagnação. As paixões, menores ou maiores, que nos impedem de ter paz interior, de sentir o poder do amor prevalecer em nossa vida, de sentir nossa fé em Cristo nos dando forças para carregar as cruzes da vida sem reclamar. Alegramo-nos com a festa. Mas ainda sentimos onde há um vazio. Mesmo que tenhamos progredido espiritualmente, percebemos que nossa mente precisa de alimento. E que não conhecemos os dogmas da Igreja tão bem quanto deveríamos. Que a hinologia nos escapa. Porque não temos aquele amor completo que nos faz sentir que cada momento está ali para glorificarmos, agradecermos, compartilharmos e desfrutarmos, com tudo o que nossa fé e a tradição da Igreja nos proporcionaram. E também para dar aos outros um pouco do que Cristo é para nós. A sensação de termos participado do Corpo e do Sangue de Cristo e de termos recomeçado com entusiasmo pela vida e pelo amor pode até existir, mas não dura muito. As preocupações da vida, as tentações, a falta de concentração da mente e do coração, tudo nos faz perceber aquela dura questão: “E depois do período de Feriado, o que faremos?”.
São Paulo nos exorta a ouvir todos aqueles no Corpo de Cristo que possuem dons: aqueles que podem servir como Apóstolos, isto é, aqueles cuja missão é nos despertar com a palavra de Deus, a oração e a comunhão da Eucaristia; Profetas, que nos lembram da necessidade do arrependimento; Evangelistas, que continuamente nos recordam a existência de Cristo, Seu amor por nós e o fato de que Seu Evangelho é “uma fonte de água para a vida eterna”; Pastores, que se preocupam com o nosso progresso e que nos lembram da verdade sobre nós mesmos e o mundo; e mestres, que estão em posição de proporcionar aprendizado para a mente e o coração, o qual nos conduzirá à verdade, ou seja, a Cristo. Busquemos suas palavras. Compartilhemos suas experiências. Trabalhemos com eles na edificação do Corpo de Cristo. Podem ser nossos bispos e padres. Monges e monjas. Um livro. Uma palestra no rádio ou algo na internet. A oração silenciosa daquelas pessoas humildes que vemos ao nosso lado. A vida de um santo. Às vezes, há pessoas no mundo que, talvez, nos motivam ou nos restringem com suas palavras boas ou difíceis, e que, em ambos os casos, nos ensinam.
Estar bem preparado não é apenas uma questão de conhecimento. É também uma questão de esforço ascético, amor e experiência de fé. Que o ciclo festivo que acaba de terminar seja um tempo de novos passos em nossa vida em Cristo.
Protopresbítero Temistocles Mourtzanos
tradução de monja Rebeca (Pereira)







