Se de fato sofremos com Ele, para que também com Ele sejamos glorificados (Romanos 8:17).
Não há preocupação humana em que Cristo não esteja presente.
Se você está sozinho e desamparado, Ele está aqui com você. Se uma profunda escuridão o envolveu e você não sabe para onde ir, Ele está com você em sua noite.
Se você anseia por vingança, se a dor e o ressentimento não o abandonam, bem, Ele também pode compartilhar isso com você. Mas não porque você buscou vingança ou se irou. Porque Ele assumiu tudo isso sobre Si — nas águas do Jordão quando foi batizado, em Seu diálogo cotidiano com as pessoas, mas finalmente e irrevogavelmente, Ele fez isso no Gólgota. Todos os dias Jesus Se levantava muito antes do amanhecer (Mc 1:35) para carregar o fardo de todos aqueles que encontrava em Sua conversa silenciosa com o Pai. Todos os dias Ele carregava nossas dores e levava nossos sofrimentos (Isaías 53:4). E todos os que o tocaram foram completamente curados (Mt 14:36), mas não tinham ideia do preço que isso custou.
Toda cura exige um sacrifício. Se você estiver pronto para dar a sua vida por alguém por quem você está orando, o Senhor ouvirá a sua oração.
Mas para os homens isso é impossível (Mt 19:26). Gradualmente torna-se possível à medida que compartilhamos o sofrimento de Cristo na cruz. Ele foi oprimido e afligido, e não abriu a boca (Isaías 53:7), contudo, Sua alma clamou ao Pai com forte choro e lágrimas (Hb 5:7).
Finalmente, você está livre e puro. Qualquer que tenha sido o seu fardo — dor física, trauma emocional ou desânimo de espírito por ter perdido o Senhor — Ele o tomou sobre si. Mas o mais importante, tanto na sua noite quanto à luz do dia, é Aquele que disse: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27:46) e não recebeu resposta, pois Ele mesmo era a resposta.
E agora a Cruz do Filho Unigênito está para sempre impressa em sua alma. Esse é o critério final. Você pode julgar tudo por ela. Se você não sabe o que fazer, se muitos caminhos o tentam e o seduzem, olhe para a Cruz. Siga o caminho onde a Cruz está, para que você não encontre, por acaso, o Senhor indo para a Sua segunda crucificação em seu lugar, para que você não se surpreenda e diga: “Quo vadis, Domine?”
Todos os santos sempre guardaram a memória da Cruz em seus corações. Alguns chegam a dizer que a Crucificação ficou literalmente impressa no coração do santo mártir Inácio de Antioquia.
De lá, da Cruz no Gólgota, vem uma brisa suave, uma voz mansa e delicada (1 Reis 19:12), um vento fresco do Espírito Santo, que chama o sopro para entrar nos corpos secos e nos ossos que se transformaram em cinzas (cf. Ezequiel 37:1-10). Ele alimenta as almas sedentas e infunde vida em tudo o que estava sem vida. Esse Sopro vive em sua alma e corpo desde o dia do Batismo e da Crisma, seu Pentecostes pessoal; ele anseia por guiá-lo e preenchê-lo plenamente. Mas você confiará nesse Sopro? Sim, ao dar novos passos, você pode sentir falta de confiança e permanecer tímido pelo resto da vida, mas se seguir em frente segurando a mão que lhe foi estendida, passo a passo, você perceberá como esse Sopro transformará sua vida em um poema de amor…
Então, sua fragilidade e fraqueza se tornarão uma janela por onde a Luz penetrará. Essa Luz será uma dádiva e o envolverá com a misericórdia de Deus, Seu perdão e Seu amor.
“Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor” (João 15:10).
“Este é o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (cf. João 15:12, cf. 1 João 3:23). Parece tão fácil de cumprir, mas só se você der tudo em troca.
É o fardo mais pesado, terrível e insuportável estar junto à Cruz com a Santíssima Mãe de Deus e o discípulo amado, estar junto à Cruz de todos os filhos dos homens, mas posso todas as coisas naquele que me fortalece (Filipenses 4:13), pois Ele carregará esse fardo comigo e em meu lugar. Mas somente se eu o quiser.
“Ao descrever a Ressurreição de Lázaro, o apóstolo João diz que Cristo gemeu em espírito (João 11:33). O único Mediador entre o Senhor e os homens, Jesus Cristo, como homem, teve que compartilhar nossos sofrimentos terrenos conosco para nos elevar ao Céu…
“Posso também ouvi-Lo dizer: Agora a minha alma está perturbada (João 12:27). Mas o que significam essas palavras? Como podes ordenar que a minha alma Te siga, se vejo a Tua alma perturbada? Como posso suportar o que se revela pesado por uma força tão grande? Que tipo de alicerce posso buscar se a rocha está cedendo?” Mas ouço em meus próprios pensamentos o Senhor me dando uma resposta, dizendo: ‘Você se sentirá melhor se Me seguir, pois sempre Me interporei entre você e seu sofrimento. Você ouviu a voz da Minha fortaleza que lhe falou; agora ouça a voz da Minha fraqueza. Eu lhe dou força para correr; não sou um empecilho que o impede de avançar cada vez mais rápido. Pelo contrário, tomo sobre Mim todos os seus medos e abro o caminho para que você caminhe sozinho.’ Ó Senhor, meu Mediador, Deus acima de nós, Homem por nós! Eu reconheço a Tua misericórdia!” (Santo Agostinho, Sobre o Evangelho de João 52:1-2).
Georgiy Velikanov
tradução de monja Rebeca (Pereira)







