Eis mais um período abençoado de Jejum, um tempo de luta espiritual e um esforço para voltarmos nossa mente para Deus, cada um de nós com a força e a “nobreza” espiritual à nossa disposição e, como sempre, em conjunto com o conselho de nosso guia espiritual.

Este Jejum começa em 15/28 de novembro e dura até 24 de dezembro / 06 de janeiro, enquanto em 25 de dezembro / 07 de janeiro, quando celebramos o Natal de Cristo, temos uma dispensa para todos os alimentos, independentemente do dia em que a festa cai. Durante este Jejum de Natal, abstemo-nos de carne e laticínios, embora possamos comer peixe durante toda a semana, exceto às quartas e sextas-feiras. A dispensa para o peixe continua até 17/30 de dezembro, embora em alguns lugares termine em 12/25 de dezembro. Isso é excepcional, no entanto, e não está incluído nas regras oficiais de jejum da Igreja, conforme estabelecido no “Timão” (Livro de Regras).

No dia 21 de novembro / 04 de dezembro, Festa da Apresentação da Mãe de Deus no Templo, podemos consumir peixe, independentemente do dia em que a festa caia. De passagem, podemos mencionar que os hinos da Igreja para a Festa da Entrada da Mãe de Deus nos preparam de forma direta e oportuna para a grande festa do Natal. No cânone das Matinas, cantamos “Cristo nasceu, glorificai!” É como se essa joia de hino, cantada quando ainda falta mais de um mês para o Natal, nos convidasse a estender o tempo e celebrar o Nascimento de Cristo. Tudo se entrelaça e se torna uma só festa: passado, presente e futuro.

Assim nos ensina nossa mãe, a Igreja: convidando-nos a participar dos eventos que marcaram a história da humanidade, vivenciando-os como se estivéssemos presentes. Além disso, como alguns de vocês devem saber, há uma oração proferida pelo sacerdote na Preparação, ligada ao Nascimento de Cristo, que se repete ao longo do ano, em cada Divina Liturgia: “Agora nasceu Aquele Que redimiu a humanidade da corrupção da morte”. O novo Adão, que resolve o drama da raça humana. Nosso Senhor, Que, por amor ardente à Sua criação, Se revestiu da natureza humana, conservando a divina. Ele recebe a carne da Mãe de Deus, com o Seu consentimento, e A eleva, por meio da Sua ressurreição e Ascensão, à direita do Pai.

Isso nos lembra da aceitação de Cristo, por Seu amor infinito, para que, como mínimo sinal de gratidão, nos esforcemos por nos abster de todos os prazeres e refrear as paixões da carne. Para controlar nossa língua e guardar nossas emoções. Para cumprir o jejum, que Cristo mostrou ser necessário para nós.

Voltemos ao Jejum de Natal. Historicamente, ele foi adicionado posteriormente aos jejuns estabelecidos, pelo menos no que diz respeito ao número de dias.

Nos primeiros anos do Cristianismo, tal Jejum durava apenas alguns dias, e o Natal não era celebrado em 25 de dezembro / 07 de janeiro, mas em 06/19 de janeiro, juntamente com a Epifania. Isso mudou no século IV, por razões que a Igreja considerou importantes na época. Decidiu-se que a data deveria coincidir com uma festa pagã específica *, a fim de evitar confusão e situações enganosas entre os cristãos da época, alguns dos quais ainda se sentiam inclinados a celebrar a data, uma festa do sol, juntamente com os pagãos. A Igreja santificou a data dessa forma, razão pela qual, no hino de despedida, Cristo é referido como o “Sol da justiça”. Devemos acrescentar que a Igreja adotou esse período de quarenta dias até o Natal — o tempo das quarenta liturgias — para nos auxiliar em nossa luta, cada um de nós na medida de suas capacidades. Idealmente, a Divina Liturgia é celebrada todos os dias durante esse período, para que possamos participar o máximo possível.

É difícil dizer o quão importante e benéfica para a alma é essa frequência à Liturgia para cada um de nós, mas devemos nos lembrar dela como uma refeição diária, onde o Corpo e o Sangue de Cristo são oferecidos como nosso alimento e bebida, à Sua mesa, para que possamos participar para a remissão de nossos pecados e para a vida eterna. Também de grande importância é a lembrança dos nomes pelo sacerdote na mesa de preparação para estas quarenta liturgias.

E neste tempo de luta espiritual, estejamos mais atentos à prática da caridade para com os outros, tanto em termos de ajuda material, que é sempre necessária, especialmente considerando os problemas financeiros que tantas pessoas enfrentam, quanto em relação à caridade espiritual, que muitas vezes se mostra mais importante do que a assistência material, pois requer amor e, frequentemente, certo tempo.

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* ‘Sol invictus’ (‘Sol Invicto’) instituído por Aureliano em 25 de dezembro de 274 [WJL]

Georgios Arabatzoglou
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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