A festa da Santa Teofania é uma das maiores do Cristianismo.
Ela celebra o evento do Batismo do Senhor nas águas do Jordão e, ao mesmo tempo, manifesta o Deus Trino ao mundo.
A importância da festa é evidente pela história: depois da Páscoa, a festa da Teofania é a mais antiga do Cristianismo.
O evento do batismo possui imenso significado teológico. Através das cores, os iconógrafos conseguiram capturar a riqueza de significados do evento.
Cristo está entre altas rochas que se unem formando um desfiladeiro. As águas, ainda não santificadas, nos lembram a imagem da morte/inundação. O simbolismo das rochas no ícone da Natividade continua no do Batismo e, finalmente, no da descida de Cristo ao inferno. O ícone do Batismo retrata Cristo entrando no rio, o túmulo aquático, sendo assim uma prefiguração da descida à caverna do Hades, onde Ele destruiria o poder do príncipe deste mundo. Como disse São Cirilo de Jerusalém, Jesus “desceu às águas e prendeu o poderoso”.
A descida de Cristo ao Rio Jordão simboliza a santificação da água, que é a base da vida em toda a criação. Por extensão, isso significa a santificação da própria criação que, por causa do pecado humano, “geme e sofre as dores de parto até agora” (Rm 8,22).
Cristo está no meio do Jordão, nu, exceto por um pano branco em volta da cintura. Seu corpo parece ter sido esculpido em madeira, com certos traços nítidos, sem volume excessivo. Ele está vestido com a nudez de Adão e, dessa forma, nos mostra nossas vestes gloriosas como eram no paraíso. Com a mão direita, ou talvez com ambas, abençoa as águas e as prepara para se tornarem as águas do batismo, que Ele santifica por Sua imersão. Cristo não precisa de purificação porque era puro desde a eternidade. Ele aceitou o batismo das mãos de João por humildade e respeito à tradição humana. Ao ser batizado, Cristo não foi santificado pelas águas, mas sim as santificou e, por extensão, toda a criação.
Uma de Suas pernas está ligeiramente à frente da outra, para mostrar Sua suprema iniciativa ao ser batizado por João e entrar na esfera pública. O testemunho de João a respeito de Cristo é: “Eis o Cordeiro de Deus, Que tira o pecado do mundo” (João 1:29), e isso foi definitivo. Em alguns ícones do batismo, Cristo é representado em pé sobre uma laje de pedra sob a qual serpentes se contorcem, com as cabeças para fora, tentando escapar. Esta representação é extraída do livro dos Salmos e baseia-se no versículo: “Tu tens o mar em teu poder; esmagaste as cabeças dos monstros nas águas” (Sl 73, 13).
São João Crisóstomo vê uma profunda alegoria no retorno das águas do Jordão. Ele afirma que o rio nasce de duas fontes, uma chamada Jor e a outra Dan. Assim, o nome do rio, que deságua no Mar Morto, surge da combinação das duas palavras. A raça humana também deriva de duas fontes, nossos ancestrais Adão e Eva. Após sua apostasia, a raça humana se entregou ao pecado, que resultou na morte espiritual, simbolizada pelo Mar Morto. Através de sua encarnação, Cristo Salvador libertou a natureza humana da escravidão à corrupção e à morte, de modo que até mesmo o Rio Jordão desejou retornar e não desaguar no Mar Morto.
O batismo de Cristo também é chamado de festa da Teofania. O iconógrafo representa a manifestação da Santíssima Trindade pela mão do Pai, Que abençoa a partir da parte de um semicírculo, representando os céus. Desse semicírculo irradiam raios de luz, característicos do Espírito Santo, que iluminam a pomba. Este é o momento em que o Pai testemunha a divindade do Filho e O chama de Seu Filho amado. O Filho, batizado no Jordão, ilumina o mundo inteiro, redimindo-o do domínio do demônio. O Espírito Santo, Que desce em forma de pomba, confirma o testemunho do Pai e nos dá o alicerce inabalável da nossa fé. É o Espírito Que “dirige” Cristo e O guia em Sua missão terrena.
À esquerda do ícone, São João Batista inclina-se em humildade e respeito diante da pessoa do Messias. Ele está voltado para o Espírito Santo, Que desce “em forma de pomba”. Seu rosto está pintado de perfil, devido à manifestação sobrenatural do Espírito Santo. Sua mão direita toca a cabeça de Cristo, enquanto a esquerda está em atitude de súplica. Seus cabelos estão despenteados e sua barba rala. Sua expressão é austera e séria. Seus braços e pernas são magros porque “sua alimentação consistia em gafanhotos e mel silvestre” (Mt 3,4). Seu rosto é um tanto magro e escuro, indicando o calor do deserto. Suas vestes são feitas de pelos de camelo e apertadas na cintura com um cinto (Mt 3,4).
Ao lado do Batista, há um machado cravado nos galhos de uma árvore. Isso representa as palavras de João como profeta: “O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não produz bom fruto será cortada e lançada ao fogo” (Mateus 3:10). Isso indica a justiça divina, que já está entre nós e separa as árvores produtivas das improdutivas.
À direita do ícone estão os anjos. Suas mãos, estendidas em direção a Cristo, prontas para servi-Lo, estão cobertas. Um pedaço especial de tecido ou parte de uma túnica cobre suas palmas abertas, que estão em atitude de súplica e, ao mesmo tempo, demonstram disposição para servir.
As cores fortes e claras que descem dos céus e se dirigem a Cristo, aos anjos e ao Precursor, “criam a aura sagrada de uma atmosfera transcendental, apropriada a um ícone do batismo, repleto de elementos sobrenaturais como a voz majestosa do Pai e a descida do Espírito Santo”.
fonte: https://pemptousia.com/2022/01/the-icon-of-the-feast-of-holy-theophany/
tradução de monja Rebeca (Pereira)







