Uma das constantes da vida é a mudança. Cada idade, cada fase, cada evento tem o potencial de nos transformar de alguma forma. Por exemplo, se ir para a faculdade não mudasse a vida como era antes, não teria valido a pena ir. Se casar não mudasse a vida como era antes, não teria valido a pena casar. Vamos com entusiasmo para a faculdade, casamos, conseguimos novos empregos e muitas outras novidades, na esperança de que elas nos transformem.
O Cristianismo tem o propósito de nos transformar. De acordo com a carta de São Paulo aos Efésios, agora que somos “filhos da luz” e não mais estamos nas trevas, devemos “aprender o que é agradável ao Senhor” e não participar das obras infrutíferas das trevas; antes, porém, expô-las à luz” (Efésios 5:10-12). São Paulo nos adverte contra três coisas específicas: primeiro, devemos andar com sabedoria, usando nosso tempo com sabedoria; segundo, não devemos agir insensatamente, mas sim compreender a vontade do Senhor para nossas vidas; e terceiro, não devemos nos embriagar, no sentido de nos degradarmos, mas sim sermos cheios do Espírito.
Um desafio sistêmico ao Cristianismo Ortodoxo é que a maioria das pessoas é batizada na Igreja Ortodoxa ainda bebês. Elas não escolhem conscientemente ser filhos de Deus. Pelo menos, não inicialmente. Nos primórdios da Igreja, especialmente na época de São Paulo, as pessoas se convertiam ao Cristianismo na idade adulta, fazendo uma escolha consciente de deixar o paganismo, o ateísmo ou o judaísmo para se tornarem cristãs. São Paulo lembrava aos primeiros cristãos, e ainda nos lembra nos tempos modernos, que a escolha de seguir a Cristo nos transforma. Se não nos transforma, não somos verdadeiramente sinceros em nossa fé.
Quanto à pessoa que foi cristã ortodoxa desde a infância, chega um momento em que ela escolhe se deseja continuar pertencendo à Igreja na idade adulta. E com a escolha de continuar, surge o ímpeto para a mudança.
O desafio, e talvez a nossa realidade, é que há muitas pessoas que se dizem cristãs, mas não andam na luz, não fazem coisas que agradam ao Senhor, participam de obras infrutíferas das trevas, agem insensatamente, se embriagam e se degradam. Muitos cristãos “compartimentalizam” o Cristianismo em algumas horas no domingo de manhã, em vez de compreenderem que o Cristianismo é um modo de vida, é a nossa identidade. Não é apenas o que fazemos, é quem somos. Muitos cristãos não escolhem deixar Cristo “transformar” suas vidas. Em vez disso, Ele é mantido como um medalhão usado no pescoço ou um ícone pendurado na parede.
A mensagem de São Paulo para nós, tanto em seu tempo quanto no nosso, é que o Cristianismo, assim como a faculdade, o casamento e tantas outras coisas, deve nos transformar. Se não estivermos abertos à mudança, não há sentido em participar. E se não estivermos mudando, precisamos nos perguntar por quê.
Definamos algumas pequenas metas espirituais para a próxima semana!
Sacerdote Stavros Akrotirianakis
tradução de monja Rebeca (Pereira)








