Na vida de um cristão, o Ano Novo tem um duplo significado. Por um lado, é o primeiro dia do ano civil, 1º de janeiro, e por outro, é o Ano Novo eclesiástico, celebrado em 14 de setembro (1º de setembro, pelo calendário juliano), que marca o início de um novo ciclo anual de Serviços Litúrgicos e Jejuns. Essa diferença surgiu historicamente: a contagem do ano a partir de setembro chegou à Rus’ vinda de Bizâncio, e por decreto de Pedro I, em 1699, o início do ano civil foi fixado em 1º de janeiro, de acordo com a tradição europeia.
Para um fiel, o início de um novo período do calendário é, antes de tudo, um tempo de reflexão e renovação espiritual, e não simplesmente uma ocasião festiva. Os Santos Padres, em seus ensinamentos, enfatizaram constantemente que uma data no calendário, por si só, não traz nenhuma sorte especial, seja boa ou má, e que vincular o destino a ela é supersticioso.
São João Crisóstomo, em seu sermão de Ano Novo, disse: “Um dia é bom ou mau não por sua natureza — pois de um dia para o outro não há diferença — mas sim pelo nosso zelo ou negligência. Se você fez o bem, então o dia é bom para você, mas se você pecou, então ele é mau…” Se você pensar dessa maneira e se preparar dessa forma, realizando orações e boas obras todos os dias, então o ano inteiro será feliz para você.” Ele alertou contra a tolice de esperar felicidade para o ano inteiro apenas com a alegria do primeiro dia, e contra a influência diabólica do pensamento de que o sucesso não depende de nossos esforços, mas “das reviravoltas diárias do tempo”.
São João Justo de Kronstadt via no Ano Novo a contínua misericórdia de Deus e um incentivo ao arrependimento: “O Ano Novo é um forte incentivo para nossa correção e boas obras.”
Assim, o verdadeiro significado do Ano Novo para um cristão é uma oportunidade de avaliar o passado perante o tribunal da consciência e fazer um “bom começo” para o trabalho interior. É um tempo de auto-observação, de examinar a própria vida à luz do Evangelho, e não de esperar “nova felicidade” enquanto se cometem pecados antigos.
As celebrações não devem ser acompanhadas de superstições ou abusos. Hoje em dia, muitas igrejas realizam Serviços e Liturgias à meia-noite no início do ano, direcionando os pensamentos dos fiéis para Deus, o verdadeiro Doador do tempo e de todas as coisas boas.
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tradução de monja Rebeca (Pereira)








