Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Cristo está entre nós!
Na Epístola de hoje, São Paulo, dirigindo-se aos Hebreus, fala de Cristo como nosso Sumo Sacerdote. Ele fala sobre o que define um sacerdote, e um sacerdote se preocupa com as coisas de Deus. Mas se preocupar com as coisas de Deus é também se preocupar com as coisas do homem. Porque um sacerdote serve como mediador entre Deus e o homem. Um sacerdote serve para ministrar a Deus em favor da humanidade, por assim dizer. E esse ministério consiste em compreender os sofrimentos e as fraquezas dos homens. Porque é com isso que Deus Se preocupa.
Deus Se preocupa com a humanidade. E Deus Se preocupa com nossas fraquezas e enfermidades. E sendo um bom Pai, e sendo verdadeiramente um bom Deus, Deus é bom. Ele provê o necessário para curar as doenças da humanidade. E a doença da humanidade se manifesta, se expressa de maneiras particulares, de maneiras pessoais. Mas todos nós compartilhamos dessa mesma doença. E assim encontramos conforto e paz se confiarmos em nosso Sumo Sacerdote, se acreditarmos que Ele é quem diz ser.
Mas como podemos saber que Ele é o Sumo Sacerdote? Muitos de nós somos frequentemente atacados. Somos assaltados por pensamentos e interpretações maldosas sobre as circunstâncias de nossas vidas, e isso nos leva a duvidar se Deus é bom. Às vezes, nos leva até mesmo a duvidar da existência de Deus. E essa dúvida é o que nos faz perder de vista o remédio que nos foi dado. Em nossa natureza, mas em nós pessoalmente, individualmente.
No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus Cristo diz: “Se alguém quiser vir após Mim, tome a sua cruz e siga-Me”. O que significa seguir a Cristo? Significa ser um discípulo. Significa ser um aluno. Significa ouvir os Seus ensinamentos, ver a Sua vida, conhecê-Lo. Confiar n´Ele. Fazer o que Ele diz.
Isso é o que significa segui-Lo. E a maneira de sabermos que Ele é quem diz ser é que o remédio que Ele nos dá, quando o tomamos, realmente nos cura. Descobrimos isso quando, de fato, em nosso coração, obedecemos e O seguimos, apesar do que nossos pensamentos e sentimentos nos dizem, quando confiamos n´Ele e tomamos o remédio que Ele nos dá, encontramos a vida.
E isso é algo difícil, porque o remédio que Ele dá para todos nós é a cruz. Sem exceção. Sem exceção. E a sabedoria de Deus é tal que, no final do Evangelho, quando Ele diz: “Se alguém se envergonhar das Minhas palavras diante desta geração pecadora e adúltera, Eu também Me envergonharei dele”, por quê? Porque Ele considerou que o remédio de que todos os homens precisam é a cruz. E Ele é quem disse: “Médico, cura-te a ti mesmo”.
Ele assumiu, como Deus perfeito e homem perfeito, o remédio em primeiro lugar. E Ele diz: “Olha, vê”. Ele não é como os farmacêuticos e os médicos deste mundo, que prescrevem remédios e não os tomam. Cristo não é assim. Cristo faz exatamente o oposto. Ele toma o remédio primeiro e diz: “Vejam, eu vivo”. E se quisermos viver, precisamos tomar o remédio.
Não está no Evangelho de hoje, mas quero chamar a atenção de todos vocês para um momento do Evangelho. Vocês se lembram de quando nosso Senhor está no jardim e está profundamente perturbado? A pressão deste mundo, cosmicamente, de todas as coisas, de todo o tempo, de todo o espaço, pesa sobre Ele. E a pressão interior é tão forte que Ele começa a suar sangue. E Ele pede ao Pai Celestial: “Se for da Tua vontade, afasta de Mim este cálice”. Ele pediu três vezes. “Contudo, não seja feita a Minha vontade, mas a Tua”.
Vejam, Ele sabia o que estava procurando. E é por isso que vemos e chamamos isso de Sua paixão. Porque o Senhor nunca vacilou. Mesmo quando Pedro, Seu discípulo mais próximo, disse: “Sabe de uma coisa? Você não precisa ir por esse caminho”. Ou quando Pedro diz: “Você não irá sozinho”. O que Ele diz? “Afasta-te de Mim, Satanás”.
Por quê? Porque Ele pediu e sabia, sem qualquer dúvida, o remédio necessário para o homem. E Ele sabia que primeiro precisava tomá-lo. E assim Ele não hesitou, não vacilou, não questionou, não buscou desculpas, não se justificou, não culpou, não projetou nada em cima de si. Ele aceitou, obedeceu e seguiu em frente. E ao fazer isso, deixou tão claro que, de geração em geração, até os dias de hoje, aqueles que querem estar com Ele, aqueles que querem ser curados, olham para Ele e O seguem. Esses são os santos. Esses são os que não se justificam, não projetam nada em cima de si, não dão desculpas. Eles veem a cura e seguem em frente. Reconhecem a dor, e ainda assim reconhecem que essa dor é um pequeno preço a pagar pela vida. Eles querem viver. E assim, seguem em frente com a cura.
Para muitos de vocês, a confusão, causada pelo medo e pela fraqueza, é que vocês não sabem o que é a cruz. “Eu não sei o que é a minha cruz.” E a tentação de abstrair, de filosofar sobre a sua cruz, é coisa do diabo, da carne e do mundo. Se vocês querem ser curados, precisam tomar o remédio, mas primeiro precisam entendê-lo. E é por isso que quis destacar aquele momento no jardim, porque para muitos de nós – “Eu não sei o que é a cruz, eu não sei o que ela é.” Bem, no fundo do coração de vocês, vocês sabem. E vocês podem mentir para mim, como seu sacerdote, podem mentir para seus amigos, podem mentir para seus pais, podem mentir para seu cônjuge, mas não podem mentir para Deus. E Deus quer que vocês parem de mentir para si mesmos sobre o que é essa cruz. E é por isso que vocês precisam aproveitar esse momento, ir ao jardim e ouvir com muita clareza o que é a sua cruz.
Por quê? Porque sem saber o que é essa cruz, você não se prepara. Você não se prepara, não tem esse compromisso, e é isso que sempre lhe falta. É isso que sempre nos falta. Nunca nos falta o antídoto. Nunca nos falta o que precisa ser feito. O que nos falta é o compromisso. O que nos falta é a determinação interior. O que nos falta é a honestidade diante de Deus e de nós mesmos para dizer: “Eu vejo a cruz e estou caminhando em direção a ela”. É isso que nos falta.
Portanto, dedique um tempo a isso, pois sem carregar a sua cruz, sem saber qual é a sua cruz, você não encontrará a vida. E não há palavra maior, mais dolorosa, mais agonizante, mais excruciante do que o Senhor da vida dizer: “Eu nunca te conheci”. Não há nada que alguém neste mundo, nenhum pai, cônjuge, amigo, chefe, superior, nada possa te ferir mais do que Aquele que sempre te amou e Aquele que te enviou o remédio dizer: “Você tem vergonha de Mim, Eu tenho vergonha de você”. A cruz é o caminho para a vida eterna. A cruz é o único caminho para seguir a Cristo. A cruz é a cura da sua enfermidade.
Pelas orações de nossos Santos Padres Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, tem misericórdia de nós. Amém.
Sacerdote Turbo Qualls
tradução de monja Rebeca (Pereira)








