Na vida cristã, um dos maiores desafios é permanecer bom em meio à ingratidão, à injustiça e à maldade dos outros. É fácil perder a doçura quando o mundo se mostra amargo. Mas o Evangelho nos recorda que a bondade não deve depender do merecimento alheio, e sim da presença de Cristo em nós.
Jesus disse: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam” (Lucas 6:27). Ele não falou isso como um ideal inalcançável, mas como um caminho de libertação. Quando agimos com bondade, mesmo diante da ingratidão, somos fiéis à nossa vocação de filhos de Deus. O Senhor não nos julgará pelo que os outros fizeram conosco, mas pelo modo como reagimos.
Os Santos Padres da Igreja Ortodoxa ensinam que o bem praticado, ainda que pareça desperdiçado aos olhos humanos, nunca se perde diante de Deus. São João Crisóstomo dizia: “A bondade não depende do outro, mas de quem a oferece. O que vem de ti é o que será julgado.” Assim, o bem que fazemos revela quem somos; o mal que os outros fazem revela quem eles são.
Ser uma boa pessoa para as pessoas erradas é uma cruz silenciosa. Às vezes, significa oferecer amor e receber indiferença; estender a mão e ser traído; servir e ser esquecido. Mas foi exatamente isso que Cristo viveu: curou os enfermos e foi acusado de blasfêmia, alimentou multidões e foi abandonado por elas, perdoou seus algozes enquanto morria na cruz. Ele não deixou de ser bom porque os outros foram maus.
São Siluan do Monte Athos disse: “O Senhor ama o homem, mas o deixa livre. O amor verdadeiro não muda diante da rejeição.” Assim é o amor cristão: firme, constante e puro, mesmo quando ferido. Quando perdoamos e seguimos fazendo o bem, mostramos que não somos guiados pela reação dos outros, mas pela graça de Deus.
Nunca se arrependa, portanto, de ter sido bom. O bem não é fraqueza; é força espiritual. Cada ato de bondade sincera é uma semente que, mesmo lançada em solo árido, permanece viva diante do olhar de Deus. Talvez o fruto não apareça agora, talvez nunca o vejamos, mas o próprio Senhor colherá o que plantamos.
A bondade é o espelho da alma em comunhão com o Espírito Santo. Ela não busca recompensa nem reconhecimento, porque já é, em si, uma forma de oração. Quem vive assim pode ser ferido, mas jamais será vazio. Como ensina Santo Isaac, o Sírio: “Sê pacífico e amável com todos, e verás a graça de Deus habitar em ti.”
Por isso, não permita que o mal dos outros apague a luz que há em você. Continue sendo bom, mesmo quando o mundo disser que não vale a pena. Pois seu comportamento dirá tudo sobre quem você é; e o comportamento deles, tudo sobre quem eles são.
13.10.2025
+ Bispo Theodore (El-Ghandour)








