Este domingo — o Domingo dos Santos Antepassados — é uma preparação especial para o Natal de nosso Senhor. Recordamos Adão, Noé, Abraão, Isaac, Jacó, David e muitos outros homens justos do Antigo Testamento. Eles viveram há milhares de anos, mas a fé deles nos fala agora. Eles não viram a vinda de Cristo, não puderam ouvir a voz angelical sobre Belém, não foram à manjedoura adorar o Menino Deus. Mas acreditavam firmemente que o Messias viria, que Deus cumpriria Sua promessa. Sua fé era tão forte que, mesmo sem um Salvador revelado, eles se mantiveram firmes na verdade e não vacilaram diante do ataque da idolatria e do vazio do mundo que os cercava.
E quanto a nós, que vivemos depois do nascimento de Cristo? Sabemos que Deus veio em carne, sabemos do Seu nascimento, da Cruz e da Ressurreição. Mas com que frequência vivemos como se Cristo realmente tivesse vindo e mudado para sempre o curso da história e a própria estrutura do universo? Respondemos frequentemente ao Seu chamado ou encontramos desculpas?
A parábola dos convidados para a festa, que acabamos de ouvir, nos lembra que o Senhor já preparou tudo. O Natal não é apenas uma doce lembrança de um bebê na manjedoura. É a manifestação do Deus Eterno no espaço limitado da vida humana. Deus, Que é Amor e a plenitude do ser, vem ao nosso mundo caído, decadente e frio para nos salvar. Ele nascerá para morrer por nós — sim, há tragédia nisso. Cristo, imortal e perfeito em todos os sentidos, entrará em nossa condição mortal, assumindo o fardo do pecado, da solidão e do sofrimento. Mas Ele fará isso para que não permaneçamos na escuridão do desespero, para que, por meio de Sua morte, entremos na plenitude da vida.
Observando nossos contemporâneos — e a nós mesmos — vemos como é fácil sucumbir ao espírito da época. Vivemos em uma era “pós-cristã”, onde o ateísmo, o cinismo e a busca constante pela vaidade e pelo prazer reinam absolutos. Mas os patriarcas também viveram entre pessoas que se afastaram de Deus. Elas não conheciam o Nome de Jesus Cristo, mas permaneceram fiéis à aliança de Deus e mantiveram a esperança no Salvador. Sabemos que Ele veio, conhecemos Seus ensinamentos, conhecemos Seu sacrifício. Isso não deveria aumentar nossa responsabilidade e fortalecer nossa fé?
Na véspera do Natal de Cristo, ouvimos o chamado silencioso, porém poderoso, de Deus: “Vinde, porque tudo já está preparado”. Uma festa de Amor, uma festa de perdão e salvação, se desdobra diante de nós. Os santos Antepassados, que creram sem um sinal visível, olham para nós. O Deus-Criança encarnado olha para nós, pronto para entrar no coração de cada um. Não há mais barreira entre o céu e a terra: O próprio Senhor encurtou a distância e veio até nós para que pudéssemos ir até Ele.
Metropolita Ambrósio (Ermakov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)








