“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23,34)
Amados filhos e filhas no Senhor,
A cada ano chegamos à aurora da Ressurreição depois de percorrer o caminho da Cruz. No coração das dores da Sexta-feira Santa escutamos aquelas palavras pronunciadas por nosso Senhor Jesus Cristo enquanto estava crucificado: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Não se trata apenas de uma frase da história, mas da revelação do amor divino que não pode ser vencido, mesmo diante da injustiça, da violência e da ignorância.
O nosso mundo hoje, assim como no tempo da Cruz, geme sob o peso das guerras, das divisões e das turbulências. Muitos povos vivem na dor, no deslocamento e no medo, e por vezes as vozes do ódio parecem mais altas do que as vozes da misericórdia. Ainda assim, a palavra de Cristo na Cruz continua sendo um chamado para olharmos para o ser humano com os olhos da compaixão e não com os olhos da vingança.
No meio das dificuldades do mundo, a própria Igreja também atravessa desafios. Tensões, incompreensões e inquietações sobre o futuro podem perturbar o coração de muitos. Contudo, a Igreja que ressuscitou com Cristo não teme as tempestades. Ao longo dos séculos ela enfrentou perseguições, divisões e provações, e mesmo assim permaneceu testemunha da luz que nunca se apaga.
A Ressurreição recorda-nos que o mal não tem a última palavra e que a escuridão não pode vencer a luz. Cristo, que perdoou aqueles que o crucificaram, é o mesmo que se levanta do túmulo para oferecer ao mundo uma vida nova. Por isso, a nossa vocação hoje não é sermos testemunhas da ira, mas testemunhas do perdão; não é aumentar as divisões, mas tornar-nos construtores da paz.
Amados irmãos e irmãs,
Num tempo em que é tão fácil julgar e condenar os outros, o Senhor nos convida a aprender o mistério do perdão. O perdão não é fraqueza, mas a força da Ressurreição que age no coração. Quando perdoamos, proclamamos que o amor de Deus é mais forte do que todas as feridas do mundo.
Rezemos pela paz no mundo, pelos que sofrem, pelos feridos e deslocados, e para que Deus preserve a sua Igreja na unidade, na fé e na esperança. Peçamos também que Ele nos torne verdadeiras testemunhas da Sua Ressurreição em nossa vida cotidiana, em nossas casas, em nossas igrejas e em nossa sociedade.
Neste glorioso dia, elevamos nossos corações com toda a Igreja e proclamamos com alegria:
Cristo Ressuscitou! Verdadeiramente Ressuscitou!
Que a graça da Ressurreição encha os vossos corações de paz, renove em vós a esperança e faça de vossas vidas um testemunho da luz que brilhou do sepulcro.
O Cristo Ressuscitado abençoe a todos.
†Dom Theodore El Ghandour






