Diálogo orante entre um bispo e o Cristo crucificado
Senhor meu Jesus Cristo,
Tu que foste crucificado sobre o madeiro da Cruz,
eu me coloco diante de Ti neste terceiro domingo da Quaresma,
quando a Igreja eleva a Tua Santa Cruz no meio dos fiéis
para fortalecer os corações cansados no meio da caminhada.
Mas hoje, Senhor,
não venho como um pregador que fala,
venho como um homem ferido que contempla Tuas feridas.
Senhor,
o mundo ao nosso redor está perdido na escuridão.
As guerras não cessam,
a terra está cheia das lágrimas das mães,
e crianças inocentes são arrancadas da vida
antes mesmo de aprenderem o que é viver.
Por quê, Senhor,
os inocentes partem de forma tão cruel?
Por que as almas frágeis são esmagadas
pelo peso do mal que os homens produzem?
Eu olho para a Tua Cruz
e vejo que Tu também eras inocente…
e mesmo assim foste crucificado.
Então começo a compreender que a inocência do homem não o livra da cruz, mas o aproxima de Ti.
Senhor Jesus,
também olho para a Tua Igreja,
que foi comprada pelo Teu precioso sangue.
Quantas vezes ela parece cansada!
Os ventos a atingem de todos os lados:
perseguições vindas de fora,
divisões dentro dela,
fraquezas humanas,
e às vezes até corrupção que fere o seu corpo.
E eu, Senhor,
como bispo da Tua Igreja,
às vezes sinto o peso dessa cruz.
Como proteger o rebanho
quando os lobos se multiplicam?
Como preservar a unidade
quando as divisões crescem nos corações?
Como anunciar a verdade
num mundo que já não quer escutá-la?
Senhor crucificado,
hoje eu clamo a Ti
não como alguém que tem respostas,
mas como quem as procura aos pés da Cruz.
Ensina-me a compreender o Teu mistério.
Quando o mundo pensou que a Cruz era derrota,
na verdade ali começava a Ressurreição.
Quando tudo parecia mergulhado na escuridão do Gólgota,
a luz da Ressurreição nascia no silêncio do túmulo.
Senhor,
dá-me um coração que não fuja da cruz.
Ensina-me a carregar as dores do mundo na oração,
a carregar as dores da Tua Igreja na esperança,
e a não perder a confiança
mesmo quando o caminho parece longo e pesado.
Dá-me, Senhor,
ser um pastor que não tem medo,
uma testemunha que não negocia a verdade,
e um servo que não busca a si mesmo.
E Tu, ó Crucificado vivo,
olha para as lágrimas deste mundo.
Enxuga as lágrimas das mães,
protege as crianças inocentes,
consola todo coração ferido,
e traz de volta os que se perderam no caminho da verdade.
E se a Tua Igreja passa por tempestades,
lembra-nos, Senhor,
que Tu és o verdadeiro timoneiro da barca.
Os ventos podem soprar com força,
as ondas podem se levantar,
mas a barca conduzida por Cristo
não afundará.
Senhor Jesus,
neste domingo em que veneramos a Tua Cruz,
não Te peço que tires a cruz de nós,
mas que nos dês força para carregá-la contigo.
Porque sabemos, Senhor,
que depois de toda Sexta-feira Santa
sempre nasce
uma gloriosa Ressurreição.
Amém.
+ Bispo Theodore El Ghandour








