Todos os anos, desde meados da década de 1970, a Igreja Ortodoxa Russa Fora da Rússia (ROCOR) organiza as Conferências Anuais da Juventude de São Germano para seus jovens paroquianos. Desta vez, a conferência aconteceu na Igreja da Natividade da Santíssima Mãe de Deus em Albany, Nova York. Conversamos com o reitor, o Arquipreste Alexis Duncan, sobre o encontro e por que jovens americanos escolhem a Ortodoxia Russa.
—Prezado Padre Alexis, poderia compartilhar como sua paróquia sediou a Conferência da Juventude de São Germano este ano?
—Todos os anos, no final de dezembro, a ROCOR realiza a Conferência de São Germano em diferentes paróquias da Diocese da América Oriental ou nas dioceses canadenses. Desta vez, sediamos o evento e recebemos cerca de 225 participantes, a maioria jovens — aproximadamente 200.
A conferência durou quatro dias e contou com diversas palestras principais. O Arcipreste Peter Perekrestov, decano da Catedral de Nossa Senhora “Alegria de Todos os Aflitos” em São Francisco, falou sobre a história da Igreja Ortodoxa Russa no Exterior e apresentou um filme com imagens inéditas de São João de Xangai e São Francisco. O Bispo Lucas de Siracusa proferiu uma palestra sobre a crescente presença da IA em nossas vidas.
Organizamos também oficinas espirituais. Uma delas foi dedicada ao matrimônio, e houve sessões separadas para moças e rapazes sobre o que significa, de uma perspectiva espiritual, ser um ser humano saudável e normal.
Além disso, realizamos diversas oficinas sociais para que os jovens pudessem passar tempo juntos e fortalecer os laços de amizade. Estas incluíram aprender a preparar kutia (um tipo de kollyva), fazer casinhas de gengibre, jogar jogos de tabuleiro e atividades semelhantes.
No dia 24 de dezembro, celebramos a Vigília e, no dia 25, a Divina Liturgia na Festa de São Germano do Alasca e São Spiridão. Nosso primeiro hierarca, o Metropolita Nicholas, serviu juntamente com o Arcebispo Gabriel de Montreal e Canadá e o Bispo Lucas de Siracusa. Ao todo, tivemos quase 20 padres e diáconos. A igreja estava completamente cheia de jovens.
O ícone havaiano de Iveron e o ícone da Raiz de Kursk da Mãe de Deus foram apresentados durante as celebrações, e um grande número de pessoas compareceu para venerá-los. Distribuímos cerca de 500 pequenas cópias em papel do ícone havaiano da mirra. Isso significa que pelo menos 500 pessoas participaram da vigília naquela noite.
Recebemos muitos comentários positivos e muitos participantes prometeram retornar à conferência no próximo ano. Ela acontecerá na Catedral de São Nicolau, em Montreal.
—Foi uma alegria ver a igreja cheia não só de paroquianos, mas também de tantos jovens?
—Sim, com certeza. É sempre muito encorajador ver uma reunião tão grande de pessoas unidas por um propósito comum. As celebrações em si foram especialmente impressionantes porque o coral era composto inteiramente por jovens — cerca de 35 a 40 cantores, todos com vozes excelentes. O resultado foi realmente notável.
Recentemente, conheci um jovem que nunca havia estado em uma igreja ortodoxa. Ele é da China e por acaso participou da vigília na noite de 24 de dezembro e da Divina Liturgia no dia 25 de dezembro. Foi o primeiro culto ortodoxo que ele presenciou.
Esse homem retornou no sábado e domingo seguintes, e tive a oportunidade de conversar com ele. Ele me contou que mora em nossa cidade e que havia lido sobre a Igreja Ortodoxa online. Disse que continuaria vindo, explicando que os cultos eram belíssimos e impressionantes. Experiências como essa mostram que essas conferências também têm uma dimensão missionária: às vezes, as pessoas se deparam com a fé pela primeira vez.
Imagine entrar em uma igreja cheia de 250 ou 300 pessoas, todas reunidas com o mesmo propósito. É muito impactante. Nossos paroquianos ficaram muito satisfeitos, e o Metropolita Nicolau me disse pessoalmente que se sentiu encorajado e que apoiava integralmente o trabalho com os jovens.
—Que mensagem vocês, como clérigos e adultos, transmitiram aos jovens durante esta conferência? E que mensagem vocês ouviram deles?
—Começarei com o que ouvi deles. Muitos jovens sentem que a vida contemporânea é vazia e sem sentido. Eles veem um mundo focado no egoísmo, no dinheiro, no poder, na influência e nas posses — coisas belas, carros caros e excitação constante. No entanto, tudo isso os deixa com uma sensação de vazio.
Se alguém compra um novo iPhone, isso traz entusiasmo por alguns dias, mas depois essa sensação desaparece e algo mais é necessário para preencher o vazio. Acredito que essa percepção seja um dos motivos pelos quais eles continuam voltando, mesmo que não a expressem explicitamente.
Da nossa parte, como clérigos e organizadores, tentamos guiá-los para um caminho que traga alegria mais profunda e felicidade duradoura. Digo a eles que as coisas mais importantes da vida são frequentemente as mais difíceis: jejuar, orar, frequentar a igreja e amar uns aos outros. No entanto, essas são as únicas coisas que realmente dão sentido à vida e levam à felicidade.
Damos grande ênfase à preservação da cultura ortodoxa. É essencial salvaguardar a herança que recebemos. Na Igreja Russa, isso inclui a língua, o uso do eslavo eclesiástico, a veneração dos santos russos e o respeito por uma cultura formada ao longo de mil anos.
Digo-lhes que mesmo pequenos elementos da cultura, uma vez perdidos, jamais poderão ser recuperados. Se os perdemos, empobrecemos, pois eles deixam de preencher nossas vidas. Portanto, preservar a cultura ortodoxa e transmiti-la aos filhos é essencial.
Vivemos na sociedade americana, mas não precisamos adotar seus elementos destrutivos. Devemos preservar nossa cultura ortodoxa russa, permitir que ela cresça e jamais nos envergonhar dela.
—Como é possível preservar a cultura ortodoxa russa na América e evitar as tentações?
—Somente dentro da Igreja. Em nossa cidade, há russos que não frequentam a igreja. Eles até têm um centro cultural russo, mas ele não tem nada a ver com a Ortodoxia. Como disse Dostoiévski, sem a Ortodoxia, a cultura russa não tem sentido.
Sem a Igreja, a cultura acaba se tornando nada mais do que um clube social, desprovido de qualquer significado real. Na Igreja, porém, todos esses elementos são preservados e se tornam parte da vida cotidiana. Quanto mais os jovens participam da vida da igreja, mais firmemente preservam sua cultura. Sem a Igreja, não existe um verdadeiro centro de vida.
—Como você descreveria o resultado desta Conferência?
—Pelo que ouço, os jovens saem com genuíno entusiasmo. As amizades se fortalecem e encorajamos todos a se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão e manterem uma vida de oração diária. Durante a Conferência, rezamos juntos todas as manhãs e nos preparamos juntos para a Sagrada Comunhão.
Isso cria não apenas amizades, mas também laços espirituais. Muitos jovens dizem que já estão ansiosos pelo próximo ano. Embora a Igreja ofereça muitas atividades — acampamentos, bailes e outros eventos —, quanto mais interagimos, mais fortes esses laços se tornam.
—Você percebe um crescente interesse pela Ortodoxia Russa e pela cultura russa entre os jovens americanos?
—Sim, com certeza. Essa tendência pode ser observada em toda a América, bem como na Austrália e em partes da Europa. Os jovens, especialmente os rapazes, estão cada vez mais interessados na Ortodoxia.
Só na minha paróquia, batizamos 30 adultos no ano passado. Atualmente, dou aulas semanais para aqueles que se preparam para o batismo, com cerca de seis pessoas frequentando regularmente.
Muitos jovens americanos estão cansados do politicamente correto e da pressão ideológica. Não me refiro à política como filiação partidária, mas à obrigação de aceitar ideias que sabem ser falsas. Para muitos jovens, isso gera um desejo de rebeldia e busca pela verdade.
Eles buscam orientação e equilíbrio em um mundo cada vez mais caótico. Pela graça de Deus, descobrem a Igreja Ortodoxa — um lugar que não tem medo de dizer a verdade. E são atraídos por ela.
—Então eles escolhem a Igreja Russa porque ela não tem medo de dizer a verdade?
—Sim, essa é uma boa maneira de colocar.
—O que, então, a Igreja pode oferecer a eles?
—A Igreja oferece um alicerce. Hoje em dia, alicerces firmes são raros. A Igreja proporciona um modo de vida que apoia a formação espiritual e, em última instância, conduz ao Reino dos Céus.
Sem esse alicerce, a pessoa é como um cego caminhando na escuridão. A Igreja torna-se um guia para uma vida humana normal — construir uma família, criar filhos, centrar a vida na Igreja e cultivar a piedade, a liberdade intelectual e a capacidade de simplesmente viver corretamente.
Dmitry Zlodorev
tradução de monja Rebeca (Pereira)







