Enquanto cristãos convertidos, muitos brasileiros ficam animados com os costumes de povos “organicamente” ortodoxos para as festividades da Teofania. Os gregos e sérvios organizam no próprio dia da Festa uma espécie de competição a nado para ver quem alcança a cruz primeiro. Normalmente, o Bispo abençoa as águas de um rio ou lago da cidade e lança a cruz nas águas, enquanto os participantes se jogam na água para ver quem a alcança primeiro. O vencedor, normalmente, é premiado com uma moeda simbólica do acontecimento e as bençãos do Bispo. Já na Rússia, pelo fato do inverno neste período ser o mais gélido possível, faz-se uma piscina de gelo em forma de cruz (acumulado pela neve) que se encontra num lago. Após a benção das águas deste lago congelado, todos são convidados a se imergirem por três vezes, fazendo o sinal da cruz. Fatos interessantes, mas puro costume ou tradição (com letra miníscula)…. talvez possamos também desenvolver, um dia, algo próximo à compreensão de nosso povo ao fato real da benção das águas.
O importante nesta Festa, vejo eu, é o fato de ela ter historicamente um peso enorme. Acredita-se que na antiguidade, a Teofania era mais celebrada do que o próprio Natal, pois a água era para as civilizações antigas o elemento sagrado para a vida na Terra ou então eram ambos celebrados juntos. Com o passar do tempo, nossa Igreja, sabiamente e conduzida pelo Espírito Santo, soube contornar todos os acontecimentos da linha cronólogica e nos conceder a realidade de duas Grandes Festas: a Natividade do Senhor e Sua Teofania. Elas se vêem unidas por uma festa menor – a Circuncisão – que marca a Lei Antiga e confirma a humanidade do Menino-Deus. O período de doze dias que as une também é marcado por bençãos e celebrado com respeito em tradições ortodoxas – o quê nos leva a confirmar sua importância e fonte de bençãos.
Existem muitas semelhanças entre as duas festividades, principalmente no que concerne a vivência litúrgica. Ambas são precedidas por um dia preparatório que chamados de Véspera do Natal ou Véspera da Teofania (em grego Paramonia e em eslavo Sotchelnik). Sem falar na organização dos Serviços Litúrgicos indicados e Jejuns: existem as Horas Reais, a Liturgia de São Basílio e o Jejum que antecede a Festividade (neste dia não se come nada derivado animal, no máximo se a data da Véspera cair num Sábado ou Domingo, podemos comer com óleo, mas nada de carne, laticínios, ovos… Tem quem respeite o costume de na Véspera de Natal comer somente quando a primeira estrela aparecer no céu). Neste dia, devemos dar mais atenção à vida de alma e subjugar o corpo à realidade da graça da qual ele tomará parte por ocasião da Festa.
Na Nona Hora Real, temos em ambos os Serviços Litúrgicos, o momento em que escatologicamente nos transportamos ao cume máximo da Festa, quando ouvimos o Salmista entoar com maestria e reverência a relação da festa com o acontecimento miraculoso ao qual o Senhor nos convida. É desta forma que a Igreja tenta, em sua sabedoria, nos fazer participar daquilo que é impossível tornar visível, mas completamente NECESSÁRIO e possível tornar presente – o momento do nascimento na carne do Salvador (no Natal) e a “manifestação” da Santíssima Trindade – o Espírito Santo em forma de pomba, o Filho sendo batizado e a voz de Deus Pai (na Teofania).
Participar e vivenciar as realidades da Festa da Teofania é completamente necessário a partir da presença nos Serviços Divinos de nossa Igreja. Nesta Festividade, temos a Ordem da Grande Benção das Águas, celebrada por duas vezes, tanto no dia da Véspera como na própria Festa em si. A Tradição aponta que na Véspera da Festa, a Grande Benção é realizada no interior da igreja (templo) para o uso dos fiéis, catecúmenos e participantes em geral… podendo neste dia realizar a aspersão das casas e afins. Já no dia da Festa, a Igreja nos convida a realizar a Grande Benção fora dos templos, em rios, lagos, mares ou qualquer fonte de água possível, significando assim a benção de toda criação. E isso, nós realizamos todos os anos… graças a Deus!
Vejamos, então, quantas riquezas nossa fé ortodoxa através das bençãos da Igreja nos oferece e convida! Lembremos sempre que estes instrumentos que Ela nos deixa (tais como a água benta, a cruz, os ícones e muito mais) estão sempre ao nosso lado, como armas no combate contra o pecado, selando a magnitude da vitória da Vida sobre a morte, porque tudo só tem um propósito porque CRISTO RESSUSCITOU!
Feliz Festa da Teofania!
monja Rebeca (Pereira)








